Olho vermelho na criança

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 27-Abr-2001

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Revisto por:

Dr. José Matos - Pediatra - 19-Jun-2009

O que é? 

A causa mais frequente de olho vermelho na criança é a conjuntivite viral, habitualmente devida a um adenovírus.
 

As alterações mais frequentes quando estamos perante uma criança com o(s) olho(s) vermelho(s) são as inflamações da conjuntiva ou conjuntivites e as inflamações da córnea (queratites), para além de infecções associadas a obstrução congénita do canal nasolacrimal (dacriocistites) frequentes no recém-nascido. No entanto, a história da doença e a idade de aparecimento são importantes para o diagnóstico.

 

Factores de risco 

A história da doença, a forma de aparecimento, o agente implicado e a idade constituem os principais factores de risco do olho vermelho na criança.

 

Sinais e sintomas

Sintomas como dor, fotofobia (desconforto com a presença de luz), sensação de picadelas, lacrimejo e secreções oculares são queixas muitas vezes associadas ao olho vermelho. A dor é uma sensação muito subjectiva. No entanto, quando uma criança se queixa de dor ocular as três causas mais prováveis são a presença de um corpo estranho, uma contusão directa (traumatismo) ou uma úlcera da córnea, sendo esta a estrutura do olho que provoca dor quando está alterada.

 

Diagnósticos

O aparecimento de forma aguda ou sub-aguda do olho vermelho na criança, acompanhado com secreção aquosa ou mucóide, edema ocular e dor variável, são elementos importantes para o diagnóstico.

 

Tratamento

Não há tratamento específico, sendo aconselhada a lavagem do olho com lágrimas artificiais ou soro fisiológico. Deve evitar-se o contacto com outras crianças para não aumentar a propagação.

 

A conjuntivite bacteriana, ou purulenta aguda, é o resultado de uma infecção por bactérias, sendo o Haemophilus influenzae e o Pneumococos os agentes mais vezes implicados. Para além do olho se apresentar vermelho, há secreções purulentas (semelhantes a remela) e desconforto ocular de intensidade variável. Muitas vezes só está atingido um olho mas o outro é afectado com facilidade, pois o contágio é muito simples. O tratamento baseia-se na lavagem ocular com soro e aplicação de colírios ou pomadas com antibiótico, devendo ser evitados os tratamentos com corticóides.

 

A obstrução congénita do canal nasolacrimal é dos problemas oculares mais frequentes em recém-nascidos, sendo, na maioria dos casos, de resolução espontânea. A inflamação aguda e infecção do saco lacrimal (dacriocistite) é uma complicação habitual, com produção de lacrimejo e secreções mucopurulentas. O tratamento, para além da massagem do saco nasolacrimal (canto interno do olho) e da respectiva lavagem com soro fisiológico ou água morna, depende da gravidade dos sintomas e da idade da criança. Se o tratamento conservador não resolver o problema nos primeiros meses de vida, torna-se necessário realizar uma sondagem (dilatação cirúrgica) do canal.

 

A conjuntivite em recém-nascidos é uma alteração importante em bebés com menos de 4 semanas devido às consequências oculares e gerais que pode ter. Os agentes mais vezes implicados são: Gonococo, Chlamydia, vírus (herpes simples) e reacção alérgica medicamentosa. É necessário um rápido reconhecimento da conjuntivite neonatal como forma de diagnóstico, a fim de proporcionar um tratamento adequado.
 

 Os quadros de conjuntivite alérgica também são uma causa de olhos vermelhos, são frequentemente sazonais e costumam acompanhar-se de comichão, secreção aquosa ficando também, por vezes, as pálpebras inflamadas. O tratamento baseia-se na lavagem dos olhos com soro fisiológico, compressas frias e anti-histamínicos locais, sendo por vezes necessário também por via sistémica.

 

Outras afecções oculares e intra-oculares podem levar a uma inflamação secundária da conjuntiva e, assim, ao aparecimento do olho vermelho na criança.

 

A observação por um oftalmologista é, na maioria dos casos, importante para orientação do tratamento.

 

NÃO AUTOMEDIQUE O SEU FILHO
 

RECORRA AO SEU MÉDICO ASSISTENTE

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 27-Abr-2001

Revisto por:

Dr. José Matos - Pediatra - 19-Jun-2009



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