Eczema seborreico

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 30-Abr-2001

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O que é?

Trata-se de uma dermatite crónica que atinge especialmente as regiões da pele ricas em glândulas sebáceas, sobretudo o couro cabeludo, face e tórax superior.

 

Quem é mais atingido?

A prevalência nos adultos é de 1 a 3%, iniciando-se em geral na transição da adolescência para a idade adulta. Por vezes manifesta-se no lactente e na criança, com carácter auto-limitado e transitório.

 

Quais são as causas?

A causa desta afecção permanece controversa, podendo contudo estar implicados quer um aumento da secreção sebácea, ou “estado seborreico”, quer alterações qualitativas na composição do sebo na superfície cutânea. A infecção pelo fungo P. Ovale, parece assumir também papel etiopatogénico relevante nesta entidade. Pode associar-se com alguma frequência a síndromes neurológicos – doença de Parkinson, epilepsia – e sobretudo à SIDA, da qual representa um dos “marcadores” clínicos mais fiáveis, estando presente em cerca de 50% dos doentes.

 

Como prevenir?

Não existe prevenção específica para o eczema seborreico, embora tenham sido referidos em literatura científica mais recente, os benefícios da administração oral prolongada de itraconazol, um antifúngico activo contra o P. ovale.

 

Como se manifesta?

A doença caracteriza-se por lesões eritemato-descamativas de escamas brancas ou amarelas untuosas, de configuração circular, por vezes difícil de estabelecer, pouco ou não pruriginosas.

 

Distinguiremos duas formas clínicas essenciais, com diferente expressão segundo o escalão etário:

 

1- Eczema seborreico infantil, que se inicia pela 2ª-3ª semanas de vida, prolongando-se por 5 a 6 meses, caracterizado pelo atingimento preferencial da região do vertex do couro cabeludo, constituído por escamas espessas brancas ou amarelas, originando a denominada crosta láctea. Por vezes verifica- se o atingimento das regiões frontal, supraciliares e retroauriculares da face, bem como das pregas axilares e inguinais.

 

2- No adulto, a dermite seborreica localiza-se predominantemente no couro cabeludo, originando um quadro particular denominado Pitiriasis capitis, vulgarmente conhecida por “caspa”, na face, incluindo as pálpebras e provocando blefarite, podendo envolver também a região pré-esternal e interescapular.

 

Como evolui a doença?

A evolução da dermite seborreica faz-se geralmente para a cura no lactente e na criança, evoluindo pelo contrário de forma crónica, com exacerbações e remissões nos adultos. Os surtos de agravamento dependem de diversos factores, hormonais – a menstruação e gravidez cursam com agravamento -, nutricionais – abuso do álcool -, o stress emocional e as infecções cutâneas estreptocócicas ou por fungos do género Candida.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da dermite seborreica é, em regra, acessível. Nas formas generalizadas pode levantar problemas de diagnóstico diferencial com a psoríase, sobretudo nas formas eritrodérmicas e no lactente ou na criança com o eczema atópico, o qual surge em regra mais tardiamente, apresentando uma evolução topográfica e cronológica suficientemente evocativas para o diagnóstico diferencial.

 

Qual o tratamento?

O tratamento da dermite seborreica será establecido de acordo com a idade do doente e com a intensidade e extensão das manifestações clínicas. Nas formas discretas são em regra suficientes as lavagens, associadas à aplicação de loções, solutos ou champôs contendo cetoconazol, piroctonolamina, ácido salicílico e redutores como o coaltar purificado. Nas formas intermédias, além dos produtos anteriores, é por vezes necessária a aplicação de corticosteróides isolados de potência intermédia ou em associação com anti-micóticos, por períodos curtos de 5 a 8 dias. Nas formas graves e disseminadas está indicada a administração sistémica de corticosteróides ou derivados do imidazol (itraconazol) até ao controlo dos fenómenos agudos. A radiação ultra-violeta está também indicada, quer através da exposição solar, quer em cabines emitindo luz artificial apropriadas para o efeito.

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 30-Abr-2001



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