Grávidas passam informações olfactivas e gustativas aos seus bebés
30 setembro 2011
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Já se surpreendeu por gostar da maioria dos alimentos que a sua mãe gosta? Não se admire, porque um estudo refere que as preferências olfactivas e gustativas da mãe passam para o filho durante a gravidez. Daí a importância de uma alimentação saudável neste período.

 

A dieta da mãe não só sensibiliza o feto a odores e sabores, mas muda fisicamente o cérebro, afectando directamente o que a criança vai comer e beber no futuro. É este o resultado de um estudo realizado, em ratinhos, por uma equipa de investigadores da University of Colorado, EUA.

 

"Isso destaca a importância de uma dieta saudável e da abstinência do álcool durante a gravidez", advertiu. Em comunicado de imprensa, a líder do estudo, Josephine Todrank, que realizou a experiência durante dois anos. E exemplificou: "se a mãe bebe álcool, o seu filho pode vir a ser mais atraído para o álcool porque o feto em desenvolvimento espera que tudo o que vem da mãe seja seguro. Se ela come comida saudável, a criança vai preferir alimentos saudáveis."

 

Numa investigação com ratinhos, os cientistas verificaram que o olfacto dos filhotes era alterado pelo que as suas mães consumiam durante a gravidez e no aleitamento, ensinando-os a gostar dos sabores que compunham a sua dieta. Ao mesmo tempo, os investigadores também descobriram mudanças significativas na estrutura do glomérulo (enovelamento de pequenos vasos sanguíneos) olfactivo do cérebro, que processa os odores, dado que, refere o comunicado de imprensa, os odores no líquido amniótico afectam a forma como este sistema se desenvolve.

 

"Este é o primeiro estudo a abordar as mudanças no cérebro que ocorrem após a exposição constante aos sabores no útero e no início da vida pós-natal, quando o recém-nascido recebe o leite da mãe", afirmou o patrocinador do estudo, Diego Restrepo, co-director do centro de neurociência da Universidade de Colorado.

 

Durante estes períodos os filhotes são expostos aos sabores presentes nos alimentos que a mãe ingere.

 

Para este cientista, os resultados desta pesquisa poderão ter importantes implicações na saúde pública. “Muitas doenças que atingem a sociedade moderna envolvem o consumo excessivo ou o não consumo de certo tipo de alimentos. Entender os factores que determinam a escolha e a ingestão, em particular os factores precoces, é importante na elaboração de estratégias para melhorar a saúde do bebé, da criança e do adulto."

 

No seu estudo, a equipa liderada por Todrank alimentou um grupo roedores fêmeas, grávidas e lactantes, com uma dieta leve ou uma dieta com sabor. Na idade do desmame, os filhotes das mães que consumiram durante esses períodos alimentos com sabor tinham glomérulos significativamente maiores do que os outros. Os filhotes também preferiam o mesmo sabor ingerido pela mãe, enquanto as outras crias, cujas mães foram alimentadas com uma dieta leve e sem sabor, não apresentavam preferências. "A exposição ao odor ou sabor no útero estimula a preferência, mas também modela o desenvolvimento do cérebro", explicou a líder da investigação.

 

"Do ponto de vista do feto, o que está no útero é considerado bom. Se a sua mãe comeu e sobreviveu para o dar à luz, então provavelmente o que consumiu era seguro”, disse a investigadora, acrescentando que “esta é uma boa estratégia para um ratinho que passa a vida à procura de comida, passará, então, a tratar os mesmos alimentos (consumidos pela mãe) como seguros."

 

Devido às semelhanças no desenvolvimento dos mamíferos, não existem razões para pensar que as experiências vão produzir resultados diferentes no ser humano, apontam os cientistas. "O que uma grávida escolhe para comer e beber tem efeitos a longo prazo - para o melhor ou para o pior - na anatomia sensorial do seu filho, bem como na sua memória das preferências a odores e alimentos no futuro”, explicou a cientista, acrescentando, no entanto, “ainda não está claro por quanto tempo essas mudanças e preferências são passadas, mas continuamos a investigar”.

 

Este artigo foi redigido tendo por base o comunicado de imprensa da University of Colorado.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

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