Ler dá conforto emocional
29 abril 2011
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Além do entreter e educar, ler um livro atende uma necessidade psicológica: dá-nos conforto emocional e faz-nos sentir parte de algo, aponta um estudo norte-americano, recentemente publicado. Aproveite para comprar livros, porque estão aí as feiras do livro de Lisboa e do Porto.

 

"Obviamente, não podemos segurar a mão a um livro; e um livro não vai secar as nossas lágrimas quando estamos tristes. No entanto, sentimos uma ligação humana, sem relacionamentos reais, através da leitura”. Foi deste modo que a autora deste estudo, a psicóloga Shira Gabriel, da Universidade de Buffalo, EUA, resumiu, em comunicado de imprensa, as conclusões do seu trabalho apresentado recentemente na revista da “Psychological Science”.

 

Segundo a autora, quando lemos tornamo-nos psicologicamente parte da comunidade de personagens descritas na narrativa, o que satisfaz a necessidade humana de sentir-se parte de algo, sejam eles bruxos ou vampiros. “Esse mecanismo satisfaz profundamente a necessidade evolutiva do homem: a da pertença”.

 

Para o estudo, os investigadores recrutaram 140 estudantes universitários. Todos foram entrevistados para que fossem verificadas as suas necessidades de identificação com grupos. A alguns participantes foi-lhes dado um excerto do livro “Crepúsculo”, no qual o personagem Edward descrevia como era a vida de um vampiro. Outros voluntários leram um excerto do livro “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, parte na qual os alunos da escola de bruxaria eram seleccionados e onde Harry Potter conhece o professor Severo Snape.

 

Em seguida, após a leitura, os psicólogos quiseram aferir o grau de identificação que os participantes tinham com os vampiros ou magos. Para tal, os voluntários foram instruídos a categorizarem palavras como “minhas” (eu, meu) e “de bruxos” (varinha, vassoura, poções mágicas) ou “de vampiros” (presas, sangue, mordidas).

 

Numa segunda fase da experiência, os investigadores aplicaram uma escala de assimilação da narrativa dos dois livros, composta por questões, onde procuraram verificar o quanto os participantes se identificavam com os bruxos e os vampiros. Por exemplo, na escala constavam perguntas como “Acha que também conseguia desaparecer e reaparecer noutro lugar?” e “O quão afiados são os seus dentes?”. Finalmente, numa última parte do questionário, os investigadores avaliavam a satisfação de vida dos participantes e o seu humor.

 

Como previsto, os resultados mostraram que os leitores de “Harry Potter e a Pedra Filosofal” “tornaram-se” bruxos, e os leitores de o “Crepúsculo” “tornaram-se” vampiros. O trabalho também verificou que os indivíduos que se sentiam bem a interagir com grupos (reais) obtiveram os efeitos mais fortes de assimilação. Para os participantes, pertencer a essas comunidades irreais dos livros deu-lhes a mesma satisfação que obteriam da interacção com os grupos reais.

 

 “O estudo explica como esse fenómeno diário de leitura funciona não só como escape (evasão/fuga) ou educação, mas como algo que satisfaz uma necessidade psicológica profunda. E nós não temos que matar qualquer papão ou sermos mordidos para sentirmos isso”, explicou ironicamente a autora do estudo, em comunicado.

 

Já agora, para comprar livros a preços mais em conta, aproveite e visite as feiras do livro que decorrem, até o dia 18 de Maio, no Parque Eduardo VIII, em Lisboa, e no Porto, na Avenida dos Aliados, de 26 de Maio e 12 de Junho. Tenha boas leituras e aproveite para viajar por mundos paralelos.

 

O texto foi redigido tendo por base o comunicado de imprensa da Association for Psychological Science.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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