Osteoporose

Artigo de:

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 06-Fev-2009

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O que é?

A osteoporose (OP) é uma doença do esqueleto que se caracteriza por uma perda excessiva de osso, que, por sua vez, conduz a alterações estruturais e a ossos demasiado porosos. Os ossos ficam frágeis e mais susceptíveis a quebrarem-se.  

A osteoporose pode progredir sem sintomas dolorosos até ocorrer uma fractura. As fracturas podem ocorrer na coluna, levando à típica imagem da mulher ou homem curvados para a frente, mas também nas costelas, no punho e na anca. São, aliás, estas últimas as responsáveis pela mortalidade acrescida nesta doença, que a coloca como 12.ª causa de morte nos EUA, onde 1 200 000 fracturas osteoporóticas ocorrem todos os anos.  

 

Factores de risco

A OP é uma doença complexa, cujas causas não são totalmente conhecidas. Sabe-se, contudo, que certos factores estão associados a um maior risco de desenvolvimento dessa doença. De entre esses factores destacam-se:  

- Idade avançada, especialmente nas mulheres;  

- Menopausa precoce (antes dos 45 anos);  

- Deficiência de testosterona no homem;  

- História familiar de fracturas em mulheres idosas;  

- Raça branca ou asiática;  

- Baixa ingestão de cálcio;  

- Baixa estatura ou baixo peso;  

- Consumo excessivo de álcool e/ou café;  

- Tabaco;  

- Uso de certos fármacos, tais como corticóides, anti-epilépticos, hormona tiroideia em excesso, heparina, entre outros;  

- Sedentarismo;  

- Doenças endócrinas, tais como hiperparatiroidismo, hipertiroidismo, síndrome de Cushing;  

- Doenças reumáticas tais como artrite reumatóide, e distúrbios hematológicos como o mieloma múltiplo;  

- Doentes imobilizados numa cama ou cadeira de rodas por tempo prolongado.  

 

Para além da quantidade de osso, também a qualidade do osso é relevante. As quedas, e o risco delas, constituem outro factor adicional de destaque nos idosos. E, por terem menor equilíbrio, reflexos, força muscular e de visão, os idosos podem ainda, com a polimedicação e o uso excessivo de tranquilizantes, ver agravado o seu risco de quedas.  

 

Em casa, onde um terço das fracturas ocorre, deve ser iniciada a prevenção para os pacientes em risco, removendo barreiras e tapetes que escorregam (casas de banho!).  

 

Sinais e sintomas

A osteoporose não produz sintomas num primeiro momento, devido à lenta diminuição da densidade óssea, especialmente entre os afectados pela osteoporose senil.  

Outras pessoas nunca têm sintomas. Dor e deformações aparecem quando a redução da densidade óssea é tão importante que os ossos se esmagam ou fracturam. A dor crónica de costas pode aparecer devido ao esmagamento das vértebras (fracturas por esmagamento vertebral). As vértebras debilitadas podem partir-se de forma espontânea ou em consequência de uma pequena pancada. Em geral, a dor começa de maneira súbita, localiza-se numa zona determinada das costas e piora quando se está de pé ou ao andar. Pode aparecer dor ao tacto e, habitualmente, a dor desaparece de forma gradual ao fim de umas semanas ou meses. No caso de haver fractura de várias vértebras, pode produzir-se uma curvatura anormal da coluna vertebral (corcunda), causando distensão muscular e dor. Este achatamento das vértebras por esmagamento leva a uma redução acentuada da estatura das pessoas.  

Podem-se fracturar outros ossos, com frequência por causa de uma sobrecarga leve ou de uma queda, sendo a fractura da anca uma das mais graves e uma das principais causas de invalidez e perda de autonomia em pessoas de idade avançada. Também é frequente a fractura de um dos ossos do braço (o rádio) no ponto de articulação com o punho (fractura de Colles). Além disso, as fracturas tendem a curar mais lentamente em indivíduos que sofrem de osteoporose.  

 

Diagnóstico

Em caso de fractura, o diagnóstico de osteoporose baseia-se numa combinação de sintomas, exame físico e radiografias dos ossos; podem ser precisos exames complementares para afastar doenças curáveis que possam provocar a osteoporose.  

Antes que se verifique uma fractura, a osteoporose pode ser diagnosticada por meio de exames que medem a densidade dos ossos. O mais preciso destes exames é a absorciometria de raios X de energia dupla (densitometria óssea). Este exame é indolor, não apresenta qualquer risco e tem uma duração de 5 a 15 minutos.  

É útil para as mulheres com elevado risco de osteoporose e para aquelas em quem o diagnóstico é incerto, ou para avaliar com precisão os resultados do tratamento.  

