Tumores malignos: O que são?

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 21-Jul-2002

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As neoplasias malignas, incluindo nesta definição tumores de orgãos sólidos (pulmão, fígado, pâncreas, etc.), doenças linfoproliferativas (linfomas, mieloma múltiplo) e neoplasias hematológicas (leucemias, síndromes mieloproliferativos e mielodisplásticos), são actualmente consideradas doenças clonais, com forte predisposição genética.

 

O termo "clonal" significa que as células malignas evoluem a partir de uma única célula anormal que se multiplica de forma anárquica e excessiva. A transformação de uma célula normal numa célula tumoral parece depender de mutações em genes que, normalmente, controlam a progressão do ciclo celular, levando à perda de mecanismos reguladores do crescimento celular e, consequentemente, à proliferação descontrolada das células anormais.

 

Um gene é a unidade hereditária que determina um traço ou característica. Em termos moleculares, é uma sequência de ADN necessária para a produção de um produto funcional, em regra uma proteína. As mutações genéticas que originam um clone maligno podem, basicamente, dividir-se em dois grandes grupos: mutações hereditárias e adquiridas. Como é compreensível, as mutações genéticas hereditárias traduzem-se clínicamente por uma história familiar positiva de tumores malignos, enquanto que as mutações adquiridas originam casos esporádicos individuais. O grande desenvolvimento da genética molecular na última década permitiu a identificação de muitos genes mutantes importantes na génese de neoplasias frequentes como os cancros da mama, cólon, pâncreas e próstata.

 

Exemplos incluem, entre muitos outros, os genes p53, MYC, RB, BRCA1 e BRCA 2. Por outro lado, as causas de mutações genéticas adquiridas são múltiplas e variadas. As mais importantes são: tabaco, álcool, factores ocupacionais (e.g., asbestos, arsénico inorgânico, produtos da indústria de curtumes, benzeno), factores poluentes (e.g., hidrocarbonetos policíclicos, radon), radiações ionizantes, radiação solar ultravioleta, medicamentos citostáticos, agentes imunosupressivos, vírus (e.g., Epstein-Barr, hepatite B, HTLV-1, SIDA ), e agentes dietéticos (e.g., excesso de gorduras, teor baixo de fibras na dieta, aflatoxinas, excesso de calorias).

 

A prevenção das doenças malignas obriga a um côntrolo de todos estes factores. Presentemente, a única maneira efectiva de reduzir o peso dos factores genéticos na incidência das neoplasias é o aconselhamento genético. Muitos dos agentes carcinogénicos adquiridos são consequência da nossa actual civilização tecnológica e do nosso estilo de vida e, portanto, muito difíceis de erradicar se a nossa filosofia de vida não mudar radicalmente.

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Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 21-Jul-2002



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