Vida em casal traz benefícios para a saúde
11 fevereiro 2011
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As pessoas que mantêm relacionamentos longos – independentemente de estarem casadas ou de morarem juntas -têm uma menor probabilidade de depressão, de tentarem suicídio e de se tornarem dependentes de álcool e drogas.   

 

''É sabido que o casamento está associado com uma melhor saúde mental, mas poucos estudos analisaram se a duração de uma relação de coabitação está associada à saúde mental'', explicou, em comunicado, a autora do estudo, Sheree Gibb, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.

 

Nesta investigação, publicada no “British Journal of Psychiatry”, Sheree Gibb seguiu, desde o nascimento, um grupo de mais de mil pessoas que vivem em Christchurch, a segunda maior cidade da Nova Zelândia. Curiosamente, a equipa do Dr Gibb descobriu que a natureza jurídica da relação – ser casado ou viver junto - não fazia diferença quanto aos benefícios provocados na saúde mental. O que fazia diferença era a duração do relacionamento.

 

Para estes investigadores neo-zelandeses, embora o bom senso e a observação prática dos fenómenos sociais já o indicassem, do ponto de vista científico, os resultados a que chegaram foram algo surpreendentes, dado que vão contra conclusões de estudos anteriores, que relataram menores taxas de problemas mentais em pessoas com casamentos legais, mas não nas que viviam juntas.

 

Para chegarem a estes dados, os investigadores questionaram os cerca de mil voluntários do estudo quando estes tinham entre 25 e 30 anos. O questionário incidia sobre os relacionamentos amorosos que tiveram durante o último ano anterior à pesquisa, bem como sobre assuntos mais relacionados com a saúde mental: se sofriam ou tinham sofrido de depressão, distúrbio de ansiedade ou de pânico, fobias e se eram ou tinham sido consumidores de substâncias (drogas e álcool).

 

Constataram que, de facto, quem tinha relacionamentos estava mais protegido de problemas mentais. Mas verificaram ainda que quanto maior era a duração da relação, maior parecia ser o efeito protector. Os dados analisados revelaram que, aos 30 anos, 16% dos que não estavam numa relação e 23% dos que tinham um relacionamento há menos de dois anos apresentaram sintomas de depressão. No entanto, a taxa foi inferior a 10% entre nas pessoas que estavam numa relação de dois a quatro anos de duração e 9% entre aqueles que tinham um relacionamento com mais de cinco anos.

 

O estudo também constatou que a taxa de abuso ou dependência de álcool foi de 12% entre aqueles que não estavam numa relação e de 13,5% para as pessoas que tinham estado num relacionamento com menos de dois anos. Em comparação, o abuso de álcool foi registado em apenas 4% dos que tinham um relacionamento de dois a quatro anos e menos de 3% entre os que tinham um relacionamento há mais de cinco anos. Note-se que esta associação permaneceu após terem sido considerados outros factores, tais como antecedentes familiares e problemas de saúde mental anteriores.

 

Deste modo, a mensagem deixada pela investigadora Sheree Gibb é a de que “as pessoas em risco elevado de desenvolverem problemas de saúde mental podem beneficiar dos esforços para melhorar a estabilidade e a duração da relação com os seus parceiros”, tais como recorrer a serviços de aconselhamento conjugal. E se os esforços não surtirem efeito, o sofrimento provocado por relações difíceis ou stressantes, quer a curto como a longo prazo, não favorecem a saúde física e mental dos protagonistas. E, nestes casos, vence a máxima: “mais vale sozinho que mal acompanhado”.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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