Melanoma: detecção precoce de melanomas

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 24-Oct-2001

  |  Partilhar:

De um ponto de vista teórico, o melanoma é um tumor que se presta a um programa de rastreio, já que tem uma fase de crescimento radial, não invasivo, que pode durar anos e que pode ser detectada clínicamente, com facilidade, através de um programa de observação periódica da pele. Esta fase radial de crescimento horizontal, não invasivo, não tem o potencial de desenvolver lesões a distância (metástases) que são características de estádios mais avançados, potencialmente incuráveis, da doença.

 

Estudos demonstram que o rastreio e remoção precoce de lesões pigmentadas (nevos ou "sinais cutâneos") atípicas está associada à ausência ou incidência muito baixa de melanomas invasivos. Um factor importante na sobrevivência de doentes com melanoma é a espessura em profundidade do tumor. Análises estatísticas de regressão demonstram que a espessura de um melanoma é o mais poderoso factor prognóstico para melanomas invasivos que não têm metástases nos gânglios linfáticos (estados I e II).

 

Há uma correlação marcada entre a espessura de um melanoma e a sobrevivência do doente. Um bom programa de rastreio permite, pois, detectar melanomas muito superficiais, e tem, portanto, um impacto positivo na sobrevivência dos doentes. Muitos dos programas de rastreio em países como os Estados Unidos, por exemplo, são desenvolvidos por organizações de voluntários e publicitadas pelos meios de comunicação social (imprensa, internet, TV). Estes programas são, em regra, conduzidos em hospitais comunitários, consultórios médicos, locais de trabalho, centros comerciais, geralmente debaixo dos auspícios de organizações médicas, como as sociedades de Oncologia e Dermatologia.

 

Dermatologistas voluntários fornecem materiais educativos e inspecções visuais da pele em sessões especiais abertas ao público. Para obter máximos resultados, educação e rastreio são, em regra, oferecidos conjuntamente. Estes programas examinam a pele não só para despistar melanomas mas, também, outros tumores da pele (carcinomas de células basais, carcinoma de células escamosas) e lesões précancerosas (keratoses actínicas, nevos atípicos/displásticos ). Participantes com lesões suspeitas são aconselhados a visitar um dermatologista/médico de família para confirmar o diagnóstico e iniciar a terapêutica indicada.

 

Há melanomas que não são pigmentados, e, portanto, não têm as típicas cores castanha, azul escura ou negra. São os chamados melanomas amelanóticos. São responsáveis por 1% a 2% dos casos de melanoma, e podem diminuir um pouco, do ponto de vista estatístico, a sensibilidade do exame da pele. Uma fracção de melanomas que, em algumas séries, pode ir até 60%, não são precedidos de lesões hiperpigmentadas benignas (nevos ou "sinais cutâneios"). Em alguns casos, a fase de crescimento horizontal, não-invasivo, pode ser muito curta para ser detectada nos intervalos das observações. Finalmente, as alterações precoces dos melanomas superficiais podem, às vezes, ser demasiado subtis para serem clinicamente aparentes.

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 24-Oct-2001



Partilhar: