Estudo desvenda Sorriso dos Portugueses
13 fevereiro 2009
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Ao longo dos últimos cinco anos, os portugueses têm sorrido cada vez menos, refere um estudo do Laboratório de Expressão Facial da Emoção da Universidade Fernando Pessoa, no Porto. O líder da investigação, o Professor Armindo Freitas-Magalhães, explicou ao “Saúde na Internet” em que consistiu a investigação.

 

Em que fase se encontra a investigação? O estudo começou há cinco anos e termina em 2013, vai retratar uma década de sorriso português.

 

E que dados relevantes tem para apresentar no momento? O trabalho consistiu na análise de mais de 240 mil fotografias publicadas nos jornais diários portugueses e, dessa análise, confirma-se que, em geral, há um declínio da exibição e intensidade do sorriso.

 

Mas o estudo também indica que, mesmo assim, as mulheres continuam a sorrir mais que os homens. Porquê? Sim, de facto, as mulheres são mais fáceis ao sorriso, porque o sorriso é imanente à natureza da mulher, é uma questão psico-biológica.

 

Por que razões serão os homens mais sisudos? Tem a ver com o que chamamos de “atenção perante a vida” e de “tentativa de resolução de tarefas e problemas”. Na idade adulta, entre os 45 e os 65 anos - uma idade em que as pessoas estão mais amadurecidas, mas que têm muitas tarefas para resolver - é óbvio que a exibição e frequência do sorriso são menores. Nas crianças, tal não se justifica porque são muito verdadeiras e reais quando exprimem as suas emoções ao nível do palco (do rosto), que é a parte que mais mostramos ao longo da vida. Com os idosos, acontece a mesma coisa, são muito reais e verdadeiros, mas acabam por sorrir menos, em relação à idade reprodutiva e às idades da primeira e segunda infância.

 

Em que situações foi verificado que os portugueses sorriem mais? Em situações relacionadas com a realização pessoal de alguém.

 

E porque acha que, em geral, os portugueses estão a sorrir menos? Há um declínio da exibição e intensidade do sorriso relacionado com a variável do contexto social: as pessoas em situações de realização pessoal e de uma condição de vida que lhes seja favorável mostram (no rosto) essa correspondência; A outra situação tem a ver com condições de cariz socioeconómico e que influenciam a exibição e intensidade dos movimentos expressivos;

 

Isso que dizer que as dificuldades económicas que o país tem atravessado têm implicações no sorriso e que provavelmente, quando concluírem o estudo, em 2013, não haverá uma inversão desta tendência? Em ciência não podemos ter esse tipo de veleidade de antecipar os resultados. E também é verdade que, em ciência, há situações do senso comum com as quais não podemos pactuar. É obvio que nesta altura, e comprovando-se que a exibição e frequência do sorriso humano vão diminuir cada vez mais, estamos a perder sorriso. Isto não quer dizer que vamos perder a capacidade de sorrir, essa é inata ao ser humano, o que estamos a perder é a frequência e a intensidade do sorriso, porque ele só é detectável desde o momento em que haja movimento no rosto.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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