Os perigos do consumo das bebidas energéticas
18 fevereiro 2011
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As bebidas energéticas são o café da nova geração, mas o seu consumo por esta faixa etária pode ser perigoso e deve ser desencorajado, em especial nas crianças e adolescentes que sofram de hiperactividade, diabetes, convulsões, alterações cardíacas ou distúrbios de humor e do comportamento.

 

"Vários relatórios estão a aparecer nos meios de comunicação e há muitos relatos de casos na literatura científica que associam as bebidas energéticas a efeitos secundários graves", explicou, em comunicado, Sara M. Seifert, membro da equipa de investigadores que publicaram um estudo na revista “Pediatrics”. Além disso, aponta a mesma especialista, “muitas escolas, estados e países começaram a regular ou a proibir a venda de bebidas energéticas a crianças, adolescentes e jovens adultos.”

 

Em face destas informações, a equipa liderada por Steven Lipshultz, chefe da pediatria da Universidade de Miami, EUA, decidiu investigar a validade de tais dados. Para a análise foram coligidos dados vindos dos governos de vários países, grupos cívicos, relatos de casos registados na literatura científica e em artigos publicados nos meios de comunicação.

 

Os investigadores encontraram registos de casos clínicos que relacionaram o consumo de bebidas energéticas a efeitos adversos graves, particularmente em crianças, adolescentes e jovens adultos que sofriam de convulsões, anormalidades cardíacas, diabetes, transtornos de humor e do comportamento, ou que estavam sob determinada medicação.

 

O estudo refere ainda que, nos países analisados foram registados vários efeitos secundários do consumo de bebidas energéticas, em jovens com menos de 23 anos, tais como agitação, lesão hepática, insuficiência renal, psicose e enfarte agudo do miocárdio. Verificaram também que dos 5.448 casos de overdose de cafeína registados nos EUA em 2007, 46% deles foram em jovens com menos de 19 anos de idade.

 

Uma bebida energética pode conter de dezenas a centenas de miligramas de cafeína, em comparação, um café normal tem 100 miligramas. Enquanto uma lata de Red Bull contém cerca de 80 miligramas de cafeína, a Relentless, comercializada pela Coca-Cola, contém 160 miligramas, a Cocaine, uma outra marca comercializada nos EUA, chega aos 280 miligramas e a marca Whoop Ass consegue incluir numa única lata 505 miligramas de cafeína.

 

Se pensarmos que um jovem pode beber várias latas por dia o panorama é assustador. De acordo com o estudo, entre 30% a 50% dos adolescentes e jovens adultos consomem regularmente bebidas energéticas. Mas igualmente preocupante é, segundo os dados apresentados pelo estudo, existirem registos de crianças pequenas a consumirem entre quatro a cinco bebidas por dia. 

 

As propriedades conhecidas e desconhecidas dos ingredientes destas bebidas energéticas, em conjunto como os relatos de toxicidade, podem colocar algumas crianças em risco de problemas de saúde graves. Além da cafeína, as bebidas energéticas contêm frequentemente níveis elevados de estimulantes, como a taurina e o guaraná, e os níveis de consumo seguros para a maioria dos adolescentes ainda não foram ainda estabelecidos.

 

No artigo, os autores alertam para o facto de estas bebidas energéticas serem frequentemente comercializadas para atletas e jovens adultos, o que pode induzir os jovens a uma maior ingestão, muitas vezes, sem os próprios saberem que estão a colocar a sua saúde em risco. Outra situação preocupante, que pode conduzir a casos dramáticos, é a da ingestão combinada entre bebidas energéticas e álcool.

 

Por isso, os investigadores reforçam ser importante que os prestadores de cuidados de saúde pediátricos, assim como as famílias estejam alerta sobre o risco de overdose que pode resultar em convulsões, acidente vascular cerebral (AVC) e até mesmo morte súbita. "Até que a pesquisa estabeleça a segurança, a rotina de consumo de bebidas energéticas por crianças e adolescentes deve ser desencorajada", reforçou, em comunicado, o autor do estudo, adiantando que o objectivo desta análise foi o de aumentar a consciencialização sobre os riscos do consumo destas bebidas. Para o futuro, aponta o especialista, serão necessários estudos de longo prazo para definir as doses máximas de segurança destas bebidas e os efeitos do uso crónico, especialmente nas populações de risco.

 

As bebidas energéticas apareceram no mercado há mais de 20 anos e seu consumo tem sido o que registou um crescimento mais rápido no sector das bebidas, registando vendas de milhões de euros.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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