"Motards" mais velhos em maior risco de lesões graves
08 abril 2010
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A geração de motociclistas retratada no lendário filme do

A geração de motociclistas retratada no lendário filme dos anos 60 “Easy Rider” está a envelhecer, e a acompanhar essa realidade está uma outra: o aumento nesta faixa etária do número de lesões graves decorrentes de acidentes.

 

A sensação de ter o vento a bater no rosto, montado numa “chooper” cintilante, é um prazer que não se apaga com a idade. Os amantes das motas e da liberdade que elas proporcionam ao deslizar pelo asfalto têm seguidores em todo mundo e em todas as faixas etárias. Só que, em caso de acidente, os mais velhos estão sujeitos a sofrer mais com as suas consequências do que os que têm 20 anos.

 

Um estudo da University of Rochester Medical Center, publicado na revista “American Surgeon”, faz uma avaliação do impacto dos acidentes nos motociclistas dos EUA, dado que o número destes sinistros tem vindo a aumentar nos últimos anos.

 

Contrariando a ideia de que são os mais novos quem mais tem acidentes de moto, o estudo prova o contrário e mostra que, quanto mais velho é o motard, maior é o seu risco de morrer em consequência dos ferimentos.

 

Os investigadores usaram as estatísticas de um Banco de Dados Nacional de Trauma sobre acidentes de moto ocorridos entre 1996 e 2005. Ao todo, examinaram dados de 61.689 motociclistas acidentados, com idades entre os 17 e os 89 anos.

 

Verificaram então que, durante o período em análise, a média etária dos motociclistas envolvidos nos acidentes aumentou de 34 para 39 anos e a proporção de motociclistas feridos acima de 40 anos cresceu de 28% para 50%. De todos os feridos, o grupo etário entre os 50 e os 59 anos foi o que teve um maior crescimento, enquanto a faixa entre os 20 e os 29 anos foi a que registou uma maior diminuição do número de acidentes, contrariando a ideia generalizada de que são os jovens quem mais se envolve em acidentes.

 

Dados do comércio americano, citados pelo estudo, demonstram, de facto, esta tendência, ao revelarem que a média etária dos compradores de motos passou dos 33 anos, em 1998, para os 40, em 2003.

 

Em termos de consequências dos acidentes, o estudo verificou que, comparativamente com os mais novos, nos motards com mais de 40 anos, a gravidade da lesão, o tempo de internamento hospitalar e nas unidades de cuidados intensivos e a mortalidade foram maiores.

 

O risco de morte foi entre 1,5 e 2 vezes superior para quem tinha mais de 40 anos, dependendo da gravidade dos ferimentos causados pelo acidente. Também foi verificado que, em relação aos mais jovens, os motociclistas mais velhos eram mais propensos a morrer por lesões menos graves, a passarem pelo menos 24 horas na unidade de cuidados intensivos e a apresentarem complicações, como enfarte do miocárdio e infecções, o que contribui para uma maior permanência no hospital.

 

"Os condutores mais velhos devem tomar cuidados extras. Se acontece um acidente, eles vão pagar um preço muito mais alto do que os mais jovens", alertou, em comunicado de imprensa, o líder da investigação, Mark Gestring.

 

É que, aponta o especialista em emergência e trauma, “tratar um acidentado de 60 anos é muito diferente de tratar um jovem de 21 anos que tenha tido um acidente semelhante”.

 

De acordo com o estudo, a maior gravidade das lesões nos motociclistas mais velhos pode estar relacionada com a diminuição da resistência do corpo, o enfraquecimento ósseo e uma menor capacidade de regeneração celular, fruto do envelhecimento. Mas também existem outros factores decorrentes do avançar da idade que propiciam aos acidentes, tais como problemas de visão, diminuição do tempo de reacção e falta de equilíbrio.

 

Quanto ao tipo de ferimentos relacionados com estes acidentes, o estudo indica que os mais comuns são as fracturas dos membros (pernas e braços). Os ferimentos mais graves aparecem no peito e na cabeça, em proporções significativamente maiores nos condutores mais velhos.

 

Tanto nos mais velhos como nos mais novos cavaleiros do asfalto houve dois factores em comum: um positivo, o uso de capacete em cerca de 73% do total de ambos os grupos; e um negativo, o consumo de álcool, que foi observado num terço dos motociclistas feridos, não tendo havido diferença significativa entre os pilotos mais velhos e os mais jovens.

 

Por isso, os investigadores não ficaram surpreendidos quando verificaram que os motociclistas com resultado positivo para um nível de álcool no sangue acima dos limites tinham uma probabilidade 2,5 vezes maior de não usarem capacete no momento do acidente, facto que os coloca num maior risco de lesões graves e morte. Ao contrário do que se passa em Portugal, e na maioria dos países europeus, em certos estados norte-americanos o uso de capacete não é obrigatório.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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