TAP Portugal conta história de sucesso da ALERT
05 setembro 2010
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Do Alasca à Malásia, a ALERT informatiza a saúde. O seu criador, Jorge Guimarães, também pretende contribuir para a descoberta do prolongamento da vida. Mas para já, estão aí os hospitais “sem papéis”.

 

Questiona-se muitas vezes sobre a razão de existir de uma empresa e conclui sempre o mesmo: resolução de problemas. É essa a característica diferenciadora que Jorge Guimarães aponta à ALERT Life Sciences Computing, empresa de desenvolvimento de software clínico que criou há dez anos com o nome de Médicos na Internet.

 

Estava na Universidade de Stanford, a investigar os genes da formação do sangue e a ponderar tornar-se oncologista, tinha 31 anos e sentia-se cansado, muito cansado. Tinham passado seis anos de intensa investigação, acabara de ganhar o Prémio Bial de Medicina, mas o momento exigia mudança. Em Silicon Valley, em pleno boom da internet, havia problemas a resolver. Também havia uma oportunidade de criação de valor, é certo. E o facto de ter experimentado a importância de uma ferramenta informática na investigação – quais os programas mais capazes a explicar quais são os novos genes, quais as suas funções no nosso organismo – dita-lhe o caminho: desenvolvimento de software clínico. A segunda escolha foi mais fácil. Portugal, porque se sentia mais seguro e queria que as filhas crescessem com os avós.

 

Jorge Guimarães percorre os vários pisos da ALERT, em Vila Nova de Gaia, e vai sublinhando as características da estrutura que começou por ocupar um T1 e, hoje, com vista para o Douro, alberga cinco centenas de pessoas de múltiplas áreas. Salas e mais salas de conceptualização com paredes brancas para se afixar papel com notas, esquemas: “Toda a gente é incentivada a pensar em diagramas para conseguirmos, depois, materializar uma ideia. Estamos a desenvolver algo que não existe; é um processo altamente criativo. É quase como encomendar um episódio novo dos Simpsons todas as semanas”.

 

Primus inter pares

 

O que faz da ALERT um caso singular entre as melhores do mundo, com crescimento sustentado, filiais em Inglaterra, Holanda, Brasil, Estados Unidos, Singapura, Espanha, e um produto distribuído em 20 países, é exactamente a perspectiva clínica com que o software é desenvolvido. Jorge Guimarães viveu o caos de uma urgência de hospital e a incapacidade de quem lá trabalhava para resolver os problemas. Por ter estado do outro lado, confrontou-se com as dificuldades que surgem perante um doente que exige um diagnóstico: quais os exames mais adequados, que perigos decorrem da utilização de determinado medicamento? É preciso conhecer bem o funcionamento interno de uma instituição de saúde para desenvolver um bom software. Outro dos factores diferenciadores é a usabilidade do produto, e a ALERT assinala o seu caminho com um grande enfoque na componente do design.

 

Jorge Guimarães sublinha ainda uma outra característica da sua empresa, fundamental quando se tratou de informatizar uma região do Alasca, comparável em dimensão ao Estado da Flórida: a capacidade do seu software proporcionar aos profissionais de saúde a partilha de dados.

 

O empresário avança, de sala em sala, explicando que a voz ouvida no altifalante anuncia a hora de um “retiro para concepção”, chamando a atenção para a máxima inscrita no chão “Melhorar a saúde, prolongar a vida”, apontando o vermelho na folha de presenças das aulas de formação, abrindo portas da empresa e da fábrica, apresentando as pessoas e o projecto.

 

Há mais uma série de características que Jorge Guimarães destaca para justificar o sucesso da ALERT. Refere o controlo do acesso à informação, aos dados clínicos do doente, e o acompanhamento por psicólogos da introdução do produto nos hospitais, ou seja, “assegurar que num ambiente de grande stress, como é um hospital, ninguém perca a cabeça face à novidade que exige mudança no modo de trabalhar”. Por fim, igualmente diferenciadora é a capacidade da ALERT em monitorizar 24 horas por dia a performance do produto. Se houver algum problema a corrigir no Alasca ou na Malásia, por exemplo, é solucionado de imediato, muitas vezes antes dos próprios utilizadores darem conta dele.

 

Processo clínico individual

 

Para o empresário, faz sentido o indivíduo organizar o seu próprio processo clínico, tal como organizaria um álbum de fotografias: qual o peso, quais as alergias, doenças crónicas, análises; se todos estes dados estiverem reunidos, alinhados, poupa-se tempo e evita-se a repetição da história clínica.

 

No início, quando magicava na criação da empresa, Jorge Guimarães imaginou-a dirigida ao cidadão, com produtos como o processo clínico individual ou o aconselhamento médico a funcionarem online. Mas rapidamente percebeu que, há dez anos, ainda não era a altura ideal para implementar tais melhoramentos, até porque a informação estava toda em papel. Só agora, frisa, é que os processos clínicos individuais estão a começar a ser levados a sério: “É uma questão que não deve ficar nas mãos do estado ou de empresas privadas, deve ficar nas mãos do cidadão”. E é essa garantia que a ALERT dá. A informação do processo clínico individual é propriedade exclusiva dos cidadãos, não é vendável em hipótese alguma. Jorge Guimarães conta que tem concorrentes americanos que, embora mantendo o anonimato dos utilizadores, vendem a farmacêuticas informação de saúde, como a prescrição de medicamentos.

 

Pela frente, a par do desejo de informatizar a saúde em Portugal, há o desafio do crescimento e de conseguir responder às exigências de um software que daqui a 5, talvez 10 anos, será comparável às exigências da descoberta de um novo medicamento. O mesmo será dizer que o desenvolvimento de software não será uma história para amadores – será concretizado apenas por uma dezena de empresas no mundo. Até 2013, anuncia Jorge Guimarães, há que atingir 200/300 milhões de euros de facturação por ano para conseguir sobreviver e manter um crescimento sustentável.

 

Da morte ao espaço

 

“Tenho 42 anos e meio. Sim, conto os meios. Acho que a minha vida é limitada”. À óbvia constatação, impõe-se a pergunta: E não é assim com toda a gente? “Só se ninguém descobrir o remédio para a morte… Acredito fortemente que seja possível prolongar a vida. Tem-se feito muita investigação nessa área, somos das últimas gerações com uma morte antes dos 100 anos. O processo está em curso e eu gostava de dar o meu contributo”. Jorge Guimarães anuncia que, no máximo até aos 45 anos, gostava de criar uma empresa de biotecnologia na área do envelhecimento: “A morte é evitável, acho”. E continua, “é difícil esta discussão. Quando falo nisto, a reacção ou é de muito interesse ou de completo desconforto. Na nossa geração, neste preciso momento, estão a acontecer um conjunto de avanços científicos que permitirão um prolongamento significativo da vida e, por altura dos meus netos e bisnetos, poderão ter como resultado a imortalidade”. Perante a nossa perplexidade, o investigador declara: “Isso vai acontecer. Estamos programados para replicarmos e desaparecermos. Se conseguirmos ultrapassar esse problema, podemos ficar vivos durante muito tempo. Temos nas nossas células a capacidade de criar tudo de novo. É apenas uma questão de mexer nos programas certos e tudo volta a acontecer de novo”.

 

Outro dos desejos do empresário é fazer uma viagem ao espaço, mas a concretização fica para depois, para um momento em que isso seja algo mais banal, que não represente tantos riscos para um homem que sente o peso da responsabilidade de proporcionar trabalho a 800 pessoas em vários cantos do mundo. Para um pai de três filhas que quer ver crescer.

 

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