Ataque de pânico

Artigo de:

Dr. Pedro Carvalho - Psiquiatra e Dra. Manuela Araújo-Interna Complementar Pedopsiquiatria-9-Abril-2009

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O que é?

A reacção de pânico é uma reacção normal quando existe uma situação com eminente perigo de morte que favoreça o seu surgimento. Passa a ser identificada como patológica, e, por isso, ganha o título de transtorno do pânico, quando essa mesma reacção acontece sem motivo, espontaneamente.

 

Fundamentalmente, os sintomas de um quadro de Ataque de pânico são: dificuldade respiratória, sensação de morte, vertigens, aumento do ritmo cardíaco, sudação, falta de ar e dor no peito, entre outros. Estes sintomas alcançam a sua intensidade máxima no prazo de 10 minutos e normalmente dissipam-se dentro de poucos minutos, não sendo, por isso, possível ao médico observá-los. Eles provocam nas pessoas uma sensação de mal-estar físico e mental, juntamente com um comportamento de fuga do local onde a pessoa se encontra, seja dirigindo-se para uma ambulância seja procurando ajuda de quem está próximo.
 

 

O medo de sofrer outro ataque, e como estes se produzem frequentemente de modo inesperado ou sem razão aparente, leva muitas vezes as pessoas que os têm a preocuparem-se antecipadamente com a possibilidade de ele ocorrer de novo (originando a ansiedade antecipatória) e a evitar os lugares onde anteriormente sofreram os ataques. Originam-se diferentes quadros fóbicos.
 

 

Como os sintomas de um ataque de pânico implicam muitos órgãos vitais, as pessoas muitas vezes preocupam-se, pensando que sofrem de um problema do coração, dos pulmões ou do cérebro, e procuram a ajuda de algum médico ou dirigem-se a um serviço de urgência, levando com frequência a múltiplos exames e intervenções. Embora os ataques de pânico sejam incómodos (às vezes, de forma extrema), eles não implicam risco de vida.

 

Factores de risco

As causas dos ataques de pânico são desconhecidas.

 

Cerca de 1,5 a 2% das pessoas são afectadas por este transtorno, sendo a incidência do transtorno do pânico aproximadamente duas vezes maior nas mulheres do que nos homens.

 

A idade de início ocorre por volta dos vinte anos, podendo, no entanto, começar durante a infância ou na velhice. A mulher de 30 anos é o grupo em que se observa maior incidência deste transtorno.

 


O distúrbio de pânico pode também coexistir com outras desordens, tais como a depressão e o abuso de substâncias.
 

 

O distúrbio de ansiedade e do pânico têm uma prevalência de ocorrência superior nos parentes em primeiro grau de pacientes afectados, sugerindo uma influência genética. A hiperreactividade do sistema simpático, a tensão muscular aumentada e a hiperventilação são outros dos factores de risco.
 

 

A evidência recente indica que as alterações na bioquímica do cérebro, especialmente na norepinefrina, serotonina e na actividade do ácido gama-aminobutírico, podem também contribuir para o distúrbio de pânico. Pesquisas recentes sugerem que a activação anormal da amígdala está associada com os distúrbios de ansiedade.

 

Sinais e sintomas

A sintomatologia do ataque de pânico centra-se nas alterações de características ansiosas, caracterizadas por um aparecimento súbito de quatro ou mais dos sintomas abaixo descritos:
 

• Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado.
 

• Dificuldade respiratória ou sensação de estar a sufocar.
 

• Sudação.
 

• Dor ou desconforto torácico.
 

• Tremuras ligeiras ou acentuadas.
 

• Vertigens, instabilidade ou desmaio.
 

• Náuseas, dor de estômago ou diarreia.
 

• Sensações de adormecimento ou de formigueiro.
 

• Rubor ou calafrios.
 

• Sensação de irrealidade, estranheza ou separação do meio envolvente.
 

• Medo de morrer.
 

• Medo de «enlouquecer» ou de perder o controlo.

