Acne

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 16-Mai-2001

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O que é?

A acne constitui uma doença inflamatória atingindo os folículos pilosos e as glândulas sebáceas, evoluindo em ciclos sob influência hormonal, geneticamente determinada, com especial incidência na juventude.

 

Qual a frequência?

A acne juvenil ou vulgar inicia-se em 80-90% dos casos na adolescência, atingindo na raça caucasiana cerca de 50% das raparigas após os 14 anos e 80% dos rapazes, após os 16 anos. Atinge maior expressão no grupo dos 17 aos 20 anos, regredindo em muitos casos pelos 21-22 anos, tornado-se rara após os 25.

 

Quais são as causas?

Os factores que estão na origem desta doença incluem o aumento da secreção sebácea, geralmente denominado por seborreia, induzida por hormonas masculinas, principalmente a testoesterona, bem como a infeccção por determinadas estirpes bacterianas do folículo pilo-sebáceo. Outros factores incluindo a gravidez e período pré-menstrual, devido às alterações hormonais neles verificadas, stress emocional e a transpiração excessiva dele decorrente ou motivada por factores climáticos, parecem também estar implicados, tal como determinado tipo de medicamentos (corticosteróides e algumas vitaminas) e mesmo cosméticos, responsáveis por muitas situações de “acne na mulher adulta”. Os alimentos ricos em açúcar e gorduras animais são tradicionalmente considerados como factores agravantes, embora não existam provas científicas cabais a este respeito.

 

Como se manifesta?

As manifestações clínicas incluem os comedões abertos (“pontos negros”) e fechados (“pontos brancos”), as pápulas e pústulas, podendo verificar-se nos casos mais graves presença de quistos e fístulas. As lesões localizam-se à face (fronte, “maçã do rosto” e queixo), parte superior do tórax, sobretudo no dorso e mais raramente na nuca e região deltóide.

 

Como é feito o diagnóstico?

É uma doença de diagnóstico acessível, uma vez que se baseia essencialmente na observação do paciente e das lesões que apresenta, não sendo geralmente necessários exames complementares.

 

Qual o tratamento?

A atitude clínica e o tratamento da acne implica a avaliação prévia da personalidade do doente e do impacto da doença na “auto-imagem”, bem como a sua motivação para colaborar no tratamento, em regra prolongado. Necessita ser individualizado em função da idade, formas clínicas, sensibilidade cutânea, variações sazonais, resposta a terapêuticas anteriores e estado emocional do paciente. Nas formas ligeiras e moderadas em ambos os sexos a terapêutica tópica convencional baseia-se na aplicação de agentes queratolíticos e anti-seborreicos (ácido salicílico, resorcina, e peróxido de benzoilo), ou com antibióticos (clindamicina e eritromicina). A radiação solar e ultravioleta tem efeito favorável. Todavia, seu uso intempestivo e não controlado pode agravar a acne. O ácido retinóico, a isotretinoína e o ácido azelaico constituem também alternativas terapêuticas. Nas formas mais severas, a administração oral de antibióticos do grupo das tetraciclinas (cloridrato de tetraciclina, minociclina, e doxiciclina) em regra por períodos de 2 a 4 meses, constituem opções terapêuticas eficazes e seguras. Nas mulheres que não respondem a outras formas de tratamento ou que fazem contracepção oral, a hormonoterapia está indicada, utilizando-se para o efeito a associação de acetato de ciproterona e etinil-estradiol. Nas formas graves e rebeldes de acne, a isotretinoina oral por períodos de 4 a 6 meses constitui a terapêutica de eleição. O principal problema associado a este fármaco é o seu efeito teratogénico, que condiciona a sua utilização em mulheres férteis, obrigando a efectuar contracepção eficaz a partir do mês anterior ao início de tratamento até 2 meses após o seu termo.

 

Qual o prognóstico?

O prognóstico evolutivo da acne juvenil é de difícil previsão. Em regra o seu desaparecimento observa-se após a adolescência, dos 20 aos 25 anos. As lesões comedónicas, papulosas e pustulosas superficiais curam com eventuais cicatrizes ligeiras, enquanto que as lesões mais profundas e prolongadas no tempo se associam a cicatrizes inestéticas deprimidas ou hipertróficas, sobretudo no tronco.

Artigo de:

Dr. Miguel Taveira - Dermatologista - 16-Mai-2001



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