Materialismo arruína casamento
21 outubro 2011
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Os casais que ligam menos a factores materialistas têm mais hipóteses de viver um relacionamento amoroso feliz, ao contrário daqueles que dão mais importância aos factores económicos, aponta um estudo da Universidade Brigham Young, EUA, publicado na revista "Couple & Relationship Therapy".

 

Numa época pautada por uma crise económica mundial, este estudo parece dar algum alento, pelo menos, aos casais que vivem um relacionamento. Se bem que a máxima “o amor e uma cabana” possa ser quase impossível nos dias de hoje, a verdade é que o apego aos bens materiais e a corrida desenfreada para os adquirir pode, de facto, estragar o casamento.

 

Em termos pessoais, vários estudos já tinham chegado à conclusão que as pessoas materialistas são mais ansiosas, deprimidas e inseguras do que os não-materialista. Um “amor” mais forte pelo dinheiro também tem sido associado a problemas familiares, já que esses indivíduos tendem a não considerar um equilíbrio entre família e trabalho.

 

Neste estudo, a equipa liderada por Jason Carroll explorou o impacto que as diferenças de valores podiam ter no casamento. A partir de informações recolhidas através de um questionário online junto de 1.734 casais, os cientistas concluíram que, mesmo entre pessoas que partilham os mesmos valores, "o materialismo foi negativamente associado à qualidade do casamento".

 

No questionário, os casais responderam a perguntas sobre a satisfação conjugal, os padrões de conflito, a comunicação entre o casal, a estabilidade do casamento, entre outros factores." Também foram convidados a concordar (ou não) com a seguinte frase: "ter dinheiro e montes de coisas nunca foi importante para mim."

 

As pessoas que concordaram com a frase foram classificadas como não-materialistas, enquanto aquelas que discordaram foram qualificadas como materialistas. Dos casais estudados, 14% eram ambos não-materialistas. Em cerca de 11%, a mulher era altamente materialista, enquanto o marido não; noutros 14%, o padrão foi o inverso. Vinte por cento dos casais eram constituídos por dois materialistas. O resto dos casais encontrava-se no meio, nem particularmente materialistas, nem completamente não-materialistas.

 

De acordo com o estudo, os casamentos com pelo menos um dos cônjuges era materialista apresentaram piores relacionamentos que os casais em que nenhum era materialista. Os casais não-materialistas apresentaram entre 10 a 15% melhores resultados nas categorias que incluíam satisfação conjugal, estabilidade no casamento e menores níveis de conflito, segundo garantiu Carroll, em comunicado de imprensa, avançando que não teve qualquer relevância o facto de ser o homem ou a mulher o materialista.

 

Antes de verificarem os resultados, os investigadores acreditavam que seria um padrão incongruente ou não combinado o mais problemático, onde um era o gastador e o outro o que poupava. Mas não foi isso que encontraram. “Descobrimos que são os casais em que ambos os cônjuges têm altos níveis de materialismo os que têm mais problemas”, explicou o líder da investigação.

 

O estudo não poderia testar como o materialismo destrói um casamento, mas a equipa de investigadores tem algumas teorias. A primeira é que o materialismo conduz os casais a más decisões financeiras, gastando além das suas possibilidades, contraindo dívidas e causando ansiedade mútua.

 

Outra possibilidade, segundo os investigadores, é que as pessoas que são materialistas passam menos tempo a alimentar os seus relacionamentos dado viverem ansiosas por conseguir coisas. "Simplesmente, eles não dão às relações a mesma prioridade e atenção como os cônjuges não-materialistas", disse Carroll.

 

Embora apenas casais casados tenham sido estudados, os cientistas acreditam que padrões semelhantes podem ser encontrados em casais que coabitem sem serem casados.

 

Então, o que poderá fazer se amar o seu marido, mas realmente também quer um carro novo? Carroll disse que para a maioria das pessoas, o materialismo não é preto-e-branco: “as pessoas pensam que podem perseguir os seus brinquedos e, ao mesmo tempo, manter o relacionamento forte, e não percebem o quanto as suas ambições prejudicam os seus entes queridos. Para a maioria dos casais, quebrar o processo de pensamento materialista ajuda”.

 

O investigador vai mais além e aconselha as pessoas a fazerem um inventário dos seus valores e o que é realmente importante para eles. E deixa a questão para pensar sozinho e a dois. "Estamos a permitir que algumas das nossas ambições materialistas estejam no caminho das coisas que realmente, no fundo, são muito importantes para nós?"

 

Paula Pedro Martins
jornalista

 

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