Exercício Físico: A Motivação como a Principal Aliada
16 janeiro 2009
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Praticar exercício físico em casa não é, definitivamente, para todos. É necessário gastar dinheiro na compra de equipamento, mais uns euros na aquisição de DVD explicativos, ter espaço em casa para praticar exercício… E, acima de tudo, a maioria de nós necessita de motivação.

 

Por isso, confesso que não me surpreendeu o resumo do estudo que publicámos esta semana sobre o facto de praticar exercício físico em casa não garantir continuidade ao longo do tempo. Diz o estudo que, seis meses após o início da prática de exercício físico em casa, cerca de metade dos 205 participantes tinha desistido.

 

Da experiência de vida, todos nós conhecemos quem tenha desistido de ir ao ginásio: uns no primeiro mês, outros ao fim de mais tempo, outros que não desistem do pagamento mensal durante anos, mas também não aparecem no ginásio uma única vez durante meses. O tempo, dizem, é o principal inimigo. E, de facto, a falta dele pode servir de desculpa, mais ou menos válida, para não nos exercitarmos.

 

Em entrevista ao "New York Times", o líder da investigação, David William, refere que para se fazer exercício físico com continuidade é necessário motivação. E, nesse sentido, o especialista dá vários conselhos: convocar familiares e amigos para fazer desporto em conjunto, aprender a fazer bem determinado exercício (ganhando prazer em executá-lo) e, caso o orçamento o permita, contratar um treinador pessoal (ele, sim, vai garantir-lhe um bónus de motivação!).

 

Praticar ou não exercício físico poderia estar relacionado apenas com os factores enunciados pelo Dr. David William; mas, infelizmente, não está. A motivação no desporto, aquilo que nos faz praticar uma actividade física e o que nos leva a desistir da sua prática, serve de base a inúmeros estudos, quer da área da psicologia, quer da de educação física.

 

Num artigo da autoria de Luís Filipe Cid, do departamento de Ciências do Desporto e Educação Física, da Escola Superior de Educação da Guarda, são avaliadas as diferentes razões que levam os jovens até aos 20 anos a praticar exercício físico. Bem sei que nestas faixas etárias os jovens não são confrontados com os problemas da vida adulta, com a luta que é conseguir conciliar a vida profissional com a pessoal.

 

Mas da leitura do artigo podemos concluir que a motivação na prática desportiva é bastante complexa e resulta de múltiplos factores, quer sejam conscientes ou inconscientes, passando por, como diz o autor, “necessidades fisiológicas, psicológicas e sociais de cada sujeito, bem como as suas experiências passadas ou recentes.” O mesmo estudo refere que, se as lesões podem impedir os jovens da prática desportiva, os factores mais importantes para continuar a praticar desporto são: “estar em forma”, “fazer amizades” e o “divertimento”.

 

Os ginásios conhecem bem os resultados dos estudos e colocam-nos em prática através de ferramentas de marketing. Sabem que, para atrair clientes, precisam de os motivar continuamente. Por isso, alargam os horários de funcionamento, abrem as portas aos fins-de-semana e desdobram-se em eventos, promoções e actividades temáticas.

 

Tudo isto tendo em vista cativar clientes e auferir o máximo de lucro, claro: se não, como poderíamos explicar o facto de, na maior parte dos ginásios, ser necessária a assinatura de um contrato com permanência anual? Nesta época de entrada no ano novo, tal como na altura do regresso de férias, tomam-se grandes decisões para pôr em prática durante os próximos 365 dias.

 

Não é por acaso que, numa conhecida marca de ginásios destinada apenas ao público feminino e cujo lema é “emagrecer com treino diário de 30 minutos”, a estratégia de angariação de possíveis novas clientes arranca agora, no mês de Janeiro, depois das festas natalícias. Quem gere estes franchisados sabe que a fatia de mercado que quer atingir, as mulheres, tem maior motivação para a prática de exercício físico se lhe garantirem a perda de peso.

 

E, depois das Festas, o descontentamento com os quilos ganhos na ingestão de filhoses e rabanadas ganha literalmente um peso importante na tomada de decisão de começar ou recomeçar a prática de exercício físico. Esta semana, à porta de uma estação de metro lisboeta, lá estavam elas, as monitoras de um destes ginásios que proliferam em quase todos os bairros das grandes cidades, a distribuírem maçãs com um panfleto publicitário onde se liam vantajosos descontos.

 

Desta pequena análise podemos concluir que não há consenso em relação àquilo que funciona como um incentivo para a prática continuada de exercício, mas também não há grandes dúvidas de que o exercício físico é uma actividade benéfica para o indivíduo. Por isso, quer seja no ginásio, em casa ou aproveitando as tarefas do dia-a-dia, como, por exemplo, subindo escadas em vez de andar de elevador, tenha sempre em mente que praticar exercício físico lhe pode aumentar anos à vida .

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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