Disfunção eréctil

Artigo de:

Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 26-Mai-2009

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O que é?

A disfunção eréctil (DE), por vezes conhecida como “impotência”, é definida como a incapacidade repetida de conseguir ou manter uma erecção suficiente para um desempenho sexual satisfatório. O termo “impotência” é, por vezes, erradamente utilizado para referir outros problemas relacionados com a relação sexual ou com a reprodução, como a diminuição do desejo sexual (libido) e problemas relacionados com a ejaculação, com o orgasmo ou com a fertilidade.
 

A amplitude da definição da DE (que vai desde a incapacidade de conseguir uma erecção até à erecção por um período de tempo demasiado curto) aliada à reserva dos doentes em se queixarem espontaneamente deste sintoma tornam a estimativa da sua prevalência muito difícil. A DE afecta cerca de 150 milhões de homens em todo o mundo (Fonte: Decision Resources, 1999) e cerca de 500 mil homens em Portugal (Fonte: Sociedade Portuguesa de Andrologia, 2004).
 

Apesar de a incidência aumentar com a idade (5% aos 40 anos, 15-25% aos 65 anos), a DE não é um processo inevitável do envelhecimento, justificando-se a consulta do médico quando surge este problema.

 

Causas

A erecção é o culminar de uma sequência complexa de factores sensoriais, hormonais, nervosos e vasculares. Assim, qualquer processo que perturbe a integridade de um destes componentes pode causar DE, como acontece no caso da diabetes mellitus, da insuficiência renal ou hepática, da esclerose múltipla e de doenças vasculares e neurológicas.
 

Situações que cursam com baixos níveis de testosterona (hormona masculina) ou níveis hormonais anormais de hormona tiroideia ou prolactina podem ser responsáveis pela DE.
 

Cirurgias pélvicas radicais efectuadas à próstata ou à bexiga, geralmente por cancro, podem lesar os nervos ou as artérias próximas do pénis, causando DE.
 

Existem também estilos de vida que podem contribuir para a DE, como o consumo de tabaco, álcool ou drogas de abuso. A obesidade e o sedentarismo também podem contribuir, por vários mecanismos, para o aparecimento ou agravamento deste problema.
 

Uma das causas mais frequentes de DE está relacionada com os efeitos laterais de certos medicamentos. São exemplo disso alguns tipos de medicamentos utilizados para baixar a tensão arterial ou o colesterol, combater alergias (anti-histamínicos), os tranquilizantes, certos antidepressivos e inibidores do apetite.
 

Cerca de 10-20% dos casos de DE são devidos a factores psicológicos, como o stress, ansiedade, sensação de culpa, depressão, baixa auto-estima e medo de falhar.

 

 

Sinais e sintomas

Os sinais e sintomas que acompanham a DE são importantes para diferenciar a causa da DE (psicológica ou física). Quando a dificuldade em conseguir obter ou manter uma erecção se instala rapidamente ou se apresenta de forma intermitente, quando surgem erecções espontâneas nocturnas ou matinais ou quando o doente consegue ter erecções para a masturbação, a causa será seguramente psicológica. Pelo contrário, se a DE se instalou de forma progressiva, se é persistente e não há erecções espontâneas reflexas, é porque a causa é física.
 

Podem-se encontrar sinais clínicos que nos apontem para uma determinada causa, como a existência de doenças sistémicas, grande ansiedade ou alterações no exame neurológico ou na avaliação vascular, como a diminuição da sensibilidade periférica ou a ausência de pulsos palpáveis nos membros inferiores. Defeitos anatómicos do pénis com uma curvatura exagerada, causada por fibrose de parte do corpo do pénis, também nos podem apontar para a causa da DE.
 

A presença de caracteres sexuais secundários anormais, como o padrão de distribuição dos pêlos ou a presença do aumento das glândulas mamárias (ginecomastia), pode apontar para uma causa hormonal.

 

 

Diagnósticos

O diagnóstico é efectuado através da colheita da história do doente. O relato detalhado da sua dificuldade permite distinguir entre DE, diminuição da libido, disfunção da ejaculação ou do orgasmo. Na colheita da história também se pode conseguir identificar rapidamente a causa, se houver a ingestão de medicamentos classicamente associados ao aparecimento da DE.
 

