"Na crista da onda", ALERT em destaque no E-Health Insider
08 abril 2011
  |  Partilhar:

Blackpool tem as suas Urgências a funcionar com o sistema de processo clínico electrónico ALERT® e pretende agora estendê-lo a todo o agrupamento hospitalar. Sarah Bruce foi averiguar.

 

Há dezasseis meses, a Blackpool Teaching Hospitals NHS Foundation Trust (hospitais universitários pertencentes ao sistema de saúde britânico) tornou-se o primeiro agrupamento hospitalar das regiões Norte, Centro e Este de Inglaterra a utilizar a Additional Supply Capability and Capacity (central de compras do NHS) para a aquisição de um sistema de processo clínico electrónico.

 

Ao dar este passo, tornou-se também no primeiro agrupamento hospitalar da região a rejeitar o sistema iSoft Lorenzo disponibilizado pelo fornecedor de serviços local CSC, ao abrigo do Programa Nacional de Informatização do NHS, constituindo o primeiro cliente NHS da empresa portuguesa ALERT.

 

A criação de uma visão

 

Sendo uma instituição com tantas responsabilidades, o agrupamento hospitalar considera agora ter estado demasiado optimista em relação à data de arranque do produto, envolvendo a sobreposição de uma camada de funcionalidades clínicas sobre o seu sistema de administração de pacientes IMS Maxims.

 

O agrupamento hospitalar tinha informado a eHealth Insider que parte do ALERT® EDIS iria arrancar no início do Verão passado. No entanto, o arranque foi adiado para Novembro de 2010. O agrupamento explica este adiamento com a necessidade de obras de grande envergadura nas instalações das Urgências.

 

Não obstante, o arranque correu bem. Ao longo dos últimos quatro meses a informação de pacientes que recorreram às Urgências foi recebida através de mensagens por interface dos centros de urgência geridos pelos cuidados de saúde primários.

 

Mais de 470 funcionários receberam formação para utilizar o sistema na triagem de pacientes, registo de tratamentos e procedimentos, requisição de testes de diagnóstico e visualização de resultados, monitorização do estado dos pacientes, registo de datas de alta e resultados clínicos.

 

A Dra. Victoria Ellarby, directora do programa Vision, declarou ao eHealth Insider: "O sucesso de tudo isto reside na liderança clínica desde o início. Este projecto situa-se no contexto do desenvolvimento estratégico do agrupamento hospitalar e não apenas na esfera da equipa de tecnologias da informação".

 

Vision (visão) foi o nome escolhido para o projecto pelo pessoal do agrupamento hospitalar, que parece ter aderido à ideia, apesar do cepticismo inicial por parte do departamento de tecnologias da informação relativamente à reacção dos colegas à mudança para um ambiente isento de papel.

 

O Dr. Simon Tucker, consultor das Urgência, afirmou: "Quando iniciámos o projecto, enviámos um e-mail às pessoas a perguntar se queriam estar envolvidas. No espaço de uma hora recebemos mais de uma dezena de respostas a dizer "sim". As pessoas quase se atropelavam para serem envolvidas".

 

O agrupamento hospitalar realiza, desde o início, reuniões quinzenais onde membros de todas as especialidades participam com os seus comentários.

 

Ao gosto de Blackpool

 

Adicionalmente, na altura em que o agrupamento hospitalar assinou contrato com a ALERT, a empresa enviou um analista funcional para tomar conhecimento da forma de trabalhar do hospital, de forma a garantir que o sistema estaria "ao gosto de Blackpool".

 

Ellarby afirmou ainda: "Todo o conteúdo clínico e os menus de lista pendentes deveriam ir ao encontro das necessidades do pessoal clínico. Houve também grande necessidade de desenvolver interfaces, o que foi difícil. Mas nós tínhamos preparado um motor de integração que ajudou imenso nesse trabalho".

 

Apesar de o sistema vir de Portugal, o agrupamento hospitalar afirma que não houve problemas com a sua anglicização. O facto de a maioria dos formadores da ALERT serem portugueses não trouxe também qualquer problema.

