Serão as flores perigosas nos hospitais?
18 dezembro 2009
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Símbolo de alegria e amizade, oferecer flores a quem está doente faz parte do ritual daqueles que visitam familiares e amigos internados no hospital. Mas muitos estabelecimentos de saúde começam a não ver com bons olhos a presença destes elementos vivos por poderem aumentar o perigo de infecções e representarem um problema de logística.

 

No Reino Unido, o Southend University Hospital impôs recentemente a proibição de entrada de qualquer tipo de flores, com a justificação de que elas constituem um risco sanitário e também de segurança para os equipamentos de alta tecnologia médica. E, embora o Ministério da Saúde britânico não se tenha pronunciado sobre este assunto, a verdade é que actualmente grande parte dos hospitais ingleses proíbe as flores nas enfermarias.

 

Partindo destes e de outros argumentos a favor do impedimento da entrada de flores nos hospitais, bem como da análise de literatura médica e do relato de casos clínicos, os investigadores Giskin Dia e Naiome Carter, do Imperial College of London, fizeram uma análise da reacção e atitude em relação às flores, conversando com pacientes e funcionários do Royal Brompton Hospital e do Chelsea & Westminster Hospital.

 

No artigo da edição de Dezembro do “British Medical Journal”, os investigadores combatem a ideia de que a presença de jarras de flores representa um risco acrescido para os equipamentos médicos, contra-argumentando que eles não são mais perigosos do que a louça, bebidas ou alimentos que geralmente atravancam as mesas-de-cabeceira dos pacientes.

 

No comunicado enviado à imprensa, os investigadores sugerem que este excesso de zelo em relação à presença de flores nos hospitais não vem de agora. Em finais de 1900, dizem, era comum retirar as flores das mesas-de-cabeceira à noite, por se acreditar que elas consumiam o oxigénio necessário aos pacientes. “Esta crença foi rejeitada quando os estudos mostraram que o impacto das flores sobre a composição do ar nas enfermarias era insignificante e não justificava o trabalho envolvido”.

 

Além desta questão, vários especialistas têm alertado para o facto de a presença de flores e plantas no meio hospitalar estar relacionada com infecções (principalmente fúngicas) em pacientes imunodeprimidos (com cancro ou sida). Não contestando as implicações em relação a fungos, no capítulo relacionado com as bactérias, os investigadores apontam um estudo, realizado em 1973, em que se conclui que a água dos jarros das flores continha altos níveis destes microrganismos. Contudo, argumentam os cientistas, estudos posteriores não encontraram nenhuma prova científica de que a água das flores tenha causado infecções hospitalares.

 

Aliás, este trabalho publicado agora no “British Medical Journal” apresenta uma série de estudos que têm comprovado que a presença de flores perto dos doentes tem um efeito benéfico imediato e que se prolonga no tempo, tendo-se constatado, nomeadamente, uma melhoria significativa do estado emocional de pacientes de ambos os sexos.

 

Inclusive, um dos estudos citados pelos investigadores conclui que os pacientes colocados em salas com flores e plantas necessitavam de menos analgésicos no pós-operatório, para além de apresentarem uma redução na pressão arterial e na frequência cardíaca.

 

Giskin Dia e Naiome Carter reconhecem que, no geral, a manutenção das flores e plantas amplia o volume de trabalho dos profissionais de saúde, mas sugerem que este “incómodo” é compensado pelos resultados positivos que geram na recuperação dos pacientes.

 

Nos nossos comportamentos sociais e culturais, dar e receber flores é um gesto de simpatia, uma manifestação de atenção e de interesse pelos outros. Em períodos em que a saúde nos falta, quando nos sentimos muito em baixo, estes gestos são especialmente apreciados e adquirem um grande valor. Assim sendo, acabar com eles só se justificará quando houver uma razão de peso.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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Comentários 1 Comentar

Flores

Tendo em vista que não está comprovada a contaminação dos pacientes por fungos e bactérias, deveria prevalecer os efeitos benéficos das flores. Porém o que prevalece e a economia na operação dos hospitais, se vê que a saúde de e sempre foi um comércio muito bem explorado por pessoas inescrupulosas.

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