Alimentação: dieta mediterrânica

Artigo de:

Dr. Nuno Nunes - Nutricionista - 1-Abr-2001

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O que é a afinal dieta mediterrânica? É uma realidade ? Invenção ? Que vantagens tem? Portugal é um país mediterrânico? Em Portugal existe dieta mediterrânica? Dividindo a frase “Dieta Mediterrânica” ao meio, obtemos “Dieta” e “Mediterrânica”.

 

Assim sendo o que é dieta?

Dieta é tudo aquilo que comemos habitualmente (dieta não terapêutica). No entanto existem as chamadas Dietas Terapêuticas que são “dietas formuladas para tratar doenças ou alterações metabólicas.”. “Mediterrânica”: Obviamente leva-nos a pensar no Mar Mediterrâneo, que é um mar situado entre os Continentes Europeu e Africano, sendo considerado pelos geógrafos como um “Braço do Atlântico” ao qual liga pelo Estreito de Gibraltar.

 

O sul de Portugal não é “banhado” pelo mediterrâneo, no entanto sofre a influência de duas correntes marítimas de cariz mediterrânico, uma submarina (do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico) e outra superficial (do Atlântico para o Mediterrâneo).

 

Existe também um Clima Mediterrânico, que se caracteriza, segundo os climatologistas, por ser “Quente temperado: Verões quentes, secos e soalheiros e Invernos tépidos e húmidos...outra característica é a sua irregularidade...”.

 

O nosso clima tem também características mediterrânicas. No que diz respeito à Floresta Mediterrânica, esta caracteriza-se por ter “Áreas arborizadas de perenifólias resistentes à seca, tais como oliveiras, sobreiros e coníferas, e arbustos de floração...”. Como todos sabemos existem oliveiras em Portugal de norte a sul. E não é por acaso que somos o maior produtor mundial de cortiça dos “nossos” sobreiros. Com base no supra referido, não restam dúvidas de que Portugal é de facto um país mediterrânico.

 

Do ponto de vista histórico, pode-se afirmar, que a Dieta Mediterrânica surge naturalmente por influência da geografia, do clima, da flora e da fauna típica desta região do globo terrestre. Os contactos e trocas de saberes entre vários povos e civilizações que por aqui passaram, também foram muito importantes. O primeiro registo escrito é o famoso REGIME DE SALERNO (Sec. XI), que versava sobre o modo de comer em volta do mar interior, assim como das vantagens para a saúde desse modo de comer. Após esse primeiro registo escrito, podemos dizer que a Dieta Mediterrânica “se viveu e praticou durante séculos....”, até que os americanos a (re)descobriram, no seguimento dos estudos de Ancel Keys, nos anos 50 do século XX.

 

Será então a dieta mediterrânica uma dieta? Uma invenção? Ou uma realidade?

É mais que uma dieta, e não é uma invenção. É uma espécie de filosofia multivariada de vida, baseada numa cultura e estilo de vida típico, em receitas e modos de cozinhar muito típicos, resultando numa Alimentação composta de uma combinação de ingredientes tradicionais, actualizados em função da evolução tecnológica ao longo dos tempos. É uma combinação harmoniosa de vários “elementos” entre si: Por um lado o SOL, o MAR, a TRADIÇÃO, a VARIEDADE & COMBINAÇÃO de elementos, a MODERAÇÃO no consumo e a ACTIVIDADE FÍSICA inerente à actividade profissional e ao dia a dia. Todos estes elementos anteriormente referidos, combinam-se com os alimentos de toda esta vasta região: AZEITE, CEREAIS (PÃO/MASSAS...), VINHOS (TINTOS), VERDURAS/HORTALIÇAS/ LEGUMES, LEGUMINOSAS, FRUTOS FRESCOS e SECOS, PEIXE, ERVAS AROMÁTICAS, CARNES em pequena quantidade, DERIVADOS LEITE e MEL/DOCES CASEIROS consumidos parcimoniosamente e em dias de festa.

 

De referir também outros aspectos a considerar, nomeadamente: A existência de uma Culinária simples. Uma fronteira bem definida entre o que é festa e o que é o habitualmente consumido no dia a dia. A comida bem distribuída ao longo do dia (pequenas quantidades de comida, com grande variedade), sazonalmente adequada em função das Estações do ano e das disponibilidades alimentares. Bem adaptada à actividade física desenvolvida.

 

 

Quais as vantagens da dieta mediterrânica?

Do ponto de vista científico, podemos encontrar vários estudos que apontam para a acção benéfica da Dieta Mediterrânica para a saúde das populações, nomeadamente: Na Prevenção e controlo das dislipidemias; Na Prevenção do excesso de peso e obesidade; Na Prevenção e melhoraria da hipertensão; Na Prevenção de algumas neoplasias; Na melhoraria do controlo metabólico da diabetes. De uma forma mais abrangente, podem-se classificar as vantagens da Dieta Mediterrânica, como sendo:

 

– ALIMENTARES

De acordo com as Leis da Quantidade, Qualidade, Harmonia e Adequação (Diversificada; Fácil de Confeccionar; Gostosa; Ajustada às necessidades e à vida actual....) .

 

– NUTRICIONAIS

Equilibrada; Adequada; Protectora (Prevenção Primária e Secundária de Várias doenças).

 

– ECONÓMICAS

É muito barata, no entanto e paradoxalmente a União Europeia paga para não se produzir !!

 

– AMBIENTAIS

É mais ecológica e amiga do ambiente.

 

Como conclusão, podemos dizer que a Dieta Mediterrânica dá Mais Saúde, Mais Qualidade de Vida com menores custos, lucrando com isso o indivíduo e a sociedade. Como diria o Dr. EMÍLIO PERES: “PRODIGIOSA ALIMENTAÇÃO MEDITERRÂNICA...” in “Bem Comidos e Bem Bebidos”, 1997

 

BIBLIOGRAFIA - Keys, A.: The diet and the development of coronary heart disease. Journal of Chronic Diseases. October 1956. Vol.4, nº4; p364-380. - Lopes, M.M.R.: Prevenção cardiovascular: realidade ou mito?. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 1988. Vol.50, nº4; p219-221. - Peres, E.: Bem Comidos e Bem Bebidos. Editorial Caminho S.A – Biblioteca da Saúde. Lisboa. 1997; p13-15. - Krause, M.V.; & Mahan, L.K.: Alimentos Nutrição eDietoterapia. 8ª Edição. Editora Roca Lda. São Paulo.1995. - Souza Neves, N.M. de: Nutrição e Doença Cardiovascular. 1ª Edição. Editora Guanabara Koogan S.A.. Rio de Janeiro. 1997. - Bender, A.E.: Dicionário de Nutrição e Técnica dos Alimentos. 4ª Edição. Livraria Roca. São Paulo. s.d.. - Enciclopédia Geográfica. Selecções do Reader´s Digest. 4ª Edição. Mem Martins. 1989. - INTERNET.

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Dr. Nuno Nunes - Nutricionista - 1-Abr-2001



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