Criança: algumas alterações digestivas normais na criança

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 01-Mai-2001

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À medida que a criança vai crescendo, os diversos sistemas do seu organismo tornam-se mais maduros, apresentado manifestações diferentes. Relativamente ao aparelho digestivo existe uma série de fenómenos frequentes e normais nos bébés pequenos e que desaparecem com o crescimento.

 

A sucção é uma capacidade do feto presente já às 12 semanas de gestação, no entanto a possibilidade de coordenar a sucção com a deglutição (engolir) e assim poder alimentar-se (ao seio ou por tetina), só existe muito mais tarde, cerca das 34 semanas. Inicialmente o bébé apenas consegue alimentar-se com líquidos (leite), mas a capacidade de ingerir sólidos é habitualmente desenvolvida nos 2 primeiros meses; no entanto, a introdução da alimentação sólida não segue apenas a maturação do processo de deglutição e só deve ser feita após os 4 meses, segundo os conceitos nutricionais. Como engolem muito ar durante a refeição é importante que arrotem, para evitar o incómodo da acumulação de gases. Um assunto, também já abordado anteriormente, é o problema da regurgitação frequente nalgumas crianças nos primeiros meses, traduzindo um refluxo gastroesofágico, muitas vezes fisiológico. Uma barriga saliente é frequente nos bébés, especialmente após refeições volumosas; isto resulta por um lado da fraca musculatura da parede abdominal e por outro do tamanho relativamente grande dos órgãos abdominais e da posição lordótica normal dos bébés (barriga para a frente).

 

A nível da boca, com alguma frequência encontram-se variantes anatómicas normais, como seja por exemplo um freio da língua curto (língua presa). Esta situação preocupa bastante os pais, mas como geralmente não interfere com a alimentação nem com a linguagem raramente é necessária qualquer intervenção. Outra alteração que é apenas uma variante do normal é a chamada língua geográfica, apresentando sulcos que parecem desenhar mapas e que não tem qualquer problema.

 

Durante o primeiro anos de vida e mais tarde na adolescência, as , pois estes são períodos de rápido crescimento e geralmente as crianças comem bem. É frequente, contudo, os pais queixarem-se que os seus filhos de 1 ou 2 anos, ou em idades pré-escolares comem pouco ou fazem refeições muito irregulares, não se alimentando quase nada nalgumas refeições para depois se alimentarem de forma voraz noutras, o que pode ser absolutamente normal.

 

Relativamente ao tipo de fezes, a frequência, consistência e coloração também varia muito, quer no mesmo bebé, quer de uns para os outros. As primeiras dejecções são de um material verde escuro, elástico, chamado mecónio. Durante os dias seguintes, com a introdução da alimentação as fezes tornam-se mais acastanhadas e mais tarde mais amareladas, variando no aspecto e no número com o tipo de leite. Quando o bébé é alimentado ao seio, tem com frequência evacuações de fezes com aspecto de diarreia, sempre que mama, a chamada diarreia dos amamentados. A obstipação é também frequente nos primeiros meses, costumando, no entanto, melhorar com a diversificação alimentar.

Artigo de:

Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 01-Mai-2001



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