Há vários exames laboratoriais que ajudam a confirmar a existência deste problema, bem como a identificar a sua causa. As análises vulgares de rotina ajudam a diagnosticar ou a avaliar as doenças que contribuem para a DE, e o doseamento da testosterona e prolactina e as análises da função tiroideia podem confirmar ou excluir a presença de um problema hormonal.
 

Em situações pontuais pode-se recorrer à avaliação da rigidez peniana que surge espontaneamente durante o sono (rigidometria) para diferenciar a DE orgânica da psicológica. Contudo, estes testes ainda não estão universalmente validados.
 

Um exame psicossocial, efectuado através de entrevista ou inquérito ao casal por psicólogo vocacionado para esta área, pode revelar factores psicológicos importantes.

 

Tratamentos

Os tratamentos disponíveis para o tratamento da DE deverão progredir dos menos para os mais invasivos. Em alguns casos, bastam algumas modificações do estilo de vida, que conduzam à abstenção do tabaco, à redução do excesso de peso e do excesso de consumo de álcool, para restaurar a função eréctil. A substituição de antidepressivos e de fármacos para baixar as tensões e o colesterol por outros igualmente eficazes mas sem o efeito lateral da DE também pode ser a solução para alguns doentes.
 

A psicoterapia, usando técnicas que reduzem a ansiedade associada à relação sexual, recorrendo à ajuda da companheira para que o casal incremente os níveis de intimidade e estimulação, pode não só resolver a DE de natureza psicogénica mas também aliviar a ansiedade inerente a esta condição de causa orgânica.
 

Existem diferentes grupos de medicamentos indicados para o tratamento da disfunção eréctil que podem ser administrados por via oral, injectados directamente no pénis ou inseridos na extremidade distal da uretra.
 

Os comprimidos administrados por via oral  melhoram a resposta eréctil à estimulação sexual, mas não induzem uma erecção automática, como acontece com as injecções no pénis. Os comprimidos devem ser tomados meia a uma hora antes da relação sexual. Estes medicamentos actuam através do aumento da acção do óxido nítrico, uma substância que relaxa os músculos do pénis, permitindo maior entrada de sangue neste órgão. Estes medicamentos têm uma boa eficácia mas não deverão ser tomados mais do que uma vez por dia, nem devem ser usados por doentes que tomem alguns medicamentos para o coração, como nitratos, ou para a próstata, como os alfa-bloqueadores, porque há o risco de causarem baixa rápida da tensão arterial.
 

Em doentes com níveis baixos de testosterona, o tratamento indicado é a injecção intra-muscular mensal ou trimestral desta hormona, ou através de selo de libertação transdérmica. A administração por via oral, além de menos eficaz, pode danificar o fígado.
 

As injecções intrapenianas, conseguem uma erecção rápida e firme, mas têm como desvantagens o desconforto da via de administração e a possibilidade de desenvolver uma erecção persistente (priapismo) ou uma curvatura exagerada do pénis, induzida pelas cicatrizes das picadas.
 

Existem ainda aparelhos de vácuo que causam uma erecção através da criação de uma pressão negativa dentro do cilindro de plástico onde se insere o pénis, fazendo com que haja entrada de sangue neste órgão, com ingurgitação e expansão.
 

A cirurgia está reservada para situações muito pontuais e obedece a 3 objectivos:
 

- Colocação de um aparelho rígido ou hidráulico dentro do pénis (prótese) para o tornar erecto. Estas próteses restauram a função sexual em muitos doentes com DE orgânica. Os problemas que lhe podem estar associados são as infecções e a falência mecânica da prótese.
 

- Reconstruir artérias para permitir maior afluxo de sangue ao pénis.
 

- Bloquear parcialmente o fluxo sanguíneo das veias penianas responsáveis pela fuga precoce do sangue para fora do pénis, levando à detumescência precoce do mesmo.
 

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Dr. Jorge Dores - Endocrinologista - 26-Mai-2009



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