Transfusão de glóbulos vermelhos «lavados»

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 22-Abr-2002

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Descrição do componente

Os concentrados de glóbulos vermelhos podem ser «lavados» («washed» - em linguagem anglosaxónica) com soro salino estéril através de um aparelho apropriado. A lavagem remove praticamente todo o plasma (98%), reduz a concentração de leucócitos e remove as plaquetas. O componente resultante pode ser armazenado a 1-6ºC durante apenas 24 horas, para evitar a contaminação bacteriana. Indicações Os glóbulos vermelhos «lavados» estão indicados em doentes que tiveram, no passado, severas ou recorrentes reacções alérgicas aos glóbulos vermelhos (por exemplo, urticária, broncospasmo, anafilaxia), nos quais é importante minimizar a quantidade de proteínas plasmáticas que estão na génese das reacções alérgicas. Podem, também, ser usados em transfusões neonatais ou intrauterinas.

 

Contraindicações e precauções

Os glóbulos vermelhos «lavados» podem causar, em geral, os mesmos problemas que as transfusões de glóbulos vermelhos. Também são capazes de transmitir hepatites e outras doenças infecciosas. Visto que contêm leucócitos viáveis, os glóbulos vermelhos «lavados» não previnem GVHD (graft-versus-host disease) ou infecções por citomegalovírus - CMV. Para isso é necessário recorrer às transfusões com glóbulos vermelhos irradiados.

 

Dose e administração

Todas as unidades devem ser administradas através de um filtro de sangue. Os concentrados de glóbulos vermelhos «lavados» têm um menor número de glóbulos vermelhos do que as transfusões clássicas de glóbulos vermelhos visto que há uma pequena perda de glóbulos durante o processo de «lavagem». Portanto, doentes que sistematicamente recebem transfusões com glóbulos vermelhos «lavados» podem necessitar de transfusões com mais frequência.

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 22-Abr-2002



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