 

Roger Wallhouse, Director Geral da ALERT, afirma que a construção do sistema para o NHS foi muito diferente.
"A construção deste modelo para Blackpool foi, para nós, construir esta solução para o resto do NHS. O tamanho e recolha de informação para hospitais do NHS é muito diferente se compararmos com os hospitais privados; este processo requer a integração de muitas mais funcionalidades".

 

Roger Wallhouse ainda acrescentou: "O facto de termos tido o envolvimento de todos no arranque foi importante, já que, apesar de este ter acontecido inicialmente nas Urgências, trata-se de um sistema hospitalar. Tudo o que for feito nas Urgências irá ser disseminado por todo o agrupamento hospitalar".

 

A teoria do big bang
Na altura em que o agrupamento hospitalar comprou o sistema, tencionava efectuar uma implementação ao estilo do big bang. No entanto, mais uma vez a instituição fez uma revisão ao plano e alterou-o para que este fosse baseado em funcionalidades.

 

Helen Mainon, a gestora de mudança de negócio da ALERT para o agrupamento hospitalar explicou: "Perguntámos aos funcionários se gostariam de ir para casa na sexta-feira a utilizarem papel e voltarem na segunda-feira e terem de utilizar apenas computadores. Todos eles disseram que não".

 

Em vez disso, Blackpool arrancou com o registo, monitorização e comunicação de pedidos durante a primeira semana, tendo-se seguido a documentação clínica.

 

"Isto fez com que os funcionários se sentissem mais confiantes e progredissem por pequenas etapas. Recomendamos vivamente este tipo de abordagem e vamos continuar a adoptá-la para o resto da implementação, visto que tem funcionado tão bem", acrescentou Helen Mainon.

 

O agrupamento hospitalar admite ter havido uma pequena dose de pânico quando o sistema foi abaixo durante cerca de duas horas no segundo dia, tendo-se criado planos de continuidade do negócio.

 

O Dr. Simon Tucker revela: "Isto fez com que uma ou duas pessoas se tivessem recusado terminantemente a utilizar o sistema. Mas não se registou qualquer outra paragem não planeada do serviço desde então e as poucas pessoas que estavam contra o seu uso são agora as que mais professam a sua utilização".

 

Aumenta-se a eficiência - mas perdem-se funcionários

 

O agrupamento hospitalar crê que os principais benefícios irão revelar-se quando o sistema estiver mais amplamente instalado. Espera-se, por exemplo, que se verifique uma redução nos incidentes clínicos e na duração das estadias nos internamentos.
No entanto, são já notórios "grandes ganhos em termos de tomadas de decisão clínica mais rápidas e do acesso simultâneo por parte de múltiplos utilizadores". Ou, segundo a perspectiva do Dr. Tucker, "O sistema tem a capacidade de fazer o mesmo que fazíamos antes, mas muito mais rapidamente. "

 

"Antigamente, tínhamos de estar constantemente a entrar no sistema para ver se já havia resultados disponíveis. Agora o sistema avisa-nos assim que estes são disponibilizados. Só o temos há quatro meses, sendo que ainda é um diamante em bruto,  mas estamos a trabalhar no sentido de polir as suas arestas."

 

Paralelamente aos benefícios clínicos, o caso de negócio do agrupamento hospitalar referia que a implementação do sistema poderia resultar em poupanças em termos financeiros, tal como a extinção de cerca de 400 postos de trabalho ao nível de pessoal administrativo, secretários médicos, pessoal dos registos clínicos e ainda pessoal das auditorias e registo de dados.

 

Graham afirma ainda: "Algumas destas dispensas de trabalho devem-se a dificuldades financeiras que o agrupamento hospitalar está a atravessar - mas antevemos que sejam dispensados 400 dos nossos 4,500 funcionários, oriundos de todos os grupos.”

 

Por outro lado, o agrupamento hospitalar ainda não necessitou de contratar pessoal informático adicional para prestar apoio ao arranque. Seis dos 15 funcionários da ALERT têm permanecido em campo em alturas diferentes.