 

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, quer em número, quer em intensidade, quer em duração ao longo do tempo.

 

Diagnósticos

O diagnóstico do transtorno do pânico tem critérios bem definidos, não podendo ser classificado como transtorno do pânico qualquer reacção intensa de medo.
 

 

Os critérios de diagnósticos são:
 

a) Existência de vários ataques no período de semanas ou meses. Quando houve apenas um ataque, é necessária a presença de preocupação significativa com a possibilidade de sofrer novos ataques ou com as consequências do primeiro ataque. Isto é demonstrado pela preocupação com doenças, intenção de ir ao médico e fazer exames, vontade de se informar a respeito de manifestações de doenças.
 

b) De entre vários sintomas, pelo menos quatro dos seguintes devem estar presentes:
 

1- Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável.
 

2- Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés).
 

3- Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo.
 

4- Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar.
 

5- Sensação de desmaio iminente.
 

6- Dor ou desconforto no peito (o que leva muitas pessoas a achar que estão a ter um ataque cardíaco).
 

7- Náusea ou desconforto abdominal.
 

8- Tonturas, sensação de estar com a cabeça leve ou vazia.
 

9- Despersonalização (uma sensação de não ser ela mesma, como se estivesse saindo de dentro do próprio corpo e observando-se a si mesmo) ou desrealização (sensação de que o mundo ou o ambiente em volta estão diferentes, como se fossem um sonho).
 

10- Medo de enlouquecer ou de perder o controlo de si mesmo.
 

11- Medo de morrer.
 

12- Alterações das sensações tácteis, como sensação de dormência ou formigueiro pelo corpo.
 

13- Rubor súbito ou calafrios pelo corpo.
 

c) Há substâncias que podem gerar reacções de pânico, como os estimulantes. Quando o pânico ocorre sob esse efeito, não se pode atribuir este diagnóstico assim como ele também não pode ser atribuído em decorrência de outros estados ansiosos anteriores, como um ataque de pânico secundário a uma exposição forçada de um fóbico social, por exemplo.
 

Os estudos de longo seguimento com duração de uma década mostram que cerca de 10% dos pacientes continuam sintomáticos após esse período, ou seja, continuam a ter ataques de pânico quando as medicações são suspensas.
 

É importante notar que o tratamento não cura o pânico, apenas suprime os sintomas e permite que o paciente tenha uma vida normal. Mas a suspensão do tratamento leva a uma recaída, caso não tenha ocorrido uma remissão espontânea do transtorno. Mesmo quando o tratamento é bem conduzido, não há nenhuma garantia de cura.

 

Tratamentos

O ideal em termos terapêuticos é a combinação de farmacoterapia e terapia cognitivo-comportamental.
 

Em termos de medicamentos, temos os ansióliticos do tipo do alprazolam e, eventualmente, nalguns pacientes poderá ser benéfico o propanolol, que é um bloqueador beta-adrenérgico.
 

E a utilização de antidepressivos, fundamentalmente os inibidores da recaptação de serotonina, entre outros….
 

As medicações são mais rápidas no bloqueio das crises, mas a psicoterapia reforça positivamente em termos futuros.
 

• Se o paciente experimentar um ataque agudo do pânico, convém manter-se próximo dele, porque se ele for deixado sozinho pode tornar-se ainda mais ansioso.
 

• Manter um discurso calmo e seguro, evitar excesso de estímulos.
 

• Falar com frases curtas, simples e lentas, uma de cada vez. Evitar dar explicações longas e fazer demasiadas perguntas.
 

• Aconselhar de modo a que seja regularizada a respiração, de uma forma lenta e eficaz.
 

• Evitar tocar no paciente até que seja estabelecido um nível mínimo de confiança.
 

• Se tiver um ansiolítico próximo, no caso de ataque de pânico, este deve ser dado para evitar o crescendo de sintomas.

 


 

Artigo de:

Dr. Pedro Carvalho - Psiquiatra e Dra. Manuela Araújo-Interna Complementar Pedopsiquiatria-9-Abril-2009



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