Doses terapêuticas de melancia baixam a pressão arterial
19 novembro 2010
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É doce e saborosa, tem poucas calorias, e é rica em fibras. Estas características, por si só, já fazem da melancia um alimento altamente benéfico para a saúde. Mas um estudo da Universidade da Flórida, EUA, descobriu mais uma característica desta fruta: é uma reguladora natural da hipertensão.

 

De polpa vermelha, suculenta, a melancia (Citrullus lanatus, nome cientifico), é uma fruta rasteira originária da África, que contém alto teor de água (cerca de 90%), mas também vitaminas do complexo B e sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro. A medicina natural costuma recomendar a ingestão de melancia em programas de emagrecimento. E o chá das sementes do fruto já era aconselhado a pessoas com problemas de impotência e de hipertensão arterial.

 

Apesar deste conhecimento popular, até ao momento, a ciência nunca tinha demonstrado a eficácia do consumo da fruta no combate à hipertensão. Neste estudo, liderado por Arturo Figueroa e Bahram H. Arjmandi, foi verificado que a melancia tem mesmo o potencial de vasodilatador, impedindo que a pré-hipertensão se transforme em hipertensão.

 

Neste estudo participaram nove voluntários pré-hipertensos (quatro homens e cinco mulheres na fase pós-menopáusica) com idades entre os 51 e os 57 anos. Durante seis semanas, todos os voluntários consumiram, diariamente, seis gramas dos aminoácidos L-citrulina/L-arginina, retirados do extracto da melancia. Passado esse período, os investigadores verificaram que todos os participantes apresentaram melhoras significativas na função arterial o que, consequentemente, conduziu a uma redução da pressão arterial da aorta.

 

Segundo referiu Arturo Figueroa, em comunicado enviado à imprensa, trata-se, de facto, do primeiro estudo que documenta “melhorias na hemodinâmica da aorta nos voluntários pré-hipertensos, saudáveis, de meia-idade que receberam doses terapêuticas de melancia”.
E estas descobertas, reforça o cientista, sugerem que estes alimentos funcionais têm um efeito vasodilatador e podem impedir que a pré-hipertensão progrida para hipertensão, um importante factor de risco para enfarte agudo do miocárdio e AVC (acidente vascular cerebral). Por isso, a equipa de investigadores planeia continuar o estudo, cuja próxima fase será a de incluir um maior número de pessoas a avaliar.

 

Se do ponto de vista da medicina natural, já sabíamos que a melancia era uma fonte importante de vitaminas e minerais, do ponto de vista científico este fruto saboroso tem outras valências: "A melancia é a fonte natural (de produtos comestíveis) mais rica em L-citrulina, que está intimamente relacionada com a L-arginina, aminoácido necessário para a formação do óxido nítrico, essencial para a regulação do tónus vascular e da pressão arterial saudável", explicou o cientista. Quando a L-citrulina é metabolizada pelo organismo é convertida em L-arginina. Contudo, consumir a L-arginina como suplemento alimentar não é uma boa opção para muitos doentes hipertensos, disse Figueroa, dado que pode causar náuseas, desconforto gastrointestinal e diarreia.

 

Ao contrário desta situação, o consumo de melancia é bem tolerado. Os participantes deste estudo piloto não relataram qualquer efeito secundário. E, além dos benefícios vasculares da citrulina, a melancia ainda fornece vitamina A, B6, C, potássio, fibras e licopeno, este último um antioxidante poderoso. O cientista Bahram H. Arjmandi acrescentou ainda outro benefício do consumo da fruta: a redução dos níveis de glicose no sangue.

 

Para Figueroa, a suplementação de L-citrulina oral pode permitir uma dosagem reduzida de anti-hipertensores necessários para controlar a pressão arterial e, melhor ainda, impedir a instalação da doença.

 

Dados do último estudo epidemiológico sobre hipertensão arterial em Portugal, liderado por Espiga de Macedo, docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, indicam que 46,5% dos portugueses adultos sofrem deste problema. Embora a doença afecte cerca de dois milhões de portugueses, destes, apenas metade tem conhecimento de ter a doença, só um quarto estará medicado e apenas 16% tem a doença controlada.

 

A pré-hipertensão é caracterizada por leituras de pressão arterial sistólica de 120-139 milímetros de mercúrio (mm Hg)  e pressão diastólica de 80-89 mmHg. É considerada hipertensão quando os valores são superiores a 140/90mmHg.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

 

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