Paradoxo da felicidade: Países mais felizes têm maiores taxas de suicídio
31 maio 2011
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Pode parecer um paradoxo, mas os países em que a população apresenta maiores índices de felicidade na população, são os que têm maiores taxas de suicídio. 

 

Um novo estudo, publicado no “Journal of Economic Behavior & Organization”, usou dados dos EUA e de outros países, que incluíram, pela primeira vez, a comparação de uma amostra aleatória recentemente disponível de 1,3 milhões de americanos, e outra sobre as decisões de suicídio entre uma amostra aleatória independente de cerca de um milhão de americanos.

 

Os resultados foram perturbadores: muitos países com altos índices de felicidade têm também índices elevados de suicídio . Este estranho facto já tinha sido verificado, em estudos de forma isolada, como no caso da Dinamarca. Mas esta nova investigação concluiu que vários países - entre eles Canadá, EUA, Islândia, Irlanda e Suíça - apresentam níveis relativamente elevados de felicidade mas também altas taxas de suicídio.

 

Contudo, segundo contaram os cientistas, em comunicado de imprensa, as variações culturais e na forma como as sociedades registam os casos de suicídio dificultam a comparação de dados entre países diferentes. Para confirmar a relação entre os níveis de felicidade e as taxas de suicídio, dentro de uma área geográfica, os investigadores recorreram a dois vastos conjuntos de dados cobrindo um único país: os EUA.

 

Do ponto de vista científico, segundo apontam os investigadores, a vantagem de se comparar felicidade e índices de suicídio entre os diferentes Estados americanos reside no facto de os factores, como formação cultural, instituições nacionais, linguagem e religião serem relativamente constantes dentro de um único país. E, embora, existam diferenças entre os Estados, a população americana é mais homogénea do que as amostras recolhidas de países diferentes.

 

Os resultados desta investigação corroboram o que já tinha sido verificado noutros países. Os Estados onde a população se dizia mais satisfeita com a vida apresentaram taxas mais altas de suicídio, em oposição àquelas que apresentavam menores níveis de satisfação com a vida.

 

Por exemplo, os dados do Estado de Utah coloca-o no primeiro lugar do ranking dos Estados norte-americanos onde as pessoas estão mais satisfeitas com a vida, contudo, ocupa o nono lugar na lista de Estados com maior índice de suicídios. Pelo contrário, já o Estado de Nova Iorque, que ficou em 45º no ranking da satisfação, apresentou o menor índice de suicídios do país.

 

Os investigadores foram ainda mais longe numa tentativa de tornar as comparações entre Estados mais imparciais e homogéneas. Para tal tiveram em conta factores como idade, sexo, raça, nível educacional, rendimentos, estado civil e situação profissional. Mesmo com esses ajustes, a correlação entre índice de felicidade e de suicídios manteve-se bastante forte, embora alguns Estados tenham alterado ligeiramente as posições.

 

No comunicado da Universidade de Warwick, Reino Unido, um dos líderes da investigação, Andrew Oswald, explicou que “as pessoas descontentes, num lugar feliz, podem sentir-se particularmente maltratadas pela vida. Esses contrastes nebulosos podem aumentar o risco de suicídio. Se os seres humanos estão sujeitos a alterações de humor, os períodos de depressão podem ser mais toleráveis num ambiente no qual outros seres humanos estão infelizes”.

 

Além da Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, participaram também investigadores do Hamilton College, de Nova Iorque, e do Federal Reserve Bank de São Francisco, na Califórnia.

 

Este artigo teve por base o comunicado de imprensa enviado pela Universidade de Warwick.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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