Obesidade propaga-se nos países ricos
02 maio 2010
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A obesidade é considerada uma epidemia específica dos países ricos, o que espelha uma mudança perniciosa dos hábitos do homem, originando elevados custos económicos. As medidas para inverter esta tendência nem sempre são pacíficas. No Reino Unido, por exemplo, a obesidade das crianças é considerada negligência, correndo os pais o risco de lhes ser retirada a guarda dos filhos.

 

Em 2009, um casal escocês perdeu a custódia dos sete filhos. Em tribunal, os pais foram acusados de negligência. A maior parte das crianças estava acima do peso considerado normal, a mãe, de 40 anos, pesava mais de 145 kg e o pai, 53 anos, tinha 115 kg.

 

Numa tentativa de mudar os hábitos alimentares da família, a câmara municipal do local onde o casal vivia disponibilizou 114 mil libras (quase 132 mil euros) destinadas a cursos e tratamentos para a família. Mas, como o casal e os seus filhos não perderam peso, a justiça britânica decidiu em tribunal retirar as crianças da guarda dos pais por correrem sérios riscos de vida.

 

Esta não é uma história singular sobre a negligência relacionada com os excessos alimentares, pelo menos no Reino Unido. Em 2007, um outro caso chamou a atenção da opinião pública.

 

Connor McCreaddie pesava 90 quilos aos 8 anos. Já tinha partido quatro camas e cinco bicicletas. A mãe foi chamada a tribunal e arriscava-se a perder a custódia do seu filho se este não emagrecesse. A decisão final não foi tornada pública, mas a criança conseguiu perder 9,5 kg em dois meses.

 

Histórias limite como estas fazem-nos pensar como a obesidade se está a tornar num verdadeiro flagelo de difícil combate no mundo Ocidental. Para além de pôr em risco a própria saúde do indivíduo, é um problema que coloca em questão a própria sociedade e pede a intervenção, em último recurso, de outros actores sociais que, até aqui, não se pronunciavam sobre o assunto.

 

Esta semana, um relatório elaborado por oficiais norte-americanos reformados alertou para o facto de os problemas de peso serem agora a principal razão de rejeição dos recrutas, o que reduz a capacidade de os militares preencherem as suas fileiras. No texto, é referido que nove milhões de jovens adultos, ou seja, 27% dos norte-americanos com idades entre os 17 e os 24 anos, são demasiado gordos para poderem cumprir o serviço militar.

 

"Quando quase um quarto de todos os jovens adultos é demasiado gordo para combater, temos de agir", afirmou Barnett. Segundo este, a segurança dos EUA em 2030 "depende totalmente" da reversão das taxas de obesidade infantil.
 

Este documento foi entregue ao Congresso para que sejam aprovadas leis que eliminem das escolas a chamada “junk food” e as bebidas com muitas calorias, para que seja aumentado o financiamento do programa de refeições escolares e para que sejam desenvolvidas novas estratégias destinadas a ajudar as crianças a adoptarem hábitos saudáveis.

 

Infelizmente, Portugal também não está imune ao aumento do número de obesos. Um estudo apresentado esta semana revela que 60% da população com excesso de peso e um terço dos obesos consideram estar no peso ideal e poucos já recorreram a dietas alimentares.

 

Este inquérito, realizado por uma consultora científica através de entrevistas telefónicas feitas em 2009 a uma amostra representativa de 1.500 pessoas, refere ainda que apenas 15,5% das pessoas com excesso de peso e 28% dos obesos afirmam já ter feito dieta.

 

Na apresentação do estudo, a endocrinologista Isabel do Carmo considera muito elevada a percentagem de pessoas que afirmam ter o peso ideal. "É a negação da situação, da realidade", comentou a especialista à agência Lusa.

 

À imagem do que ocorre nos restantes países ocidentais, em Portugal os problemas de excesso de peso têm uma correspondência directa com os hábitos alimentares dos portugueses. Quase metade dos inquiridos diz tomar um pequeno-almoço ligeiro, quando esta deveria ser a refeição mais importante do dia. Já ao almoço, 20% consomem uma refeição abundante e mais de 80% comem de forma moderada ou abundante. Ao jantar, apenas 30% optam por uma refeição ligeira, como é aconselhado, e mais de 8% comem de forma abundante.

 

Mas não são só os cuidados com a alimentação que têm um papel importante no controlo do peso e, consequentemente, na diminuição de várias patologias associadas, nomeadamente a hipertensão e a diabetes.

 

A prática de exercício físico é determinante para manter o peso controlado e uma boa saúde. Mas, infelizmente, também nesse capítulo, os portugueses não estão bem classificados. No âmbito do Dia Mundial da Actividade Física, celebrado a 6 de Abril, a empresa de estudos de mercado GfK Metris apresentou um estudo que aponta para o facto de apenas um quarto dos portugueses praticar exercício físico, orientado ou livre.

 

A caminhada é, contudo, a prática física mais comum no país, realizada maioritariamente por mulheres, sendo o futebol o exercício preferido dos homens.

 

O exercício físico aliado a uma alimentação equilibrada é importantíssimo para garantir uma vida saudável. Vários especialistas na área têm vindo a alertar para o facto de a esperança de vida diminuir a par do aumento da obesidade no mundo. Para além disso, chamam a atenção para os gastos com a saúde que os tratamentos destes problemas implicam bem como para a diminuição da mão-de-obra laboral, importante motor social e económico. Caso a obesidade não seja controlada com medidas severas, o mundo ocidental está em risco: muitos vão morrer antes de chegarem à meia-idade.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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Comentários 1 Comentar

critica

esse asunto n tem nada a ver com que eu pedi ta tudo mau escrito e n tem nada serto

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