Retinopatia diabética

Artigo de:

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 10-Mar-2009

  |  Partilhar:

O que é?

Retinopatia diabética significa doença da retina causada pela diabetes (excesso de glicose no sangue). A retina é a parte mais nobre do olho humano, localiza-se na parte posterior do globo ocular e pode ser visualizada directamente através da pupila (parte preta central do olho rodeada pela íris), com aparelhos próprios. A retina contém uma rede de pequenos vasos que irrigam esta estrutura especializada da visão. São estes pequenos vasos as principais estruturas afectadas pela diabetes. Existem 2 tipos de retinopatia diabética:

 

Retinopatia não proliferativa – As alterações causadas pela elevação crónica da glicemia fazem com que os capilares fiquem com a sua parede mais frágil (microaneurismas), mais permeáveis, ocorrendo hemorragias e saída de substâncias que compõem o sangue, ficando a retina com edema. Este edema leva ao aumento da espessura da retina e à acumulação de proteínas e gordura – exsudados. Os vasos também podem sofrer oclusão, impedindo o transporte de sangue a certas células da retina, provocando isquemia.

 

Retinopatia proliferativa – Desenvolve-se quando a área da retina isquémica tem uma extensão crítica, levando à formação de novos vasos (neovasos) para tentar fornecer sangue à área afectada. No entanto, estes neovasos não se comportam como vasos normais, são mais frágeis, permeáveis e ineficazes na compensação da isquemia retiniana. Esta fragilidade leva a hemorragias para a cavidade vítrea e, por vezes, a descolamentos da retina, comprometendo gravemente a visão.

 

Factores de risco

A diabetes é a principal causa de cegueira nos países ocidentais.
 

A presença de retinopatia diabética e a sua gravidade dependem do tempo de duração da diabetes e do controlo da glicemia conseguido ao longo da evolução da doença. Apesar desta doença da retina estar presente em 90 % dos diabéticos tipo 1 com 20 anos de evolução e em 60% dos diabéticos tipo 2, a sua forma mais grave (retinopatia proliferativa) pode ser evitada com o controlo apertado dos níveis da glicose e da tensão arterial, seguindo os conselhos do seu endocrinologista, e com observações regulares anuais no seu oftalmologista, a partir dos 5 anos de diagnóstico da diabetes tipo 1 e desde a data do diagnóstico da diabetes tipo 2.

 

Sinais e sintomas

Inicialmente, e durante muitos anos, não há sintomas. Não se deve esperar pelo aparecimento dos sintomas para recorrer ao oftalmologista. Quanto mais precoce for a detecção da retinopatia diabética, maior será a eficácia dos tratamentos que se instituírem.
 

Os sintomas diferem, dependendo do estado evolutivo da diabetes e da retinopatia. Alguns sintomas são a visão desfocada ou turva, moscas volantes, relâmpagos ou perda súbita de visão.

 

Diagnóstico

Para o diagnóstico é muito importante o exame regular anual do fundo ocular através do oftalmoscópio e/ou realização de uma fotografia retiniana (retinografia). Para uma boa observação da retina, a pupila deverá ser dilatada, recorrendo-se à utilização de gotas oftálmicas algum tempo antes da observação. A dilatação da pupila irá deixá-lo, transitoriamente, com a visão turva e com dificuldade em ler durante cerca de 2 horas.
 

Também existe um exame muito importante – a angiografia fluorosceínica, que consiste na observação dos vasos da retina através de uma sequência fotográfica rápida, após uma injecção na veia do braço de um produto de contraste (fluorosceína). Este exame identifica facilmente os microaneurismas e mostra os locais em que a fluorosceína extravasa para fora da rede vascular, identificando-se, assim, as alterações dos vasos.

 

Tratamentos

A detecção precoce da retinopatia diabética constitui a melhor protecção contra a perda da visão. A prevenção é a melhor arma terapêutica disponível, através do controlo rigoroso da glicemia, tensão arterial, lípidos e abstenção do tabaco.
 

Quando há lesões estabelecidas, a fotocoagulação é uma técnica que utiliza o laser para destruir os tecidos isquémicos na periferia da retina, elimina neovasos e diminui o edema na parte central mais nobre da retina – a mácula.
 

Quando surgem complicações da retinopatia proliferativa, não resolvidas com a fotocoagulação, como a hemorragia do vítreo ou o descolamento da retina, a cirurgia ocular (vitrectomia) consegue muitas vezes evitar a cegueira.
 

Artigo de:

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 10-Mar-2009



Partilhar: