Demência de Alzheimer

Artigo de:

Dr. Pedro Silva Carvalho - Psiquiatra - 25-Fev-2009

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O que é ?

É uma doença degenerativa do cérebro, em que as células (neurónios) se deterioram de forma lenta e progressiva, originando uma atrofia do cérebro.  

Esta demência foi descrita em 1906 pelo psiquiatra e neuropatologista alemão Alois Alzheimer.  

Ocorre uma deterioração global, progressiva e espontaneamente irreversível das funções intelectuais.  

Envolve funções predominantemente corticais que incluem prejuízos na memória, linguagem, julgamento, cognição e habilidades motoras visuo-espaciais e perceptivas.  

É a causa mais comum do declínio intelectual relacionado com o envelhecimento.  

 

Factores de risco

A causa é desconhecida. Acredita-se que existam vários factores envolvidos na doença, mas não há ainda nada comprovado.  

São eles:  

-Toxinas ambientais  

-Idade (irá ocorrer em 1% da população com mais de 65 anos e duplicará de valor de 5 em 5 anos)  

-Factores neuroquímicos incluem a falta de substâncias utilizadas pelas células nervosas para transmitir os impulsos nervosos (neurotransmissores), como a acetilcolina, a somatostatina, a substância P e outros…  

-Baixo nível educacional/ocupacional  

-Traumatismo craniano prévio  

-Doença cerebrovascular  

-Antecedentes familiares de Demência Alzheimer - em algumas famílias (5 a 10% dos casos) há uma predisposição hereditária para o desenvolvimento do distúrbio que, no entanto, não segue estritamente os padrões mendelianos de hereditariedade. Nalgumas famílias, a presença do gene que produz uma substância chamada apolipoproteína E4, apesar de não ser tida como a causa, aumenta a probabilidade de ocorrência da doença.  

 

Sinais e sintomas

 

Tento discriminar estes sinais e sintomas em relação ao estádio de evolução da doença no tempo, e de como serão afectadas as diferentes funções cerebrais e comportamentais  

 

Estádio inicial  

Memória perdas memória recente  

Linguagem afasia ligeira (dificuldade de encontrar palavras)  

Orientação procura o familiar, evita o não familiar  

Motor alguma dificuldade em escrever, usar objectos  

Humor/comportamento depressão /apatia  

Avd (actividades de vida diária) precisa de ser recordado  

 

Estádio moderado  

Memória perda mais acentuada de memória recente  

Linguagem afasia moderada  

Orientação perde-se  

Motor acções repetitivas, apraxia  

Humor/comportamento alterações variáveis  

Avd precisa de ser recordado e ajudado  

 

Estádio severo  

Memória confunde passado e presente  

Linguagem afasia expressiva e receptiva  

Orientação não reconhece lugares familiares  

Motor bradicinésia , risco de quedas  

Humor/comportamento alterações variáveis  

Avd precisa de ser recordado e ajudado em todas as avd  

 

Diagnósticos

Em geral, o diagnóstico é feito descartando-se outras possíveis causas de demência.  

Na demência de Alzheimer :  

Vamos ter o desenvolvimento de um défice cognitivo múltiplo caracterizado por:  

1. Deterioração da memória - incapacidade de aprender nova informação ou de recordar uma previamente aprendida, e:  

2. Um ou mais dos seguintes distúrbios cognitivos:  

a) Afasia (linguagem)  

b) Apraxia (actividades motoras)  

c) Agnosia (percepção visual)  

d) Alteração de funções superiores, como seja conteúdo do pensamento, abstracção, cálculo, juízo...  

Os sintomas anteriores vão provocar uma deterioração significativa das relações sociais e/ou laborais e representam uma mudança importante do nível funcional anterior na pessoa atingida por esta doença.  

É importante perceber que a deterioração não se explica exclusivamente por um quadro confusional e não se trata de uma outra patologia psiquiátrica.  

 

Para o diagnóstico diferencial, utilizam-se o estudo analítico, electroencefalograma, tomografia axial computorizada cerebral e estudos neuropsicológicos.  

Um teste rápido e utilizado com muita frequência para despiste é o teste de Folstein  

(Mini Mental State) e o teste do relógio.  

 

Tratamentos

As estratégias médicas para combater esta demência baseiam-se:  

-Prevenção da doença  

-Atrasar o seu início  

-Promover uma taxa mais lenta de progressão  

-Tratar os sintomas primários (cognitivos)  

-Tratar os sintomas secundários (comportamentais)  

 

Na prevenção temos:  

-Fármacos Anti-inflamatórios Não-Esteróides  

-Agentes Anti-Oxidantes  

-Estratégias alimentares  

-Estrogénio  

-Medicamentos de acção mista  

-Outros (terapia da reminiscência, treinos de memória, etc.)  

 

Desde 1996 temos um conjunto de fármacos que pretendem o tratamento através de um atraso significativo na progressão da doença. A maioria desses fármacos são inibidores da acetil- colinesterase.  

Após o início da medicação aprovada para o tratamento da Demência de Alzheimer, e que é composta por donepezil, rivastigmina, galantamina e memantina, deve ser feito o seguinte:  

-Revisão aos 3 meses, 6 meses e, depois, de 6 em 6 meses: MMSE / prova de relógio.  

-Revisão da segurança e tolerância (os efeitos laterais mais frequentes são gastro-intestinais: perda de apetite, náuseas, vómitos e diarreia). A descontinuação temporária ou a redução da dose diminui estes efeitos.  

-A eficácia clínica é melhor documentada com entrevista ao cuidador (devendo este ser apoiado nas dúvidas e problemas que enfrente…).  

Não é demais referir que está no cuidador uma das peças-chave no combate a esta doença e, por isso, para o cuidador é também preciso:  

-Educação, treino e consultas  

-Apoio em situações limite  

-Aconselhamento individual e familiar  

-Grupos de suporte  

 

 

Artigo de:

Dr. Pedro Silva Carvalho - Psiquiatra - 25-Fev-2009



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