Cancro do pulmão

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 03-Mai-2001

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Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 25-Jul-2009

O que é ?

O cancro do pulmão é um cancro que se inicia nos pulmões, os 2 órgãos que se encontram no peito e que garantem a respiração e, consequentemente, a oxigenação dos órgãos. Quando inspiramos ar ele passa pela traqueia e vai para os pulmões, por onde se difunde através de tubos chamados brônquios. A maioria dos tumores pulmonares inicia-se por células com origem nos brônquios.
 

Existem 2 tipos fundamentais de cancro do pulmão: de não pequenas células, o mais frequente, e de pequenas células.

 

Quais são as causas?

O cancro do pulmão é o mais mortal de todos os cancros: todos os anos morrem mais pessoas de cancro do pulmão que de cancro da mama, cólon e próstata combinados. O tabagismo é de longe a sua principal causa e quanto mais cedo se tiver começado a fumar e quantos mais cigarros se fumar por dia maior o risco, não havendo evidência nenhuma de que fumar tabaco “mais suave” diminua esse risco. No entanto, o cancro do pulmão pode ocorrer em jovens, com grande agressividade, e em pessoas que nunca fumaram. Também se encontra provado que o tabagismo passivo aumenta o risco, estimando-se 3.000 novos casos por ano nos Estados Unidos relacionados com o tabagismo passivo.
 

Outros factores de risco: altos níveis de poluição, arsénico na água que bebemos, asbestos, história familiar, radioterapia ou exposição a radiação e exposição a múltiplos químicos voláteis, como derivados do petróleo, entre outros.

 

Sinais e sintomas

A principal causa da grande mortalidade deste tumor é o seu diagnóstico tardio, não havendo nenhum método de rastreio efectivo que tenha demonstrado uma diminuição da mortalidade na população em geral. O motivo é que normalmente o cancro do pulmão dá sintomas muito tarde e em fases avançadas da doença.
 

Os sintomas dependem muito do tipo de cancro. Podem incluir sintomas intra-torácicos quando a doença ainda se limita a estas estruturas e podem corresponder aos seguintes achados: tosse persistente de novo, falta de ar com ou sem pieira, expectoração que muda de características, por vezes com sangue, dor no peito tipo pontada (quando invade a pleura), rouquidão, alteração do tom da voz, entre outros. Também podem incluir sintomas gerais e extra-torácicos quando o tumor invade outros órgãos, como: emagrecimento, fadiga, dores ósseas persistentes intensas e nocturnas, dores de cabeça fortes ou crises convulsivas (metástases cerebrais), gânglios linfáticos do pescoço, do cavado supra-clavicular e das axilas.
 

Se surgirem sintomas pouco específicos, como uma tosse que não passa, deve procurar de imediato o seu médico.

 

Diagnóstico

Para se obter um diagnóstico correcto e precoce é necessário que o doente conheça os sinais de alarme e procure o seu médico. Este vai efectuar uma história cuidadosa, que inclui os factores de risco já referidos, os sintomas mais preocupantes e um exame objectivo completo.

 

Posteriormente, vão ser efectuados exames complementares de diagnóstico, que inicialmente se baseiam em exames de imagem para procurar um tumor e, em caso positivo, para o caracterizar correctamente em tamanho, localização e extensão (doença local ou à distância). Isso pode incluir um Rx pulmonar, TAC pulmonar, Ressonância Magnética nuclear e PET Scan. Após uma primeira caracterização imagiológica, deve-se confirmar por biopsia que é maligno e a que tipo pertence. Para isso, podemos recorrer a biopsias por agulha através do tórax, a biopsia cirúrgica com tórax aberto ou a biopsias guiadas por endoscopia brônquica. Após confirmação da sua malignidade, é necessário estadiar, ou seja, conhecer toda a sua extensão para se planear um tratamento que pode ser curativo ou paliativo. Para isso, temos que se saber se o tumor invadiu estruturas à volta do pulmão ou se disseminou para outros órgãos: cérebro, ossos, supra-renais e as estruturas à volta do coração (mediastino). Para essa caracterização, recorremos ao TAC desses órgãos, ao PET Scan e ao cintilograma ósseo.

 

Tratamentos

As práticas terapêuticas nos cancros do pulmão têm vindo a mudar, tal como os conceitos clássicos de incurabilidade em caso de doença em estádio não cirúrgico. Para isso contribuem esquemas de quimioterapia mais agressivos, com novas moléculas de biotecnologia, e que actuam em alvos específicos das células tumorais.
 

O conceito clássico é que só tumores localizados, com possibilidade de remoção total com cirurgia, seriam curáveis, com 2 excepções: os tumores de pequenas células, em que se deve combinar quimioterapia à cirurgia, pois é sempre considerado doença sistémica, e os pequenos tumores em doentes sem condições cirúrgicas em que a radioterapia pode ser curativa.
 

No entanto, mantém-se como base o paradigma da cirurgia como praticamente a única possibilidade de cura. Sendo assim, um estadiamento correcto, como atrás foi referido, excluindo doença disseminada, pode levar a uma remoção cirúrgica e à possibilidade de cura. Esses doentes têm sobrevidas aos 5 anos de 50-70%.
 

Actualmente, já se contempla a possibilidade de quimioterapia para doença local extensa, de forma a torná-la cirúrgica, e também a possibilidade de remoção de metástases únicas, quimioterapia e, posteriormente, cirurgia do primário.
 

Com todos estes conceitos, é fundamental perceber que o tratamento é desenhado para cada doente, com o apoio de uma consulta de grupo multidisciplinar, que inclua oncologista, cirurgião e radioterapeuta.
Por outro lado, não podemos esquecer que muita da doença diagnosticada se encontra em estádios avançados, pelo que a maioria dos doentes só farão quimioterapia paliativa, razão pela qual devem ser orientados para os melhores cuidados de conforto. Temos de considerar que a sua esperança de vida é reduzida, devendo a sua fase final ser bem planeada, para decorrer com o mínimo de sofrimento.

Artigo de:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 03-Mai-2001

Revisto por:

Dr. António Marinho - Internista - 25-Jul-2009



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