“Porconafre”: Cientistas implantam gene de espinafre em porcos
31 janeiro 2002
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Até parece coisa de ficção, mas na verdade trata-se de mais uma experiência da engenharia genética. Depois dos muitos testes e da polémica da alimentação geneticamente modificada, cientistas japoneses dizem ter conseguido implantar genes de espinafre em células suínas.
 

 

Segundo os investigadores da Universidade Kinki, perto de Osaka, a nova técnica pode ajudar a desenvolver animais mais saudáveis.
 

 

Como resultado da experiência, que começou há vários anos, nasceram duas gerações de leitões portadores do gene do espinafre, conhecido como FAD2.
 

 

Segundo o líder da investigação, Akira Iritani, em declarações à BBConline, os "porconafres" produzem menos gordura do que os suínos normais.
 

 

"Pela primeira vez um gene de uma planta funciona normalmente num animal vivo, e não em células cultivada artificialmente", garantiu Iritani.
 

 

A experiência consistiu em inserir um gene de espinafre num óvulo suíno, para depois ser implantado no útero de uma porca, com a finalidade de fazer nascer leitões transgénicos. Segundo os cientistas, o FAD2 transformou 20 por cento dos ácidos graxos das crias em ácidos linoléicos, considerados mais saudáveis.
 

 

Agora Iritani tem como missão provar que esta união entre o porco e o espinafre pode servir de alimento para os seres humanos. "Sei que os alimentos geneticamente modificados têm encontrado resistência junto do público", disse o cientista. "Mas espero que conhecendo estes estudos as pessoas tenham vontade de comer (este porco transgénico) por razões de saúde", disse Akira Iritani, que reconhece, porém, que a taxa de sobrevivência destes porcos é apenas de um por cento.
 

 

Trangénicos da polémica: contextualização
 

 

O caso dos alimentos transgénicos, quer sejam plantas, cereais ou animais, têm vindo a ser largamente debatidos pela comunidade científica, bem como pela sociedade civil.
 

 

Estudos especializados na área da biologia molecular têm permitido que a biogenética produza, há muitos anos, variedade de sementes e organismos transgénicos em diversos países do mundo. Soja, arroz, cenoura, outras leguminosas e cereais, ao lado de animais geneticamente modificados, são desenvolvidos em muitos laboratórios. Os cientistas apelam à utilidade destes novos alimentos para alimentação, mas, na verdade, nunca se chega a perceber quais serão os benefícios dos transgénicos, devido à falta de informação veiculada.
 

 

E é por isso que, cada vez mais, as áreas da alimentação analisam questões básicas que relacionam nutrição e genética. Em vários países do mundo, cientistas agrícolas desenvolvem estudos com o intuito de melhorar a quantidade e a qualidade dos alimentos necessários para cobrir a procura da crescente população mundial através da engenharia genética. Procura-se também utilizar a biogenética para se determinar as necessidades nutricionais e, finalmente, mostrar como a alimentação influencia a expressão genética.
 

 

Se para muitos, os alimentos geneticamente modificados é uma realidade incontornável, para outros, as perspectivas futuras defendidas pelos cientistas são ultrapassáveis, recorrendo, para tal, a uma divisão mundial dos alimentos.
 

 

Na verdade, e não descurando os argumentos científicos e filosóficos dos OGMs, existem muitas outros factores, entre os quais os interesses económicos, e esses vieram para ficar.
 

 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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