Síndrome da Classe Turística

Artigo de:

David Ferreira adaptado de Verreisen - 19-Jan-2001

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Em Outubro de 2000, Emma Christoffersen uma jovem galesa de 28 anos morre após uma viagem aérea de Sydney até Londres com a duração de 20 horas. O facto de ter estado imóvel durante horas na sua cadeira levou à formação de um trombo nas membros inferiores que esteve na origem de uma embolia pulmonar fatal.

 

Entre os profissionais de Saúde, este tipo de Trombose é conhecido como “Síndroma da Classe turística”. Durante longos voos vários factores são responsáveis por uma estase venosa nos membros inferiores com a possível formação de trombos:

 

- As veias na região do joelho e do tornozelo sofrem uma acentuada compressão:

 

- A baixa de pressão atmosférica dentro dos aviões contribui para uma diminuição da velocidade do retorno venoso (regresso do sangue das regiões periféricas para o coração);

 

- A reduzida humidade atmosférica aumenta o grau de desidratação do organismo contribuindo para o aparecimento de fenómenos trombo-embólicos; -

 

Os próprios aviões são concebidos para levarem o máximo número de pessoas, por isso os fabricantes colocam um número máximo de cadeiras na classe turística diminuindo cada vez mais o espaço entre as várias filas, apertando cada vez mais os passageiros no seu lugar e diminuindo a um mínimo a sua mobilidade.

 

O Instituto Tropical de Munique sugere algumas medidas preventivas: - Beber muito (2 copos por hora de voo): Água mineral, Chá ou Sumos naturais são as bebidas mais indicadas já que alem de hidratar repõem os sais minerais do organismo. As bebidas alcoólicas são vasodilatadoras (provocam a dilatação dos vasos sanguíneos) e representam mais um factor promotor na formação de trombos.

 

- Levantar-se com frequência (no mínimo uma vez por hora) e, se possível, andar um pouco nos corredores do avião. Quando estiver sentado evite cruzar as pernas.

 

-Usar roupa confortável. - Meias de contenção elásticas podem evitar uma vasodilatação venosa e reduzir assim o perigo da formação de trombos.

 

- Grupos de risco: doentes com patologia venosa ou cardíaca, além dos idosos e grávidas, deverão procurar aconselhamento médico antes de iniciarem um voo de longo curso.

 

O risco de trombose não termina com a viagem mas prolonga-se até 5 dias após a chegada e poderá, por indicação médica, ser reduzido através da ingestão medicamentosa. Não podemos esquecer que fumar, a obesidade e a anti-concepção oral representam factores de risco adicionais. - Exercícios físicos simples tais como: *tirando os sapatos, contrair e relaxar os dedos dos pés; *sentado colocar um livro ou uma almofada entre os joelhos e tentar aproximar as coxas ; *colocar-se em “bicos-de-pés” (repetir 10 a 20 vezes) e; *massajar as pernas de vez em quando. Portanto, não esqueça de seguir estes conselhos da próxima vez que viajar de avião.

Artigo de:

David Ferreira adaptado de Verreisen - 19-Jan-2001



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