Alérgicos, Alergias e Alergologistas

Artigo de:

Dr. J. Rosado Pinto - Imunoalergologista - 26-Set-2000

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Doenças alérgicas o que são?

Sendo as doenças alérgicas sistemáticas, podendo atingir vários orgãos ao mesmo tempo (pele, aparelho respiratório, digestivo, olhos...), e não sendo explicadas por um mecanismo imunológico simples, atingindo todos os grupos etários, obriga a um conhecimento profundo das suas causas, consequências, terapêuticas e impacto socio-económico. A acção dos alergologistas A acção dos especialistas alarga-se, pois, a campos tão vastos como a qualidade do ambiente, espaços verdes, ambientes públicos, tipo de alimentação, integração de doentes crónicos, nomeadamente os asmáticos, através de equipas pluridisciplinares, em casa, no centro médico, na escola ou no local de trabalho. Mas é sobretudo na prevenção e na eficácia do controle dos custos directos e indirectos, e na melhoria de vida dos doentes que a intervenção do especialista maior e mais valiosa pode ser. Em conclusão...

 

Trabalhos epidemiológicos recentes a nível europeu em jovens de 13/14 anos, situam os portugueses na prevalência das doenças alérgicas mais importantes num escalão intermédio entre espanhóis e italianos, sendo os menos alérgicos os gregos, romenos e albaneses, e os mais, os ingleses e os irlandeses. De acordo com o projecto mundial I.S.A.A.C. (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), 30.2% dos jovens portugueses já tiveram rinite, 11.8% asma, 11.7% eczema e 6.3% febre dos fenos. Por outro lado, sabemos que entre 10 a 20% das crianças que tiveram eczema desenvolveram asma, que entre 1 a 3% das crianças pequenas têm alergias alimentares e que a asma duplicou na Europa nos últimos 20 anos.

 

Com cerca de 150 médicos imunoalergologistas reconhecidos pela Ordem dos Médicos, mas apenas 34 nos Quadros dos Hospitais Públicos, o crescimento nesta área de assistência privada (nomeadamente, seguros de saúde, consultas privadas), tende a alargar-se. Os especialistas podem contribuir para uma melhor assistência com uma maior presença; melhor formação alergológica de todos os profissionais de saúde; melhor prevenção e uma maior sensibilização social. Em síntese: os alérgicos esperam que as alergias e os alergologistas se conheçam cada vez melhor e que os poderes públicos e privados de que dependem se organizem de forma a que se lhes seja proporcionada a Qualidade de Vida a que têm direito.

 

Director do Serviço de Imunoalergologia do Hospital D. Estefânia 

 

Professor Auxiliar Convidado da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa

 

Conselheiro Nacional de Imunoalergologia da Multicare

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Dr. J. Rosado Pinto - Imunoalergologista - 26-Set-2000



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