“A estupidez tem origem genética e deveria ser curada”, afirma James Watson

Polémicas afirmações do Nobel da Medicina abalam mundo científico

03 março 2003
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Passados cinquenta anos sobre a descoberta da estrutura do ADN (ácido desoxirribonucleico), James Watson, um dos investigadores envolvidos nessa descoberta, volta a abalar o mundo científico ao defender que a estupidez, entendida como o reflexo de um baixo coeficiente intelectual, é uma doença genética e, como tal, deveria ser curada.
 

 

O cientista expressou esta opinião num documentário da televisão britânica “Channel 4” que será transmitido no passado sábado para celebrar o 50º aniversário da chamada “descoberta do século”.
 

 

Nesse documentário, Watson afirmou que um coeficiente intelectual reduzido é uma desordem genética e, por isso, hereditária e que os investigadores que trabalham na área da biologia molecular têm o dever de desenvolver técnicas de diagnóstico e de terapia genética para acabar com este problema.
 

 

“Se uma pessoa for realmente estúpida, a isso eu chamaria doença”, afirma o prestigiado professor, grande impulsionador do Projecto Genoma Humano, a iniciativa pública internacional para decifrar o chamado “mapa da vida”.
 

 

Watson considera que é um erro associar a lentidão na aprendizagem a uma situação de pobreza ou a problemas familiares, já que é mais provável que exista uma causa genética que pode e deve ser corrigida.
 

 

Na opinião de Watson, que aos 75 anos é um defensor convicto da utilização da engenharia genética para melhorar a raça humana, os cientistas teriam de desenvolver terapias genéticas e fazer exames pré-natais para prevenir o nascimento de “bebés estúpidos”.
 

 

“É injusto que as pessoas não tenham as mesmas oportunidades (de ser inteligentes). Quando estiver disponível um método para melhorar os nossos bebés, ninguém poderá evitar a sua aplicação. Seria estúpido não o utilizar”, sublinhou.
 

 

Watson vai ainda mais longe ao defender que a engenharia genética também se poderá aplicar aos genes da beleza.
 

 

“Há quem considere terrível a possibilidade de todas as mulheres serem lindas. Eu acho que seria fantástico”, disse.
 

 

Entratanto, as afirmações de Watson já foram alvo de contestação por parte dos seus pares. Nikolas Rose, especialista em bioética na London School of Economics, afirma que este tipo de manipulações genéticas podem não ser possíveis já que “se se confirmar que a estupidez é uma característica hereditária, haverá o envolvimento de um elevado número de genes e ainda a interacção ambiental.”
 

 

John Sulston, um dos responsáveis pelo Projecto Genoma Humano, considera que o professor Watson entrou numa “área extremamente perigosa”, com as suas recentes afirmações.
 

 

O produtor do programa apresentado no “Chanel 4” acredita que esta visão polémica de Watson resulta da sua própria experiência familiar com o seu filho, que sofre de uma doença mental semelhante à esquizofrenia.
 

 

MNI – Médicos Na Internet
 

Fonte: Newscientist

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