Infecções respiratórias agudas

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 27-Abr-2001

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Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 30-Jul-2009

O que são?

As infecções respiratórias nas crianças são quadros comuns. Habitualmente correspondem a infecção por vírus ou bactérias de qualquer área das vias respiratórias, desde a área nasal e oral até ao pulmão (rinite, otite, faringite, adenoidite, amigdalite, laringite, traqueobronquite, bronquiolite, pneumonia). São as infecções mais comuns das crianças, sendo muito frequentes vários surtos anuais por criança, com uma tendência natural a diminuir com a idade, o que está de acordo com a maturação do sistema imune.

 

Factores de risco e causas?

Estão implicados vários factores que podem ser divididos em características pessoais e ambientais.
 

Características pessoais:
- Idade (quanto mais novos mais infecções)
- Atopia (tendência às alergias)
- Imunodeficiências primárias – De pensar, quando há infecções bacterianas graves e frequentes.
 

Características ambientais:
- Exposição frequente a poluentes (tabaco, lugares fechados…)
- Colocação precoce em infantários
- Bons cuidados maternos (inclui amamentação)

 

Quais são as manifestações clínicas?

Em idades precoces, em que o bebé não se queixa, as únicas manifestações podem ser choro, irritação e perda de apetite. Com a excepção da pieira, que indica uma bronquiolite, ou asma (a partir dos três anos), a maioria dos diagnósticos é feita pela avaliação sistematizada dos ouvidos, nariz, garganta e auscultação, complementadas com exames, quando necessário (raramente). Em crianças com idade para se queixarem, as manifestações clínicas, como, por exemplo, uma dor de ouvido ou de garganta, ranho purulento, pieira ou dor torácica orientam rapidamente para um diagnóstico.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico, como exposto anteriormente. Na maioria das vezes, a história colhida com os pais ou com o bebé e um exame físico orientado é suficiente, sem que haja recurso a análises clínicas ou exames de imagem, para um diagnóstico correcto e para um tratamento. As análises e os exames de imagem são restritos a quadros pouco claros (quando, por exemplo, não se pode excluir pneumonia), ou a casos graves que necessitam de internamento. Nesses casos, culturas de produtos orgânicos para bactérias e vírus, para além de imagens radiológicas, podem ser importantes na orientação do tratamento.

 

Qual o tratamento?

Os agentes infecciosos mais vezes implicados nas infecções respiratórias são vírus (cerca de 90% dos casos) e os mais frequentes são o rinovírus, o adenovírus, o vírus sincicial respiratório, os parainfluenzae e infuenzae. Por esse motivo, a maioria dos tratamentos são de suporte sintomático. Para os sintomas, temos: anti-histamínicos e gotas nasais para a obstrução nasal, anti-inflamatórios e paracetamol para controlo das dores e da febre e nebulizações com broncodilatadores (por exemplo, ventilan) para o controlo sintomático da falta de ar. Por fim, os antibióticos ficam reservados para as poucas situações em que a infecção bacteriana é suspeita e devem ser sempre prescritos por médicos.

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 27-Abr-2001

Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 30-Jul-2009



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