 

O agrupamento hospitalar possui ainda um sistema de apoio dedicado com formadores, que se encontra disponível 24 horas por dia, durante um mês, e que inclui profissionais de apoio à mudança clínica e elementos da equipa de gestão de projecto. A instituição planeia ainda empregar três informáticos para completar a implementação.

 

Começar por baixo, pensar em voar alto

 

O agrupamento hospitalar está agora a planear instalar a prescrição electrónica e a administração de medicação por todo o serviço de Urgência, assim como desenvolver uma ligação URL que permitirá, através de um clique, aceder a imagens PACS a partir do início de Junho.

 

A instituição planeia, até ao fim do ano, ter a comunicação de pedidos em todo o agrupamento hospitalar, nos módulos do INPATIENT e OUTPATIENT, assim como documentos clínicos nas consultas externas de cardiologia e em unidades de decisão clínica.

 

Espera-se que a instalação integral da documentação clínica pelas restantes especialidades e que a prescrição electrónica, administração de medicação e monitorização de pacientes estejam concluídas e funcionais em todo o agrupamento hospitalar até final de 2012.

 

Uma das áreas que tem causado especial entusiasmo ao agrupamento hospitalar é a forma como o sistema pode ser utilizado através de uma óptica de desempenho. O Dr. Simon Tucker afirma: "Os nossos indicadores de desempenho estão prestes a sair. Possuímos um sistema completo de avaliação nos nossos serviços de Urgência. Existe, pois, uma possibilidade de perda de receitas se não fizermos tudo correctamente.

 

"A informação é recolhida neste sistema, que é configurado por nós. Assim, em vez de o utilizarmos apenas para registar quando podemos fazer algo, tencionamos utilizá-lo para tomarmos conhecimento sempre que estamos para transgredir algo".

 

O agrupamento hospitalar já consegue monitorizar com relativa facilidade o progresso da norma de tratamento ou alta no período de quatro horas estabelecido para as Urgências. "É possível estabelecer um protocolo e assegurarmo-nos que este é seguido. Depois, quando o paciente está para deixar as Urgências, o sistema assegura que foi tudo feito", afirma o Dr. Simon Tucker. "Isto não é uma repetição de um Mapa de Medicina. Isto vai muito mais além disso. Isto significa a interpretação de resultados, guiar os profissionais através das decisões. Isto é, com efeito, algo fantástico".

 

Graham afirma que esta é uma característica que realmente distingue o ALERT® dos restantes sistemas baseados em Windows.

 

A opção mais fácil?

 

Pode-se argumentar que o agrupamento hospitalar optou pelo caminho mais fácil ao decidir não tocar no seu sistema IMS Maxim de administração de pacientes, tendo-o sobreposto com a camada de funcionalidades clínicas.

 

Graham argumenta: "Quando começámos, não era o sistema de administração de pacientes (PAS) que pretendíamos mudar. Apenas queríamos aproveitar os benefícios que trazem as funcionalidades clínicas, e depressa".

 

Roger Wallhouse acredita que uma empresa estrangeira poderia ter enfrentado mais dificuldades ao tentar implementar um PAS. "Porque esta é, fundamentalmente, uma solução clínica, não temos que lidar com tantos aspectos com os quais outras organizações têm que lidar a nível de PAS", declara.

 

"As funcionalidades clínicas são bastante adaptáveis, o que não acontece com o PAS". Embora Blackpool nunca tenha declarado formalmente ter abandonado o NPfIT (programa nacional de informatização para o NHS), não parece considerar o Lorenzo como uma opção viável em termos de mudança de PAS.

 

Graham acrescenta ainda: “Muitas pessoas afirmam que ‘tudo o que fizeram foi arrancar com a aplicação nas Urgências’. Isto é verdade, mas temos um processo clínico electrónico completo nas Urgências e estamos para implementá-lo em todo o agrupamento hospitalar.
"É uma abordagem diferente em relação à de outros, mas funciona. Se considerarmos Morecambe Bay (que está a tentar implementar a versão mais recente do Lorenzo há pelo menos dois anos), esta instituição tem vindo a tentar que tudo funcione e ainda não o conseguiram".
 

Partilhar:
Classificações: 6Média: 4.5
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.