Artrite reumatóide

Artigo de:

Dr. António Marinho - Internista na Unidade de Imunologia Clínica Hospital Santo António - 4-Mar-2009

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O que é?

A Artrite Reumatóide é a doença auto-imune mais comum e caracteriza-se por inflamação das articulações levando à destruição progressiva das suas estruturas e à incapacidade funcional. O sistema imune produz anticorpos para o proteger das doenças e infecções; na predisposição para a artrite reumatóide os anticorpos lesam as articulações por mimetismo. Trata-se de uma doença sistémica, pelo que pode envolver órgãos internos como o coração e o pulmão.

 

Qual a sua frequência?

Estima-se que a artrite reumatóide atinja 40 000 portugueses. Qualquer pessoa pode desenvolver a doença, sendo esta mais prevalente entre a 4.ª e 6.ª década de vida e 3 vezes mais prevalente no sexo feminino.

 

Quais são as causas?

Trata-se de uma doença de causa desconhecida, provavelmente aliando múltiplos factores desencadeantes, associando uma predisposição genética manifestada por alguns haplótipos de HLA (DRB1, B3 e B4 por exemplo) e um gatilho para o seu início, como uma infecção vírica ou bacteriana comum.

 

Como se pode prevenir?

A Artrite Reumatóide não tem prevenção, o esforço deve ser efectuado no reconhecimento dos quadros precoces e, por vezes, ainda indiferenciados, de forma a evitar a destruição articular progressiva e incapacitante.

 

Como se manifesta?

Podemos incluir 2 tipos de manifestações: as sistémicas e as articulares. As sistémicas são sintomas gerais como perda de apetite, febre, emagrecimento e fadiga, que são mais frequentes nas fases iniciais e mais inflamatórias da doença e que obrigam ao diagnóstico diferencial com doenças infecciosas e outras doenças imunes (Lúpus, por exemplo). As articulares compreendem a rigidez inflamatória, que se trata da incapacidade de movimentar e usar as articulações durante as primeiras horas do dia, por exemplo, de fechar completamente as mãos, e que, ao contrário da doença degenerativa, melhora ao longo do dia, e a poliartrite típica (mais de 3 articulações inflamadas com edema, calor e tipicamente sem rubor), aditiva e simétrica, envolvendo pequenas e grandes articulações, mas sobretudo as pequenas articulações das mãos, levando, com o tempo, a deformidades típicas e incapacitantes.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado na clínica, com o conjunto da poliartrite aditiva e simétrica, que pode atingir qualquer articulação, mas sobretudo as das mãos e punhos, com, pelo menos, 6 semanas de evolução, permitindo excluir as doenças auto limitadas que a imitam a partir das 12 semanas. O diagnóstico ganha força se associar erosões nas radiografias de mãos ou pés e na presença de factor reumatóide e ou anticorpos anti-citrulina. No entanto, a poliartrite crónica sem alterações analíticas típicas existe e permite manter este diagnóstico.

 

Qual o tratamento?

O tratamento é baseado em drogas para alívio dos sintomas inflamatórios e dolorosos, como os anti-inflamatórios não esteróides e os corticosteróides em pequena dose, e em drogas modificadores anti-reumáticas (DMARDS), que são introduzidas em esquemas diversos, de acordo com a gravidade da doença. Destas últimas, a base é o imunossupressor metotrexato e, quando este não consegue controlar os sintomas e a evolução destrutiva, temos variadas terapêuticas biológicas, como, por exemplo, drogas anti-TNF, anti-CD20 e inibidores de ligação linfócito B-T. Estas últimas são drogas de última linha, altamente eficazes na bloqueio da destruição articular, e devem ser utilizadas nas situações mais graves, por médicos com experiência na sua prescrição.

 

Qual é o prognóstico?

O prognóstico é muito variável, podendo corresponder a desde uma doença leve e sem interferências nas actividades banais até uma doença destrutiva grave e totalmente incapacitante. O grande determinante é a intervenção precoce, tão precoce como 12 semanas, de forma a colocar a doença em baixa actividade desde o seu início.

Artigo de:

Dr. António Marinho - Internista na Unidade de Imunologia Clínica Hospital Santo António - 4-Mar-2009



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