Hipertensão arterial

Artigo de:

Dr. Serafim Guimarães - Nefrologista - 20-Fev-2009

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O que é?

A hipertensão arterial é a elevação crónica da pressão arterial. As últimas orientações estipulam como óptimo o limite superior de 120 mmHg para a PA sistólica e 80 mmHg para a diastólica; considerando hipertensão os valores maiores ou iguais a 140 e 90, respectivamente. É uma doença de elevada prevalência no mundo ocidental, reflectindo uma consequência dos hábitos de vida da sociedade industrializada e a relativa inadaptação genética das populações a esses hábitos de vida. Espera-se que, por volta de 2020, seja a principal causa de morte a nível mundial.

 

Factores de risco

Os factores de risco relacionados com a morbi-mortalidade cardiovascular dividem-se habitualmente em clássicos e novos. Entre os primeiros destacam-se: o consumo de sal, a dislipidemia, o tabagismo, a obesidade abdominal, o sedentarismo, o alcoolismo crónico, alguns medicamentos (corticóides, anti-inflamatórios), a história familiar de doença cardiovascular, a idade, o sexo (maior risco para o sexo masculino até à idade da menopausa, riscos semelhantes, depois dessa idade). Dos novos factores de risco, têm sido destacados a homocisteinemia, os índices inflamatórios (proteína C reactiva), a activação neuro-hormonal, a taquicardia, as alterações da coagulação. Apenas um quinto dos doentes hipertensos não tem um destes factores de risco. O atingimento dos órgãos-alvo é também factor independente de risco para eventos cardiovasculares.

 

Sinais e sintomas

A subida da pressão arterial é, se não houver lesões dos órgãos-alvo, assintomática. As lesões de órgãos-alvo e as suas manifestações clínicas é que vão constituir o quadro clínico da Hipertensão arterial (HTA): a nefropatia pode variar entre microalbuminúria e insuficiência renal, passando por uma fase de proteinúria; a cardiopatia manifesta-se por hipertrofia ventricular esquerda, angor, enfarte agudo do miocárdio ou aneurisma dissecante da aorta. Em casos graves pode haver uma insuficiência cardíaca congestiva por cardiomiopatia dilatada. A neuropatia pode manifestar-se por desde a persistência de cefaleias até sintomas de acidentes vasculares, sejam transitórios ou permanentes, podendo haver morte súbita por hemorragia cerebral. A retinopatia assume particular importância porque é o único local do exame físico do doente onde se podem observar directamente as artérias. As alterações que podem ser observadas são (cruzamentos artério-venosos, exsudados algodonosos, hemorragia retiniana, edema da papila).

 

Diagnósticos

São essenciais dois passos no workup diagnóstico da hipertensão arterial: o despiste de hipertensão secundária, a avaliação da repercussão em órgãos-alvo e a estratificação do risco cardiovascular. A importância da primeira questão prende-se com o facto de haver causas de HTA que são passíveis de correcção. São elas: doença renal, HTA renovascular, aldosteronismo primário, relacionado com a gravidez, com medicamentos, feocromocitoma. Todas juntas, somam 5% dos casos de HTA. Na maioria dos doentes não há uma causa identificada para a HTA: trata-se da hipertensão arterial denominada essencial, cujo tratamento passa pelo controlo dos factores de risco e pela descida dos valores da pressão arterial. Em relação ao atingimento dos órgãos-alvo, destaca-se a importância da retinopatia, nefropatia, cardiopatia e neuropatia. A gravidade e a extensão das lesões dependem da magnitude dos valores tensionais e do tempo de exposição a esses valores. Tem também muita importância a estratificação do risco. O número de factores de risco associados cruza-se com os valores médios da pressão arterial, resultando num aumento diferenciado do risco de ocorrência de eventos cardiovasculares. A presença de lesão de órgãos-alvo é, só por si, factor de aumento desse risco.

 

Tratamentos

O tratamento da hipertensão secundária consiste em tratar a causa que a provocou: cirurgia no caso do adenoma da supra-renal, feocromocitoma; suspender fármacos, se se relaciona com eles; correcção das anomalias vasculares (estenose da artéria renal ou coartação da aorta). O tratamento da hipertensão essencial tem duas vertentes: o tratamento não médico e o tratamento farmacológico. Em relação ao primeiro, destaca-se a necessidade de combater o sedentarismo, parar de fumar, moderar o consumo de álcool, evitar a ingestão de sal, reduzir o excesso de peso, não ingerir gorduras saturadas. No que diz respeito ao tratamento farmacológico, podem ser necessários antiagregantes plaquetários (AAS ou Clopidogrel), hipolipemiantes (com destaque para as estatinas). Quanto aos fármacos anti-hipertensores, estes dividem-se em 5 famílias: fármacos do sistema adrenérgico, bloqueadores dos canais de cálcio, diuréticos, fármacos do sistema renina-angiotensina e vasodilatadores directos. Pode ser necessário associar fármacos em situações resistentes.

Artigo de:

Dr. Serafim Guimarães - Nefrologista - 20-Fev-2009



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