Fé ajuda a superar doença
23 janeiro 2009
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A fé pode curar, ou ajudar a curar, dizem os populares livros de auto-ajuda. A mesma opinião têm alguns investigadores que tentam comprovar cientificamente os benefícios da espiritualidade na recuperação de doentes ou, em casos terminais, em alcançar uma morte com maior conforto.

 

Quem nunca conviveu de perto com doentes terminais, dificilmente conseguirá compreender o turbilhão de sentimentos vivenciados por essas pessoas, entre os quais se podem contar a angústia de ter os dias contados e a esperança de que algum milagre surja para lhes salvar a vida. Em circunstâncias tão difíceis, vale tudo. Além da medicina convencional, procura-se alívio nas medicinas alternativas, nos chás e mezinhas e na oração. Ao longo das últimas décadas, cientistas um pouco por todo o mundo têm analisado as repercussões da prática religiosa nas condições de saúde de pessoas doentes.

 

A ciência sabe que a fé dos doentes crentes influencia o seu comportamento. Estes doentes tendem a evitar atitudes de risco e são menos susceptíveis do que os não crentes à adopção de hábitos de vida menos saudáveis, como o alcoolismo, toxicodependência e tabagismo. Tudo isto provoca uma diminuição dos níveis de ansiedade destes doentes. Isso, por seu turno, aumenta a capacidade de defesa do seu sistema imunitário, um factor vital em pacientes com doenças crónicas.

 

Num estudo publicado no ”Journal of Clinical Oncology”, investigadores do Dana-Farber Cancer Institute e da Universidade de Harvard, EUA, liderados por Tracy Balboni, avaliaram a importância da espiritualidade em doentes oncológicos em fase terminal. Constataram que 88% dos doentes entrevistados atribuía alguma importância à religião nessa fase das suas vidas, embora 47% dissessem que os seus grupos religiosos não davam uma resposta completa às suas necessidades espirituais. Por outro lado, 72% desses pacientes afirmaram que essas necessidades não eram de todo atendidas, ou só eram minimamente atendidas, pelos serviços médicos. Uma conclusão deste estudo é que os pacientes gostariam de sentir uma maior receptividade por parte dos médicos que os acompanham relativamente à sua espiritualidade.

 

A aceitação da sua fé contribuiria, certamente, para os ajudar a suportar melhor a passagem por uma fase tão difícil. Um outro estudo, realizado por uma equipa italiana do Instituo San Raffaele Pisana, em Roma, e publicado na revista ”Stroke” analisou o impacto da fé no controlo dos sintomas de depressão e de ansiedade após um AVC (acidente vascular cerebral). Foram avaliados 132 pacientes, com uma média de 72 anos, que tinham sofrido um AVC e estavam internados para reabilitação física. Os pacientes foram questionados sobre a sua religiosidade e espiritualidade e foram também avaliados quanto aos seus níveis de ansiedade e sintomas depressivos.

 

A equipa, liderada por Salvatore Giaquinto, verificou que, se a depressão interfere negativamente na recuperação dos doentes hospitalizados e, mesmo, após terem alta médica, os pacientes crentes apresentavam menos sintomas depressivos e tinham um melhor prognóstico de recuperação. Podemos concluir, com base tanto no estudo sobre o impacto da fé em doentes terminais como no que avaliou as consequências da mesma na recuperação de doentes vítimas de AVC, que acreditar em algo transcendente traz inúmeras vantagens e pode, muitas vezes, servir de alavanca para a recuperação ou, pelo menos, ajudar quem vai partir a despedir-se da vida de um modo mais tranquilo.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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