Hipocoagulação oral

Artigo de:

Dr. Armando Brito de Sá - Médico de família - 16-Out-2009

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O que é?

A hipocoagulação oral é um tratamento que permite, através da administração de medicamentos, diminuir a capacidade de coagulação do sangue. Esta diminuição tem como objectivo reduzir a possibilidade da formação de coágulos na circulação sanguínea (neste caso denominados “trombos”) provocados por um conjunto de doenças do aparelho circulatório. Estes trombos, quando se formam, podem desencadear situações muito graves, nomeadamente acidente vascular cerebral (as vulgares “tromboses”) ou embolia pulmonar.

 

Em que situações se usa?

As doenças que justificam hipocoagulação oral incluem certas perturbações do ritmo cardíaco (a mais comum das quais é a fibrilhação auricular), doenças das válvulas cardíacas, prótese valvular cardíaca mecânica, trombose venosa profunda (muitas vezes associada a varizes dos membros inferiores) doenças genéticas (p. ex. a síndrome de Leyden) e algumas doenças oncológicas.

 

Que medicamentos se usam e como se administra?

A anticoagulação oral, como o nome indica, efectua-se através da ingestão de medicamentos em comprimidos. A substância utilizada habitualmente é a varfarina, um poderoso anticoagulante sintético derivado da cumarina, substância presente em diferentes espécies vegetais.

 

Como se controla a anticoagulação?

Uma anticoagulação eficaz pressupõe a manutenção dos níveis de coagulação entre um nível mínimo e um máximo. Se a coagulação se encontrar abaixo dos níveis mínimos continua a existir risco de trombose – aquilo que, afinal, se pretende evitar; se estiver acima dos níveis máximos existe o risco de hemorragias espontâneas ou como resultado de pequenos traumatismos, o que pode ser igualmente sério. Além disso, diversos factores podem fazer variar o nível de coagulação obtido com a administração da varfarina, pelo que a pessoa a tomar este tipo de medicamento deve controlar periodicamente o nível da coagulação sanguínea. A análise que permite esse controle denomina-se tempo de protrombina e é apresentada através de uma medida standardizada conhecida por INR, sigla da expressão inglesa International Normalized Ratio. O INR é hoje a medida que permite, em qualquer parte do mundo e em qualquer contexto, monitorizar a anticoagulação oral.

 

Inicialmente efectuado apenas em centros hospitalares especializados, o controle da anticoagulação oral é hoje feito comummente em laboratórios na comunidade e em centros de saúde próximos das pessoas. Existem já equipamentos que permitem o controle do INR em casa, podendo eventuais ajustamentos de dose ser acertados à distância com o médico.

 

Durante quanto tempo se mantém a anticoagulação oral?

A anticoagulação oral deve ser mantida enquanto existir a doença que levou à sua introdução. Isto quer dizer que, para muitas pessoas, a necessidade de anticoagulação oral poderá ser para a vida.

 

Em que situações deve ser interrompida a anticoagulação oral?

A anticoagulação oral terá de ser interrompida quando for necessária a realização de intervenções médicas ou cirúrgicas em que exista a possibilidade ou a certeza de sangramento. Nesta situação a anticoagulação oral é substituída durante alguns dias por anticoagulação através de uma classe diferente de medicamentos, os derivados da heparina, cuja administração se efectua por injecção subcutânea. Uma vez efectuado o procedimento potencialmente causador de hemorragia e estabelecida a cicatrização, a pessoa regressa à anticoagulação oral.
 


 

Artigo de:

Dr. Armando Brito de Sá - Médico de família - 16-Out-2009



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