“Maus-tratos numa urgência pediátrica”

Estudo do Hospital Amadora-Sintra premiado pela SPP

30 dezembro 2006
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A agressão física e o abuso sexual são os maus-tratos mais detectados em crianças nas urgências de Pediatria do Hospital Amadora-Sintra, revela um estudo premiado este mês pela Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).
 

 

O estudo "Maus-tratos numa urgência pediátrica", realizado por Alexandra Vasconcelos, Bruno Cardoso e por Helena Isabel Almeida, chefe dos serviços de urgência do departamento de Pediatria do Hospital Fernando Fonseca (Amadora- Sintra), analisou 416 casos de maus-tratos detectados no hospital, entre Janeiro de 2000 e Dezembro de 2005.
 

 

A análise das 416 situações revelou que em 60,3% dos casos, as crianças foram vítimas de agressão física, 30,3 % foram vítimas de abuso sexual e 14,4% de abuso emocional com agressão física. Relativamente as idades, 45,9% das vítimas dos maus-tratos registados tinham entre oito e catorze anos, e dos 60% das vítimas femininas, a idade média era de 7 anos.
 

 

Os dados revelaram ainda que, em 97% dos casos registados tratava-se da primeira ida ao serviço de urgência por suspeita de mau-trato, no entanto em 37,5% havia evidência de que o abuso era crónico. O estudo adianta também que a maioria das agressões (58,9%) ocorreu no domicílio e 53,1% dos agressores eram coabitantes com a vítima. Em 67,8%, o agressor era do sexo masculino, e pai da vítima em 24.3% das situações.
 

 

Em relação à agressão física, os dados revelam que as vítimas tinham entre dez e catorze anos, com igual distribuição entre os sexos, sendo em 58% dos casos o agressor coabitante da criança maltratada. Relativamente ao abuso sexual, a distribuição por idades varia com picos entre os três e os quatro anos e dos onze aos catorze anos, sendo 86% das vítimas do sexo feminino e o agressor em 59,5% dos casos familiar ou conhecido da criança sexualmente abusada.
 

 

O destino de 76,7% das 416 crianças foi o domicílio e em 2,9% dos casos uma instituição de acolhimento, tendo sido 89% do total das situações avaliadas pela assistente social e apenas em 41,1% apresentada queixa na PSP. Dos casos mais graves destacam-se uma morte, por trauma abdominal, e outra por negligência, tendo mais sete crianças sofrido fracturas ósseas.
 

 

Os objectivos do estudo foram, segundo os autores, "conseguir perceber que tipo de crianças são vítimas de maus-tratos, apurar factores que motivaram os maus-tratos e estabelecer uma caracterização do agressor, assim como avaliar a sensibilidade e o envolvimento dos profissionais da urgência pediátrica no reconhecimento e encaminhamento dos casos".
 

 

Fonte: Lusa
 

MNI- Médicos na Internet
 

 

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