Psoríase

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 27-Abr-2001

  |  Partilhar:

Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 27-Jul-2009

O que é?

Trata-se de uma dermatose eritemato-descamativa que evolui de forma crónica, com surtos de intensidade variável intercalados por períodos de remissão mais ou menos longos.

 

Qual a sua frequência?

A doença atinge cerca de 3% da população de raça caucasiana, iniciando-se, em regra, na transição da adolescência para a idade adulta (16-24 anos). Pode ocorrer também em idades mais avançadas, sobretudo na faixa dos 57 aos 60 anos. Durante a adolescência as mulheres são atingidas em maior proporção, enquanto que, nos adultos, ambos os sexos são igualmente atingidos.

 

Quais são as causas?

Existe predisposição genética para adquirir psoríase, provavelmente multifactorial e poligénica, embora também se postule um modelo de transmissão autossómico dominante dependente de um único gene, localizado no cromossoma 6. Os factores agravantes incluem os traumatismos acidentais ou cirúrgicos, as amigdalites estreptocócicas e factores endócrinos, que se traduzem num agravamento da doença na puberdade, pós-parto e menopausa, verificando-se pelo contrário uma melhoria em cerca de 40% das grávidas. O stress emocional, abuso do álcool e alguns medicamentos, sobretudo os b-bloqueantes e alguns anti-inflamatórios não esteróides, podem também condicionar um agravamento das manifestações clínicas da doença. A psoríase pode agravar-se em doentes submetidos a diálise ou com baixos níveis séricos de cálcio.

 

Como se pode prevenir?

A profilaxia em sentido global é difícil de establecer. A aplicação frequente de emolientes (cremes ou pomadas) para corrigir a desidratação, tem utilidade na prevenção, sendo simultâneamente um importante adjuvante das terapêuticas que se instituem. É conveniente evitar os traumatismos físicos, tratar as doenças infecciosas e controlar os níveis de ansiedade. De referir que, embora a exposição solar seja benéfica, necessita ser implementada de modo progressivo e com supervisão clínica.

 

Como se manifesta?

A lesão psoriásica fundamental é uma mancha eritematosa e descamativa circular, cujas escamas são espessas e pouco aderentes, comparáveis a fragmentos de cera. Observa-se um predomínio na localização aos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombossagrada, poupando geralmente a face, podendo no entanto generalizar-se nos casos mais graves. Mais raramente, a doença pode apresentar outros padrões, nomeadamente a psoríase pustulosa, em que as lesões têm carácter pustuloso, podendo ser localizadas – mãos e pés - ou generalizadas, a psoríase eritrodérmica, caracterizada por eritema e descamação generalizados e a psoríase artropática, caracterizada pelo atingimento das pequenas articulações das mãos e sacroilíacas, conduzindo a anquilose e marcada incapacidade funcional. O atingimento das unhas é muito característico (25-50% dos casos), caracterizando-se por múltiplas depressões na superfície das unhas, semelhantes a “picadas de alfinete.” As lesões de psoríase são geralmente assintomáticas, embora nalguns doentes o prurido seja acentuado.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico assenta essencialmente na observação clínica das lesões e sua distribuição pela superfície cutânea, podendo recorrer-se, em determinados casos, ao exame histopatológico após biópsia cutânea.

 

Qual o tratamento?

O tratamento deverá ser personalizado em função da intensidade e extensão das lesões, da idade do doente e dos recursos disponíveis. Nas formas estabilizadas de psoríase em placas, o tratamento faz-se mediante a aplicação tópica de corticosteróides, ditranol ou calcipotriol (um análogo da vitamina D). A exposição solar moderada está também indicada, tal como a radiação ultra-violeta artificial, efectuada em cabines adaptadas a esse efeito, realizando-se habitualmente 2 a 3 sessões por semana durante 2-3 meses. Tais tratamentos incluem a radiação ultravioleta B ou A, sendo, neste caso, administrada previamente, por via tópica ou sistémica, uma substância fotossensibilizante potenciadora da acção das radiações, denominada psoraleno. Nas formas generalizadas ou resistentes aos tratamentos convencionais utilizam-se, em complementaridade, fármacos por via sistémica, como o etretinato, que apresenta riscos teratogénicos marcados, a ciclosporina-A e o metotrexato, os quais pela sua toxicidade e risco de efeitos colaterais implicam criteriosa monitorização clínica e laboratorial. Actualmente a terapêutica biológica abre novos horizontes para a melhoria da qualidade de vida de doentes com psoríase grave, extensa e refractária. Consistem em anticorpos monoclonais que actuam em alvos específicos. Em Portugal estão disponíveis 3 anticorpos monoclonais inibidores da acção do TNF (Infliximab, Adalimumab, Etanercept), utilizáveis por via endovenosa (Infliximab) ou subcutânea (Adalimumab e Etanercept), e que estão aprovados para a psoríase e artrite psoriática. O benefício clínico é muito evidente, conseguindo-se remissões livres de doença activa prolongadas.

 

Qual é o prognóstico?

O prognóstico é difícil de estabelecer. É importante assegurar ao doente que a alteração em causa é estritamente cutânea, não relacionada com orgãos internos, tem carácter benigno e que não é contagiosa.

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 27-Abr-2001

Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 27-Jul-2009



Partilhar: