Tempo gasto nas viagens para o trabalho pode levar a separação dos casais
16 agosto 2011
  |  Partilhar:

Trabalhar longe de casa pode ser uma alternativa à grande crise de emprego que assola o mundo. Mas passar muito tempo dentro de um carro ou de um transporte público para chegar ao trabalho implica menos tempo para a família e amigos e pode levar a problemas de saúde físicos e mentais. Mais. Um novo estudo sugere que esta decisão pode ter um preço muito elevado: o divórcio.

 

Numa investigação realizada na Suécia foi verificado que aqueles que viajam longas distâncias para o trabalho eram mais propensos a separar-se do seu cônjuge ou parceiro, do que os que trabalham perto de casa. Erika Sandow, uma geógrafa social da Universidade de Umea, Suécia, avaliou as viagens de longo curso na Suécia e os seus efeitos sobre os rendimentos e relacionamentos. A investigadora usou dados estatísticos de 1995 a 2005.

 

Na análise de mais de dois milhões de adultos casados ou que viviam com um parceiro, Sandow verificou que aqueles que viajam longas distâncias, de facto, tiveram acesso a mais empregos e a melhores oportunidades de carreira, mas não sem sacrifícios para a família.

 

Entre as suas conclusões, a investigadora verificou que 11% dos entrevistados passavam, pelo menos, 45 minutos em cada viagem, o que perfaz 90 minutos diários. Os resultados também revelaram que uma grande percentagem dos passageiros de longa distância tinham crianças pequenas e as suas famílias tinham raízes na comunidade onde habitavam. No entanto, uma vez que começavam a rotina para o trabalho, mesmo que fosse um emprego longe de casa, a maioria permanecia nela. De facto, mais de metade dos que faziam viagens diárias de longa distância para o trabalho continuaram no mesmo emprego, pelo menos, durante cinco anos.

 

Contudo, enquanto as pessoas se adaptam a este tipo viagem, à medida que o tempo passa, muitos relacionamentos não sobrevivem durante tanto tempo. O estudo descobriu que quem percorria longas distâncias para o trabalho era 40% mais propenso à separação, especialmente nos primeiros anos dessa rotina, em comparação com outros casais que habitavam mais perto do trabalho.

 

O género também pareceu interferir neste contexto. O estudo verificou que a maioria das pessoas com empregos mais longe de casa eram homens e as suas parcerias tendiam a auferir menores ordenados. Acresce o facto, segundo disse Sandow, em comunicado de imprensa, que, frequentemente, na Suécia, as mulheres trabalham a tempo parcial ou têm empregos mais perto de casa com o objectivo de irem levar e trazer as crianças da escola. Como resultado, a investigadora constatou que muitas mulheres ganhavam menos e ainda tinham que assumir o papel principal de cuidadoras da família e das crianças.

 

Embora as mulheres que trabalhavam longe de casa – e que faziam longas viagens - também tivessem mais oportunidades de emprego e melhores salários, estudos anteriores demonstraram  que se sentem mais stressadas, pressionadas pelo tempo e menos bem sucedidas nos seus empregos, em comparação com os seus pares do sexo masculino.

 

Mesmo que as áreas de expansão do mercado de trabalho sejam boas para o crescimento económico, há custos sociais relacionados com o tempo gasto nas viagens que devem ser tidos em conta no debate, enfatizou Erika Sandow. “Nós não sabemos o que o facto de se gastar tanto tempo nas viagens implicará, a longo prazo, e qual o preço que teremos que pagar pelo crescimento económico. É importante ressaltar as consequências sociais que acarretam estas deslocações. Por exemplo, como serão as crianças afectadas ao crescerem com um ou ambos os pais a percorrerem longas distâncias para trabalhar?”

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

Partilhar:
Classificações: 3Média: 4.7
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.