Exercício físico ajuda a combater as doenças de Inverno
05 novembro 2010
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As pessoas que praticam exercício físico com regularidade parecem ser menos propensas a apresentar constipações e, quando as têm, são de menor gravidade, sugere um estudo publicado na revista “British Journal of Sports Medicine”.

 

O Inverno está prestes a começar e, com ele, a época do ano onde mais proliferam as doenças respiratórias. Nestes meses frios, as condições climáticas reúnem-se para dar origem a uma série de doenças respiratórias que afectam a população.

 

Estimativas realizadas nos EUA revelam que os adultos podem ter uma constipação entre duas a quatro vezes por ano e as crianças entre seis a dez vezes. Somados, todos estes episódios geram um custo (directo e indirecto) de aproximadamente 40 mil milhões de dólares.

 

No entanto, o exercício físico poderia ser um meio pouco dispendioso de reduzir esses números, segundo o estudo agora publicado. "Os fisicamente activos presumem, sempre, que adoecem menos que os sedentários e, na verdade, têm razão", disse, em comunicado de imprensa, David C. Nieman, director do Laboratório de Motricidade Humana na Appalachian State University, no Campus de Pesquisa em Kannapolis, Carolina do Norte. E, deste modo, o investigador não tem dúvidas em afirmar que: “o exercício é provavelmente a coisa mais importante que podemos fazer para reduzir os dias de baixa no Inverno”.

 

Para o estudo, os investigadores recolheram dados de 1.002 homens e mulheres, com idades entre os 18 e os 85 anos. Durante 12 semanas da época Outono/Inverno de 2008, os cientistas monitorizaram o número de infecções do tracto respiratório superior sofridas pelos voluntários do estudo. Além disso, todos os participantes relataram a quantidade e o tipo de exercícios aeróbicos que realizavam por semana, e auto-avaliaram-se sobre o seu nível de aptidão física através de um sistema de pontuação de uma escala de 10. Também foram questionados sobre o seu estilo de vida, padrões alimentares e acontecimentos stressantes, factores que podem afectar o sistema imunitário.

 

Os investigadores verificaram que a frequência de constipações entre os que se exercitaram cinco ou mais dias por semana era até 46% inferior à apresentada pelos sedentários, ou que realizavam exercício físico apenas um dia ou menos por semana. Além disso, o número de dias que as pessoas sofriam com os sintomas da doença foi 41% mais baixo entre os que eram fisicamente activos, cinco ou mais dias por semana, em comparação com grupo constituído por sedentários. O grupo que se sentia em melhor forma também experimentou uma redução de 34% nos dias de sintomas da doença, em comparação com os  que diziam sentir-se em pior forma física.

 

A gravidade dos sintomas da constipação também foi significativamente mais reduzida no grupo que se sentia em melhor forma física, assim como nos que praticam mais exercício físico (32% e 41% respectivamente).

 

Uma limitação do estudo, segundo revelam os cientistas, foi a falta de ajuste para todas as variáveis que poderiam afectar o resultado, como a exposição a germes da constipação no local de trabalho ou através do contacto com os filhos em casa. Contudo, o estudo teve em conta uma série de factores, incluindo idade, índice de massa corporal e nível educacional. E, tendo em conta estes factores, os investigadores verificaram que ter mais idade, ser do sexo masculino e estar casado reduzia a frequência das constipações. No entanto, os factores mais significativos (além de ter mais idade) foram a forma física e a quantidade de exercício que realizava.

 

Segundo o líder da investigação, David Nieman, a explicação para tudo isto pode estar no facto de a prática de exercício físico activar o sistema imunitário mais do que o normal, fazendo com que as células do sistema imunitário ataquem os vírus. "O exercício garante que estas células circulem pelo corpo, enfrentem e matem o inimigo", explicou o cientista. Embora os níveis de defesa baixem algumas horas após a prática desportiva, a cada sessão de exercício, o sistema imunitário é novamente reforçado, fortalecendo o organismo contra possíveis ataques de vírus e bactérias, o que resulta na redução do número e na gravidade das infecções.

 

Marc Siegel, especialista em doenças infecciosas e professor associado de medicina na Universidade de Nova Iorque, concordou que "o exercício desempenha um papel importante na resposta imunitária", mas também no bem-estar psicológico: um todo que torna as pessoas fisicamente activas mais resistentes às doenças.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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