“Caixa preta” para as salas de cirurgia

Tal como já acontece na aviação, também as intervenções cirúrgicas vão ser totalmente monitorizadas

27 agosto 2001
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Por forma a aumentar a segurança e ajudar a identificar erros e a evitar problemas nas salas de cirurgia, uma equipa britânica está a desenvolver uma espécie de "caixa preta", semelhante aos equipamentos que já existem nos aviões.
 

 

À semelhança dos aparelhos utilizados na aviação, este novo aparelho vai registrar todas as ocorrências durante uma intervenção cirúrgica, visando melhorar os padrões de segurança nas salas de cirurgia.
 

 

Da mesma forma que os equipamentos de aviação monitorizam dados vitais que podem ajudar os investigadores a identificar as causas de acidentes aéreos, a "caixa preta" cirúrgica irá registrar a formação e os vários procedimentos da equipa, os sinais vitais do paciente e os aparelhos utlizados, gravará as conversas e observará os deslocamentos e até os movimentos das mãos de cada profissional da equipa.
 

 

Segundo a afirmação de Ara Darzi, coordenador deste projecto e professor de cirurgia no Imperial College of London, à Reuters Health: "A sofisticação tecnológica das salas de cirurgia ainda não é suficiente para superar os riscos associados às novas técnicas cirúrgicas... precisamos ter certeza de que todos estes sistemas trabalham em conjunto."
 

 

Reportando a dados da organização americana National Health Service, estima-se que ocorram, anualmente, 850 mil acidentes e erros nas instituições desta organização; acidentes e erros que afectam cerca de um em cada dez pacientes com um custo de cerca de 2,9 bilhões de dólares em dias extras de hospitalização.
 

 

Por esse motivo, o National Health Service publicou, em Abril, um documento que estabelece como objectivo o desenvolvimento de um novo sistema que seja capaz de aprender com os erros já cometidos e acidentes ocorridos.
 

 

Como se depreende, a "caixa preta" cirúrgica vai aproveitar os métodos e conceitos já comprovados por outros sectores industriais, principalmente a aviação, onde as avançadas técnicas de simulação e o acesso a sofisticados dados de segurança na aviação melhoraram significativamente a segurança das viagens aéreas.
 

 

"Aprendemos uma grande coisa com a indústria da aviação. Em muitos aspectos, é como se a sala de cirurgia fosse a cabine,” afirma Ara Darzi. Este sistema já conhecido como Gravador de Dados Clínicos, o sistema baseia-se num computador que vai registrar em vídeo e áudio todos os dados fisiológicos e técnicos durante uma intervenção cirúrgica. Este sistema caracteriza-se pela total objectividade do registo.
 

 

"O nosso objectivo é integrar o registo de todo o ambiente vivido na sala cirúrgica", explica Ara Darzi. Para este investigador, a principal meta deste projecto é identificar a informação mais útil para futuro "... desenvolvimento de técnicas de alerta antecipado" que vão ajudar a "identificar os resultados obtidos com determinados padrões de comportamento".
 

 

O protótipo do sistema já está pronto e encontra-se em fase de funcionamento experimental Imperial College of London. O primeiro teste real deverá ocorrer em meados de 2002.
 

 

Segunde defende Ara Darzi, a segurança dos doentes seria melhorada se fossem providos de sistemas de monitorização total semelhantes a este, dizendo: "Este é um exemplo de como a ciência, tecnologia e medicina caminham juntas para melhorar o cuidado aos pacientes."
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Reuters

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