Elefantes podem transmitir tuberculose ao homem
08 julho 2011
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Os trabalhadores circenses, tratadores e veterinários, entre outras pessoas que lidem, directa ou indirectamente, com elefantes correm o risco de contrair tuberculose, alerta um estudo dos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e do Vanderbilt University Medical Center, nos EUA.

 

Sabe-se que a tuberculose zoonótica - não só na forma clássica de tuberculose intestinal ou escrofulose (transmitida por alimentos), mas, principalmente, na forma pulmonar (transmitida por aerossóis) – pode ser transmitida ao homem.

 

E se, por um lado, a vacinação praticada na medicina humana, não é utilizada como medida preventiva, em grande escala, no caso dos animais; por outro lado, a doença é assintomática (período em que continua a ocorrer transmissão), manifestando-se apenas quando é activada.

 

"A preocupação com a transmissão da doença entre humanos e elefantes teve início na década de 1990 quando os médicos suspeitaram que os elefantes transmitiam tuberculose aos seus tratadores", explicou o autor do estudo Rendi Murphree, em comunicado da própria universidade.

 

Neste estudo, publicado no “Emerging Infectious Diseases”, publicação do CDC, é descrito um surto de tuberculose, que ocorreu em 2009, entre oito funcionários de um refúgio de elefantes no Tennessee, EUA. Dos oito trabalhadores infectados, três não tiveram contacto próximo com o elefante, mas trabalhavam num prédio administrativo perto do celeiro onde o elefante habitava, levando os investigadores a acreditar que as bactérias se disseminaram pelo ar, quando o elefante espirrava ou quando o celeiro era limpo com uma mangueira de alta pressão.

 

Segundo contou o líder da investigação, num comunicado difundido pela Vanderbilt University Medical Center, trata-se do primeiro estudo a documentar claramente a transmissão da tuberculose de um elefante a humanos. “Felizmente, nenhum dos oito funcionários infectados desenvolveu tuberculose activa e o elefante está a receber tratamento para a condição", explicou Rendi Murphree.

 

Se pensarmos nos elefantes que vivem em jardins zoológicos em todo o mundo e nos que são usados para espectáculos circenses, este estudo traz dados que podem ser usados para encetar medidas preventivas entre as pessoas que trabalham directamente com estes animais, assim como para os próprios animais.

 

Nos EUA existem cerca de 500 elefantes em cativeiro, estimando os cientistas que 12% sejam portadores de tuberculose. Os investigadores alertam, no entanto, para o facto de esta estimativa não ser real, dado que os métodos de detecção são muitas vezes imprecisos. “Existem métodos de cultura e exames de sangue para detectar tuberculose nos elefantes, mas muitas vezes estes métodos produzem resultados falsos negativos", explicou Murphree, acrescentando que isso significa que a infecção por tuberculose, ou doença activa, não pode ser afastada se o teste for negativo.

 

Sabe-se que a maioria das pessoas infectadas com o bacilo nunca ficará doente, dado que o seu sistema imune combate o bacilo, impedindo que ele se multiplique. A ciência ainda não tem provas claras das razões que levam algumas pessoas infectadas a ficarem doentes enquanto outras não, sabendo-se, contudo, que as pessoas com um sistema imunitário comprometido têm uma maior possibilidade de se tornarem doentes. "O que aconteceu no refúgio é uma circunstância incomum, mas a tuberculose humana é uma doença grave e, por vezes, ameaçadora, com que lidamos todos os dias na saúde pública", adverte o cientista, referindo, por isso, a necessidade de continuarem a ser feitas investigações tendo em vista o diagnóstico e o tratamento adequados da tuberculose em elefantes.

 

Artigo foi redigido a partir de informações veiculadas pela Universidade de Vanderbilt.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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