Proteinúria

Artigo de:

Dr. Serafim Guimarães - Nefrologista - 27-Abr-2009

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O que é?

As proteínas que são filtradas no glomérulo são reabsorvidas em quase toda a sua extensão nos túbulos renais, especialmente no túbulo proximal. Ainda assim, é normal a excreção de proteínas pela urina em pequenas quantidades, que podem ir até 150mg nas 24 horas (para os adultos) e 140mg por m2 (para as crianças). O aparecimento de quantidades superiores é patológico, devendo ser investigado. A proteinúria, se superior a 3,5g nas 24horas dá origem à síndrome nefrótica, na qual se associa a hipoalbuminemia, edemas, dislipidemia, lipidúria, elevação da banda alfa2 na electroforese das proteínas e hipercoagulabilidade do sangue.

 

Como é detectada?

A proteinúria é detectada pelo exame sumário da urina, também denominado “urina tipo I”. Este método é altamente sensível à albumina porque a sua molécula liga-se com facilidade à substância cromogénea da fita de análise. As tiras permitem apenas uma quantificação categórica em níveis, para os quais se usa uma escala que vai de 0 a ++++. Para uma quantificação fiável é necessário o doseamento. Como a excreção não é uniforme ao longo dos dias, é clássica a medição em urina de 24 horas. Porém, dado o elevado grau da falibilidade da colheita, foram desenvolvidos métodos simplificados, dos quais se destaca a relação entre as proteínas e a creatinina (relação P/C) numa amostra de urina fresca, cujo valor numérico tem correlação com a proteinúria nas 24 horas. Ainda assim, dado que a excreção de proteínas varia ao longo das 24 horas (maior de dia, menor à noite), enquanto a de creatinina é sensivelmente constante, aconselha-se que este quociente P/C seja calculado a partir de valores medidos numa amostra colhida de manhã, para os quais está validada.

 

Diagnósticos

Há quatro grandes grupos de proteinúria: glomerular, tubular, de excesso e benigna.
 

A proteinúria glomerular deve-se a uma permeabilidade anormal da membrana glomerular. A barreira glomerular tem duas características: é dependente do tamanho e da carga eléctrica. A molécula de albumina, por exemplo, com o seu peso molecular de 69000 d, tem um tamanho que lhe permitiria ultrapassar a barreira, mas isso não acontece em condições normais devido ao facto de quer a barreira quer a molécula de albumina em solução serem ambas de carga eléctrica negativa. Assim, as lesões que podem condicionar proteinúria podem atingir a membrana basal apenas na carga eléctrica, como, por exemplo, na nefropatia de lesões mínimas, ou determinar destruição da membrana, como na amiloidose. A relação entre o clearance da transferrina (peso molecular 88000 d) e o da IgG (peso molecular 166000 d) determina o índice de selectividade e correlaciona-se com a gravidade do síndrome nefrótico.
 

A proteinúria tubular ocorre em doenças tubulares e intersticiais e resulta de uma deficiente reabsorção das proteínas normalmente filtradas. É em geral de pequena quantidade.
 

A proteinúria de excesso (Overflow) é devida ao excesso de produção de proteínas que ultrapassa a capacidade de reabsorção dos túbulos. Estão neste grupo as proteinúrias das disproteinemias, mioglobinúria, lisosima, etc.
 

Finalmente, a proteinúria benigna inclui a proteinúria transitória idiopática, a associada ao exercício físico, a proteinúria ortostática e a que ocorre associada a febre.

Artigo de:

Dr. Serafim Guimarães - Nefrologista - 27-Abr-2009



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