Inglesa mediática escolhe morrer em frente às câmaras
27 fevereiro 2009
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Jade Goody passou os últimos sete anos a vender a sua imagem nos múltiplos Big Brothers em que participou no Reino Unido. Agora, atravessa uma batalha perdida contra o cancro mas continua mediática, ao vender os direitos de transmissão dos seus últimos dias a uma cadeia televisiva.

 

"Foi maravilhoso. A capela estava muito bonita e penso que estavam presentes cerca de 200 pessoas", disse à imprensa britânica Max Clifford, assessor de Jade Goody, após esta ter concretizado no passado domingo o sonho de se casar numa cerimónia realizada num luxuoso hotel rural no condado de Essex, em Inglaterra. Jade Goody é uma jovem de 27 anos que passou os últimos sete a participar em concursos televisivos. Foi num desses concursos, um Big Brother filmado na Índia, que, em Agosto último, frente às câmaras, recebeu a confirmação de que tinha cancro do colo do útero.

 

Começou a receber quimioterapia, mas, há duas semanas, os médicos confirmaram que a doença estava metastizada e que lhe restavam poucas semanas de vida. Habituada a lidar com os “media”, Goody decidiu fazer render a sua doença, vendendo os direitos de transmissão das imagens do casamento à revista sensacionalista “Ok”, por 700 mil libras, e à “Living TV”, por 100 mil libras. Os seus últimos dias de vida estão a ser gravados por esta rede de televisão e serão transformados num programa.

 

Todo o dinheiro arrecadado será em prol dos seus dois filhos menores, de quatro e cinco anos. À verba total também se irá juntar o montante sobre os direitos de transmissão dos baptizados das duas crianças, que ainda não estão agendados, e que poderão ocorrer após a morte da mãe. A notícia tem feito manchetes no Reino Unido e é alvo de chamadas de capa na imprensa estrangeira. Mas por que razão a história de Goody interessa tanto à opinião pública?

 

Na verdade, Jade Goody foi vendendo a sua imagem nos oito Big Brothers em que participou. E foi precisamente sob este prisma que justificou a sua decisão, numa entrevista dada ao jornal diário inglês “Guardian”: “Passei toda a minha vida adulta a falar da minha vida. A única diferença é que agora estou a falar da minha morte. Vivi em frente às câmaras. E, se calhar, vou morrer em frente a elas”. Terá sido provavelmente por causa da postura eloquente e frontal de Jade Goody que Gordon Brown, o primeiro-ministro britânico, manifestou o seu pesar por a doença não poder ser debelada, aplaudindo a sua decisão de angariar dividendos: “Creio que cada um tem a sua própria maneira de enfrentar estes problemas e a sua decisão de ajudar a família é algo que temos de aplaudir”.

 

Para tornar realidade o sonho de se casar antes de morrer, Goody contou com o contributo do dono dos famosos armazéns Harrod's, Mohamed al Fayed, que ofereceu o vestido de noiva, e com o aval do ministro da Justiça britânico, Jack Straw, que permitiu que o noivo, Jack Tweed, de 21 anos, detido por agressão, pudesse sair da prisão e passar a noite de núpcias com a sua mulher.

 

Apesar de podermos questionar as implicações éticas da compra e venda da vida privada, bem como as do público que consome este tipo de notícias, a verdade é que, segundo o jornal “Guardian”, o Hospital da Universidade de Lewisham, no sudeste de Londres, registou um aumento de 21% nos testes do cancro do colo do útero, facto que, adianta o mesmo jornal, se deve à ampla divulgação da doença provocada pelo caso Jade Goody.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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