Varizes

Artigo de:

Dr. Pedro Brandão - Cirurgia Vascular - 09-Abr-2002

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O que é?

Variz" é um termo médico que designa uma dilatação permanente de uma veia e que é tradutora de doença. Podemos ter: varizes telangiectásicas, reticulares e tronculares, conforme o grau de dilatação da veia.

 

Qual a frequência?

As varizes dos membros inferiores são muito frequentes na população, chegando a atingir uma prevalência de 51% num estudo realizado em Portugal. É uma doença com um impacto negativo muito forte na qualidade de vida dos doentes, sendo responsável pela perda de muitos dias de trabalho, representando assim um peso sócio-económico elevado.

 

Como prevenir?

Cabe ao clínico especialista alertar o doente para as particularidades desta doença e convida-lo a participar, activamente, no seu controlo através de um conjunto de medidas preventivas capazes de alterar a progressão da doença : - Uso de contenção dos membros inferiores (meia elástica, ligaduras) - Exercício para promover os músculos da barriga da perna e combater a obesidade (marcha, dança não profissional, golfe, natação) - Dieta para evitar obesidade - Evitar exposição ao calor (sol, aquecedor, lareira) - Elevação dos membros inferiores (de 2 em 2 horas por períodos de 15 min, dormir de membros ligeiramente elevados) - Evitar calçado com saltos altos - Evitar posições ortostática (de pé) e sentado prolongadas No tratamento desta doença todas estas medidas passam a ser imperiosas deixando de ser meramente preventivas passando a assumir o factor determinante do sucesso da progressão da doença.

 

Quais são as causas?

As varizes podem surgir devido à fragilidade da própria veia (varizes primárias) ou devido a alterações venosas provocadas por traumatismos, tromboses venosas (varizes secundárias). Seja de que tipo forem, existem no entanto aspectos que contribuem para a sua progressão. Enumero alguns que penso poderem ser alterados voluntariamente pelo doente: - Sedentarismo ou actividade pobre em movimento: actividade ocupacional com prolongados periodos de pé ou sentado, longas de avião ou carro, longos períodos em frente da TV; - Desporto ou actividades violentas: Atletismo Altas pressões abdominais; Obesidade; - Vestuário: roupa justa, cintas, calçado de saltos altos; - Número de gestações - Exposição prolongada ao calor - Pé raso Mas as varizes por si só são uma pequena parte da doença venosa dos membros inferiores. Se lhes é atribuída muita importância é talvez pelo seu impacto estético. Como lhes falei atrás, a doença venosa tem um carácter evolutivo. De facto ao longo dos anos ela assume expressões clínicas tradutoras dessa progressão. E se inicialmente as varizes são a queixa mais valorizada em fases avançadas começa a haver alterações da pele tipo manchas acastanhadas (dermite de estase), endurecimento da pele e tecido celular subcutâneo (dermatolipoesclerose) e em estadios evolutivos finais aparece a úlcera da perna.

 

Quais são os sintomas?

As queixas mais vulgares associadas à existência de varizes dos membros inferiores são a dor e sensação de peso das pernas bem como o edema (inchaço) da perna e pé. A doença venosa tem um carácter evolutivo, havendo uma degradação progressiva das veias ao longo de anos conduzindo a um estado de hipertensão venosa crónica com repercussão a nível da pele da perna.

 

Quais são as complicações?

Existem as chamadas complicações das varizes dos membros inferiores. Temos então a situação de varicorragia, isto é, a ruptura traumática ou espontânea de uma variz que conduz a uma hemorragia. É uma situação raramente fatal pois é geralmente bem controlada por manobras de compressão local e elevação dos membros inferiores. No entanto pessoas com pouco desembaraço físico que se encontrem sózinhas podem sucumbir por perdas sanguíneas. Outra complicação é a inflamação recidivante vulgarmente designada por flebite que pode originar-se ou originar a formação de um trombo (coágulo localizado) conduzindo à formação da trombose venosa superficial que por vezes se estende a trombose venosa profunda. Outra situação que ocorre com alguma frequência é a predisposição às infecções da pele do tipo erisipela.

 

Qual o tratamento?

O tratamento cirúrgico deve ser considerado quando não é possível controlar a progressão da doença, o que acontece devido a vários factores, como por exemplo, a não adesão do doente às medidas propostas muitas vezes devido à actividade profissional. E aqui ressalvo a necessidade da mudança de posto profissional ou de profissão em casos selecionados por forma a controlar a evolução da insuficiência venosa. Outra indicação para a cirurgia surge quando a doença se encontra em estadios avançados com lesões da pele que não cedem aos tratamentos médicos efectuados. Vemos pois que a cirurgia, na perspectiva de cirurgião vascular, está para lá de um aspecto meramente estético. O seu objectivo fundamental é alterar a evolução da doença permitindo um mais fácil controlo com as medidas anteriormente enumeradas. O tratamento estético de varizes envolve um outro conceito mais simplista da doença venosa e obedecendo à vontade expressa do doente, alertado pelo médico da relação risco/benefício, poderá submeter-se a tratamento por esclerose (secagem), laserterapia ou cirurgia.

Artigo de:

Dr. Pedro Brandão - Cirurgia Vascular - 09-Abr-2002



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