Anemia

Artigo de:

Dr. Paulo Jorge Lúcio - Hematologista - 16-Mai-2001

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O que é?

Anemia é um termo médico que significa redução do número de glóbulos vermelhos. Isto quer dizer que quando alguém sofre de anemia, tem uma quantidade de glóbulos vermelhos no sangue inferior àquela que é considerada normal.

 

Quem é atingido?

Normalmente a anemia é um sinal de desiquilíbrio entre a quantidade de sangue que é produzida e aquela que é destruída ou perdida pelo organismo. Como a vida média dos glóbulos vermelhos é de cerca de 120 dias, o nosso organismo está constantemente a produzir novos glóbulos vermelhos para os substituir ou para compensar aqueles que se perdem em hemorragias. Sempre que existir uma doença que diminua a capacidade de produção do nosso organismo ou sempre que os glóbulos vermelhos sejam destruídos a uma velocidade superior à nossa capacidade de os substituir, os doentes podem ficar anémicos.

 

Quais são as causas?

As causas de anemia são muito variadas - podem ser graves, como por exemplo uma úlcera ou um cancro do estômago que sangra sem que o doente se aperceba, ou podem ter tão pouca importância como ser a tradução de que uma mulher tem perdas menstruais ligeiramente superiores à sua capacidade de produção de novos glóbulos vermelhos. Nos países subdesenvolvidos ou em pessoas com dietas pouco equilibradas (por exemplo, os vegetarianos) a anemia pode ser simplesmente um sinal de carências nutricionais.

 

Como se manifesta?

Os glóbulos vermelhos são células que transportam o oxigénio necessário para a vida das outras células. Este oxigénio é recolhido a nível dos pulmões e distribuído por todo o organismo. Naturalmente, sempre que o número de glóbulos vermelhos diminuir, esta capacidade de transporte está comprometida e os diferentes orgãos e sistemas biológicos começam a funcionar deficitariamente. É por esta razão que as pessoas com anemia se cansam muito facilmente, podem ter tonturas e palpitações ou, nos casos mais graves, terem dores no peito que traduzem uma má oxigenação do coração. Normalmente não é preocupante estar com anemia. Estas queixas surgem em casos graves. Felizmente, na maioria das pessoas que sofrem de anemia esta é ligeira e não dá qualquer sintoma. A maioria das anemias são descobertas em análises efectuadas por rotina a indivíduos que se sentem bem

 

Qual o tratamento?

Nem todas as anemias se tratam com ferro. Quando um médico é confrontado com um doente anémico deve esclarecer cuidadosamente a causa da anemia antes de a tratar. A anemia não deve ser considerada uma doença mas sim um sinal de alerta que deve sempre ser estudado. Muitas vezes este estudo permite-nos identificar uma doença que de outra forma passaria despercebida durante algum tempo. O tratamento definitivo dependerá sempre da sua etiologia - muitas vezes basta a correção da causa subjacente para que a anemia desapareça sem necessidade de qualquer tratamento. Competirá sempre ao seu médico definir a melhor estratégia terapêutica. Há doenças da medula óssea (orgão onde são produzidas as células sanguíneas) em que a produção de glóbulos vermelhos é sistematicamente defeituosa.

 

Estas doenças provocam anemia crónica e podem ser transmitidas de pais para filhos. Os portadores destes tipos de anemia, chamadas hemoglobinopatias hereditárias, por regra têm uma vida normal e sem qualquer espécie de limitação. No entanto, quando decidem ter filhos, devem procurar aconselhamento médico. Se um bebé herdar simultaneamente dos dois pais o mesmo defeito genético, poderá ter uma forma de anemia particularmente grave, normalmente incompatível com a vida. Uma vez que um dos progenitores pode ser portador da hemoglobinopatia sem o saber, sempre que um(a) portador(a) conhecido(a) decidir ter filhos o(a) seu(sua) companheiro(a) deverá ser estudado(a).

Artigo de:

Dr. Paulo Jorge Lúcio - Hematologista - 16-Mai-2001



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