 

Tratamentos

A prevenção da osteoporose é mais eficaz que o seu tratamento e consiste em manter ou aumentar a densidade óssea por meio do consumo de uma quantidade adequada de cálcio, da prática de exercícios nos quais se deve suportar o peso corporal e, em alguns casos, da administração de medicamentos.  

O consumo de uma quantidade adequada de cálcio é eficaz, sobretudo antes de se atingir a máxima densidade óssea (por volta dos 30 anos), mas também depois dessa idade. Beber dois copos de leite por dia (alimento rico em cálcio) e tomar um suplemento de vitamina D ajuda a aumentar a densidade óssea em mulheres saudáveis de meia-idade que não receberam a quantidade suficiente destes nutrientes. Contudo, a maioria das mulheres precisa de tomar comprimidos de cálcio. Existem muitos preparados diferentes; alguns incluem vitamina D suplementar. Recomenda-se tomar cerca de 1,5g de cálcio por dia.  

Os exercícios que implicam suportar o peso corporal, como andar e subir escadas, aumentam a densidade óssea. Pelo contrário, os exercícios como a natação, em que não se suporta o próprio peso, não parecem aumentar a densidade do osso.  

Os estrogénios ajudam a manter a densidade óssea nas mulheres e costumam administrar-se juntamente com progesterona.  

A terapia de substituição de estrogénios é mais eficaz se começar dentro dos primeiros 4 a 6 anos depois da menopausa; contudo, mesmo que se inicie mais tarde, ela pode atrasar a perda óssea e reduzir o risco de fracturas. As decisões acerca do uso da terapêutica de substituição de estrogénios depois da menopausa são complexas, dado que o tratamento pode implicar riscos e efeitos secundários.  

Há um novo medicamento semelhante aos estrogénios (raloxifeno), que, apesar de poder ser menos eficaz que os estrogénios para prevenir a perda óssea, carece dos efeitos secundários característicos destes sobre as mamas e o útero.  

Em contrapartida, os bifosfonatos, como o alendronato, podem ser administrados sós ou em combinação com a terapia de substituição hormonal para prevenir a osteoporose.  

O objectivo do tratamento consiste em aumentar a densidade óssea. Todas as mulheres, sobretudo as que sofrem de osteoporose, deveriam tomar suplementos de cálcio e vitamina D.  

As mulheres pós-menopáusicas que apresentam formas mais graves de osteoporose podem também tomar estrogénios (em geral, combinados com progesterona) ou alendronato, que podem atrasar e, inclusive, deter a progressão da doença.  

Os bifosfonatos também são úteis no tratamento da osteoporose. O alendronato reduz a velocidade de reabsorção óssea nas mulheres pós-menopáusicas, aumentando a massa óssea na coluna vertebral e nas ancas, e reduzindo a incidência de fracturas. Não obstante, para assegurar a correcta absorção do alendronato, este deve ser tomado imediatamente depois de despertar juntamente com um copo de água e não se deve ingerir comida ou bebida durante os 30 minutos seguintes.  

Considerando que o alendronato irrita o revestimento do tracto gastrointestinal superior, a pessoa não deve deitar-se pelo menos durante os 30 minutos seguintes à ingestão da dose e até ingerir algum alimento. As pessoas que têm dificuldade de deglutição ou certas perturbações do esófago ou do estômago não devem tomar este medicamento.  

Existem bifosfonatos no mercado que permitem que a sua administração não necessite de ser diária. O alendronato e o residronato podem ser tomados uma vez por semana, o ibandronato uma vez por mês e o zoledronato uma vez por ano, este último por via intra-venosa.  

Outros medicamentos disponíveis, como o ranelato de estrôncio, actuam diminuindo a reabsorção óssea e, simultaneamente, aumentando a sua formação. Também é um fármaco eficaz no tratamento da osteoporose, sendo tomado diariamente duas horas após o jantar, sob a forma de um pó dispersível em água.  

Está ainda disponível no mercado o teriparatide, um fármaco que estimula a formação óssea, sendo a sua via de administração subcutânea.  

Administram-se suplementos de vitamina D e cálcio aos homens que sofrem de osteoporose, especialmente quando os exames mostram que o seu organismo não absorve as quantidades de cálcio adequadas. Os estrogénios não são eficazes nos homens, mas a testosterona é-o, no caso de o valor desta se manter baixo.  

Devem tratar-se as fracturas que aparecem como resultado da osteoporose. Em geral, no caso das fracturas da anca, substitui-se toda a anca ou uma parte dela. Um pulso fracturado é engessado ou corrigido cirurgicamente. Quando as vértebras se partem e causam uma dor de costas intensa, usam-se coletes ortopédicos, analgésicos e fisioterapia; contudo, a dor persiste durante muito tempo.  

 

Artigo de:

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 06-Fev-2009



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