Viver perto de espaços verdes protege a saúde
24 outubro 2009
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Domingo de manhã. Amanhece na cidade. O sol desperta, radioso, e convida a um passeio. Para quem vive perto de um parque ou jardim, a decisão a tomar é rápida. Mas o problema é que há cada vez menos espaços verdes nas grandes cidades.

 

Quem tem crianças e animais não hesitaria em escolher o jardim perto de casa para passar um domingo radioso. Agora, segundo um estudo publicado este mês no “Journal of Epidemiology and Community Health”, temos ainda mais razões para desfrutar dos espaços verdes.

 

O estudo, realizado pelo Centro Médico da Universidade Vrije, em Amesterdão, Holanda, analisou dados de cerca de 350 mil pessoas que moravam próximo de jardins, parques e de outros espaços arborizados e constatou que estes apresentavam menos doenças do que os habitantes de áreas mais distantes de espaços arborizados.

 

Não é de estranhar. Apesar de este estudo não ser o primeiro a sugerir que os espaços verdes ajudam a manter as pessoas saudáveis, é o primeiro a avaliar o impacto dos espaços verdes sobre as condições específicas de saúde.

 

A análise teve por base o cruzamento de dados entre os registos médicos das pessoas e os códigos postais da área de residência. Através dos códigos postais, os investigadores determinaram a percentagem de espaços verdes existentes dentro de aproximadamente dois quilómetros da casa de cada pessoa.

 

Para a análise foi avaliada a prevalência de 24 patologias. Em relação à saúde mental, foi verificado que, entre os habitantes de locais em que num raio de um quilómetro apenas 10% da área estava ocupada por espaços verdes, a taxa de perturbações de ansiedade era de 26 por mil habitantes. Esse número caía para 18 entre os que viviam num ambiente 90% arborizado. A relação entre a existência de zonas verdes e a saúde mental foi especialmente surpreendente quando avaliaram a prevalência de depressão entre crianças até aos 12 anos: os cientistas verificaram que as crianças que viviam perto de zonas arborizadas tinham uma probabilidade 21% menor de sofrerem de depressão.

 

Em relação à saúde física, os benefícios também foram verificados, adiantando o estudo que quem vive perto de áreas verdes apresenta menos patologias respiratórias, como asma, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) e infecções respiratórias do trato superior. Embora com menor impacto, o estudo também apurou uma menor taxa de doenças cardiovasculares, diabetes e cancro nos habitantes perto das zonas verdes.

 

Não há dúvida que os espaços verdes, especialmente dentro das cidades, contribuem de forma inequívoca para melhorar a saúde e o bem-estar das pessoas. Eles são, só por si, espaços que despertam o prazer estético, impelem ao lazer, descontracção e convívio e também à prática de exercício físico, factores que conduzem a um aumento do bem-estar psicológico.

 

Se falarmos em termos da saúde física, sabemos que os espaços arborizados contribuem para a redução da poluição atmosférica, causando um grande impacto na melhoria da saúde.

 

Em entrevista ao sítio Webmed, a líder da investigação, Jolanda Maas, refere que, com base na conclusão do seu estudo bem como na análise de várias investigações anteriores, os espaços verdes não deveriam ser vistos – e assumidos – como um luxo. A investigadora vai mais longe e fala dos benefícios económicos para os governos através da diminuição dos custos com a saúde. Esses benefícios são fáceis de alcançar, bastando para tal que se aumentasse a área reservada para espaços verdes nas grandes urbes.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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