O poder da cor vermelha
11 outubro 2011
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Quando os seres humanos vêem a cor vermelha, as reacções tornam-se mais rápidas e mais fortes. Mas este facto pode ser uma faca de dois gumes, dado que, ao competirem com atletas vestidos de vermelho, os adversários tendem a perder a partida.

 

Num estudo publicado na revista “Emotion”, investigadores da University of Rochester, EUA, verificaram que a cor vermelha aumenta a intensidade e a velocidade das reacções humanas.

 

Os resultados podem ter aplicações, por exemplo, para as actividades desportivas em que seja necessária uma breve explosão de força e velocidade, tal como no levantamento de pesos.

 

Contudo, os autores do estudo referem que o aumento de energia proporcionado pela cor pode ser de curta duração. "O vermelho aumenta as nossas reacções físicas dado que é visto como um sinal de perigo. Os seres humanos coram quando estão com raiva ou quando se preparando para atacar. As pessoas estão cientes desse rubor nos outros e as suas implicações", apontou, em comunicado da universidade, um dos líderes da investigação, Andrew Elliot.

 

Deste modo, visualizar a cor vermelha pode ser, de facto, uma faca de dois gumes. Segundo explicaram o líder da investigação, Andrew Elliot e o co-autor Henk Aarts, professor de psicologia na Universidade de Utrecht, na Holanda, junto com a mobilização de energia extra, “a ameaça também evoca distracção das tarefas e preocupação consigo próprio”.

 

Estudos anteriores sobre a cor concluíram que a exposição ao vermelho provou ser contraproducente para a qualificação motora e para tarefas mentais. Por exemplo, atletas que competiam contra um adversário vestido de vermelho foram mais propensos a perder as competições. Do mesmo modo, outro estudo verificou que os estudantes expostos ao vermelho, antes de realizarem um teste, obtiveram pior desempenho. "A cor afecta-nos de várias maneiras, dependendo do contexto. Os efeitos de cor passam ao lado do nosso radar de consciencialização", explicou Elliot.

 

Neste estudo recente, os cientistas mediram a reacção dos alunos em duas experiências. Num primeiro teste, os voluntários foram convocados para comprimirem e abrirem um fecho metálico. Mas, imediatamente antes de realizarem essa tarefa, leram em voz alta o número de participante respectivo, escrito a vermelho ou em cinzento. Numa segunda experiência, os voluntários deram um aperto de mão com a mão dominante (direita ou esquerda, dependendo do facto de serem destros ou esquerdinos) o mais forte possível, enquanto liam a palavra "aperte" num monitor de computador. A palavra aparecia num fundo vermelho, azul ou cinzento.

 

Foi verificado que, em ambos os cenários – ao invés das outras cores utilizadas - o vermelho aumentou significativamente a força exercida pelos voluntários quando se cumprimentavam. Na experiência do aperto de mão, não apenas a quantidade de força, mas também a rapidez da reacção aumentou quando o vermelho estava presente.

 

Para o estudo, os cientistas asseguraram que as cores eram precisamente equiparadas nos itens matiz, saturação e brilho, de modo a que as reacções não pudessem ser atribuídas a essas outras qualidades presentes na cor. "Muitos estudos sobre a psicologia da cor falharam, no passados, dado não terem em conta essas variáveis independentes, e deste modo, os resultados também foram ambíguos", explicou Elliot.

 

Este texto foi redigido tendo por base o comunicado de imprensa da University of Rochester.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

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