Pai Natal obeso é um mau exemplo para as crianças
23 dezembro 2009
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Alguns investigadores, imbuídos do espírito natalício, avaliaram a figura e os comportamentos do Pai Natal do ponto de vista da saúde pública. Os resultados desta divertida análise foram divulgados em duas prestigiosas publicações para reforçar a mensagem de que os alertas de saúde também chegam ao público quando feitos com muito humor e ironia.

 

A face extremamente rosada e a farta barriga, duas das características do lendário Pai Natal, são indicadores convincentes de que o senhor Santa Claus está em risco de vida, devido à possibilidade de sofrer um enfarte do miocárdio ou de ser fulminado por um acidente vascular cerebral (AVC). "Acredito que ele beneficiaria com o tratamento da diabetes e da hipertensão. Também os fármacos para baixar o colesterol seriam aconselhados ao seu caso. Como se isso não bastasse, novos estudos mostram que a sua obesidade abdominal é um factor de risco para a demência”, explicou Annika Rosengren, professora do Departamento de Emergência e Medicina Cardiovascular da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

 

Quanto à suposta má alimentação que conduziu ao gigantesco perímetro abdominal, os cientistas, citados pelo sítio Eurekalert, dizem-se surpreendidos, porque na Lapónia, no norte da Escandinávia, terra onde supostamente vive o Pai Natal, há comida muito saudável: água puríssima, carne de rena e muito salmão, ingredientes indispensáveis a uma alimentação sadia. Contudo, sugerem os especialistas, o problema do Pai Natal é o seu trabalho stressante: preparar a entrega de milhões de prendas na noite de 24 de Dezembro não lhe deixa tempo livre, durante todo o ano, para planear as suas refeições.

 

"O Pai Natal come muito açúcar e gordura saturada. Os alimentos que as pessoas lhes dão (tradição anglo-saxã de colocar doces e bebidas alcoólicas no local onde ele deixará as prendas) são muito calóricos. Estou a pensar nos doces, pudins e carne com muita gordura. Geralmente, as pessoas ganham mais meio quilo durante o Natal", comentou Mette Axelsen, professor de Nutrição Clínica da Universidade de Gotemburgo.

 

Num artigo publicado no sítio da revista especializada “British Medical Journal”, o especialista em saúde pública Nathan Grills, da Monash University, da Austrália, vai mais longe ao considerar o Pai Natal um mau exemplo para as crianças. É que a tradicional imagem de um homem alegre, com tanta gordura abdominal que o obriga a caminhar em balanço, propaga a ideia de que ser obeso é ser feliz. Por isso, o especialista sugere mesmo algumas modificações na imagem e no comportamento do velhinho das longas barbas, bem como a alteração de algumas tradições em torno da mítica figura.

 

Por exemplo, se a tradição anglo-saxã de deixar biscoitos, bolachas ou bolos promove a obesidade, porque é que, sugere o especialista, o Sr. Claus não come o mesmo lanche da rena Rudolph, composto por cenouras e aipo?

 

Outra tradição que deve ser, definitivamente, quebrada, na opinião de Nathan Grills, é a das bebidas alcoólicas deixadas para o Pai Natal, dado que “se beber um copo de brandy ou um Porto em cada casa, em pouco tempo ultrapassa o limite de alcoolemia permitido pela lei e não nos esqueçamos que tem uma longa viagem nocturna para fazer”.

 

Além da obesidade e da condução sob o efeito do álcool, o Pai Natal também é visto como um promotor de desportos radicais perigosos. “Apesar dos riscos da viagem aérea em alta velocidade, o Pai Natal nunca foi visto a usar cinto de segurança ou capacete”, escreve Grills, reforçando que este assunto já foi apontado por outros especialistas. É que, adianta, “todos os esforços para reduzir os acidentes são importantíssimos, dado que se trata da primeira causa de mortalidade infantil”.

 

Por tudo isto, o especialista em saúde pública acredita que, se o pai Natal fosse real, teria de enfrentar a justiça, ao ser acusado de ignorar as leis de trânsito, promover uma condução acima do limite máximo da velocidade (para entregar todos os presentes numa noite), para além de incentivar a prática de desportos radicais, como “surf de telhado” e “salto na chaminé” desprotegidos.

 

Outro problema mais relacionado com a actualidade é, segundo o especialista, o facto de a maioria dos pais natais, contratados para trabalhar durante a época, não realizarem exames médicos, o que os torna num “potencial vector de doenças como a gripe”, entre outras patologias contagiosas.

 

Mas nem tudo é mau para o autor, dado que o Pai Natal já começou a fazer alguns progressos. Por exemplo, já deixou de fumar e, em muitos países, o uso da sua imagem foi proibido na publicidade à venda de tabaco. Ainda assim, é possível encontrar cartões de boas-festas que mostram o velhinho com um charuto ou um cachimbo.

 

Na verdade, refere Grills, não se poderá dizer que a imagem do Pai Natal é uma verdadeira ameaça à saúde pública, dado que ele nunca foi cientificamente estudado. Mas não há dúvida de que alguns pontos da sua imagem e comportamentos deveriam ser modificados. Todos iríamos beneficiar com isso. Como, por exemplo: porque não deixa de lado o trenó e vai a pé entregar os presentes? Afinal, com aquela barriga redonda, ele precisa, definitivamente, de se mexer!

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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